quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

SAUDAÇÃO DE ANO NOVO.

Saudamos todos os amigos que acompanham este blogue, desejando-lhes um ano de 2010 cheio de quilómetros de felicidade, paz, saúde, amor e justiça social.
Sabemos que na corrida, como na vida, não podemos apenas desejar as coisas e esperarmos que elas aconteçam. Sem trabalho, luta, e determinação nada se consegue.
Neste primeiro dia do ano queremos deixar aqui uma canção de um nome maior da cultura portuguesa e mundial.
O cantor que aqui trazemos foi um exemplo vivo de alguém que toda a sua vida lutou pelas convicções que lhe eram queridas.
Seja por convicções, seja por objectivos desportivos, que o exemplo e a fibra deste homem sejam inspiradoras para todos na hora de nos “atirarmos” a mais um ano.
Fiquem pois com o “Natal dos Simples” de José Afonso.
(O nosso obrigado à autora da excelente montagem deste vídeo que descobrimos no YouTube e tomamos a liberdade de trazer aqui a este blogue).

1 De Janeiro de 2010
JBT
EVB


sábado, 26 de dezembro de 2009

AS CORRIDAS DE SÃO SILVESTRE

As “São Silvestres” são a melhor forma de terminar o ano desportivamente por parte dos corredores.
Corrida, tradicionalmente na noite do último dia do ano (dia de São Silvestre), ou em alternativa nos últimos dias do ano, são uma maneira de todos nós nos despedirmos do ano velho e saudar o ano novo com tudo o que de esperança ele encerra e onde, evidentemente, se englobam também os projectos, e sonhos em termos desportivos.
Actualmente realizam-se provas de São Silvestre um pouco por todo o pais e reportando-me à região de Lisboa (que melhor conheço) há mesmo a possibilidade dos atletas correrem em diversas provas desse tipo o que até pode ser usado por alguns para queimar as calorias a mais dos excessos gastronómicos cometidos nesta época do ano (isto para aqueles que ainda se podem dar ao luxo de cometer tais excessos nestes tempos conturbados.).
Diga-se de passagem que talvez não seja a melhor estratégia a usar mas também é verdade que alguns abusos em tempos festivos não trazem mal ao mundo.
Na minha, modesta, carreira de corredor participei apenas em duas São Silvestres.
Vivendo há 20 anos no Ribatejo, e não tendo transporte próprio, devido a hora que essas provas se realizam torna-se muito complicado, em termos logísticos, alinhar nessas festas.
Mas tenho gratas recordações dessas minhas duas únicas participações nas provas do último dia do ano:
No já longínquo ano de 1981 participei na São Silvestre de Campolide uma prova que segundo os meus registos tinha 6 quilómetros (uma das mais curtas provas onde alinhei).
Dessa prova a minha memória recorda ter andado a correr algures entre Campolide e Sete Rios, numa zona pessimamente iluminada, e às tantas não ter qualquer indicação do percurso nem ver vivalma! Sei que não me perdi e cheguei à meta (mas não posso garantir que tenha feito o percurso correcto!).
Mas gostei dessa minha prova daquele meu primeiro ano em comecei a correr com dorsal.
Nessa altura ainda era possível organizar em Lisboa um pequena e modesta, mas muito digna, “prova de bairro”.
Só voltaria a correr uma São Silvestre em 1998 e já não seria uma pequena prova de bairro mas a São Silvestre dos Olivais uma prova já com outros meios e dimensão organizativa.
Dessa prova lembro-me de ter corrido na zona do Parque das Nações, que eu não conhecia, e foi um “autêntico passeio turístico” muito agradável.
O percurso tinha muitas rotundas e cruzamentos mas tudo estava devidamente sinalizado mediante a intervenção de elementos da organização com bastões luminosos o que tornava impossível alguém perder-se.
Enfim, duas participações em São Silvestres com um longo intervalo de tempo.
Desde o voluntarismo de uma organização de bairro dos anos 80 até a uma prova com organização profissional a caminho da última década do século XX
Para além destas duas participações faria uma passagem do ano a correr numa iniciativa particular e que não sei precisar o ano.
Sei é que convenci, e “arrastei”, um familiar; companheiro de muita estrada, para deixarmos o réveillon em família e irmos correr 30 minutos com partida às 23:45 e com os protestos de toda a nossa família. Enfim maluquices dos “fundamentalismos” dos primeiros anos de corredor mas que deu para poder dizer que já passeio o ano a correr.

Este meu texto é também uma forma de saudar todos os atletas que vão participar nas São Silvestres e desejar-lhes um excelente ano de 2010 em todas as vertentes das suas vidas com muitos e muitos quilómetros de felicidade.
FELIZ 2010 AMIGOS!


sábado, 19 de dezembro de 2009

A BOMBA CAPRICHOSA E O “BOMBISTA” RURAL


Naquele início de mais uma manhã de verão o plano era um curto e descontraído treino.
O percurso implicaria uma passagem junto a uma vala (ribeiro) no meu Ribatejo adoptado.
A manhã, ainda fresca, convidava ao treino e o campo cheirava a verão.
O sol mal tinha despontado no horizonte ainda tímido.
O treino corria calmo e sentia-me em plena comunhão com a natureza.
Não se avistava vivalma no horizonte e, em pequena passadas, ia avançado por estreito carreiro.
Cada vez ficava mais perto o pivô da rega com os seus tubos e braços.
Não tardaria a estar na pequena rampa que me levaria junto ao portão da “casa”, desceria depois um largo estradão, encontraria a ponte romana à minha direita, cruzaria o alcatrão e estaria quase a chegar à minha casa.
Completamente absorvido nestes e noutros pensamentos eis quando um homem aparece do nada, ou melhor dos meio do salgueiros, e me interpela.
-Bom dia amigo dava-me uma ajuda com a bomba?
O meu gesto nestas situações que implicam uma paragem forçada no treino (normalmente para ver como posso resolver um diferendo com um cão) é automático: parar o cronómetro.
Bomba? Estarão o leitores a pensar onde haverá uma bomba no meio do campo e para que propósitos. Um atentado terrorista? Só se fosse para fazer os salgueiros irem pelos ares!
Embora com o pensamento a anos-luz dali consegui regressar rapidamente ao planeta terra e perceber o que se tratava.
-O amigo carregue aí que ela não pega de outra forma!
E enquanto carrego no ponto mais delicado da bomba caprichosa, o homem puxa a corda, uma, duas, três vezes e trum tum tum tum tum!
-Obrigado amigo bom dia! De nada até a próxima!
E toca a ligar o cronómetro e dar às pernas que tenho um duche à espera.
No resto do percurso que me faltava fazer lá fui a pensar naquela bomba... de rega que só pegava carregando em determinado sítio e na sorte que aquele homem teve em eu ter passado por ali!
Nunca entendi nada de motores de rega e ainda menos dos seus caprichos mas lá que aquela bomba era caprichosa lá isso era! Enfim mais uma cena da vida de um “corredor rural” como eu!

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

ENTREVISTA A ALZIRA LÁRIO

Pese embora a entrevista aqui transcrita já tenha sido publicada no jornal “Notícias de Barroselas” e no “Fórum do Mundo da Corrida” não quisemos deixar de a trazer ao conhecimento dos leitores do Blogue prestando assim a nossa homenagem à melhor ultra maratonista portuguesa de todos os tempos e umas das melhores a nível da elite mundial. Pedimos autorização, por escrito, à Alzira Lário para a publicação da entrevista e queremos agradecer a enorme simpatia com que nos respondeu.


Entrevista a Alzira Lário ao Jornal Notícias de Barroselas

Notícia de Barroselas- Quando é que descobriu o gosto pelo atletismo? Alzira Lário: Não queria começar esta entrevista sem antes pedir desculpa aos meus amigos do jornal Notícias de Barroselas por ter demorado tanto tempo em vos conceder esta entrevista, aqueles que me conhecem sabem que antes queria correr uma prova do que aceitar dar uma entrevista. - Apesar de me ter casado com um homem que sempre esteve ligado ao desporto e inclusive nos seus anos de estudante ter praticado atletismo, nunca me passou pela cabeça praticar desporto, tinha outras coisas que gostava mais de fazer, e mesmo antes de ter ido para Espanha fui dirigente do Grupo de escuteiros de Alvarães, pertenci a varias associações juvenis, mas desporto não era nada o que me apetecesse fazer, nunca me tinha pensado fazer mesmo como manutenção. Já vivia há alguns anos em Espanha e comecei a ter umas dores lombares que me deixavam de cama vários dias, e aconselhada pelo médico para que fizesse exercício físico pois isso ajudaria a melhorar essas terríveis dores, e uma vez que a minha filha Xana já pertencia a um clube de atletismo onde havia pessoas da minha idade e mais velhas, animada pelo meu marido lá comecei a fazer as minhas primeiras corridinhas. Era horrível, dores musculares, a chuva, o frio, mas lá fui começando a correr meio contrariada. Os dias foram passando e as dores de costas foram desaparecendo, comecei a tomar menos medicamentos e em pouco tempo já nem sequer os tomava. Isso fez com que fosse seguindo a treinar, um dia meio na brincadeira o meu marido inscreveu-me numa prova de quinze km em Vigo e nessa altura eu já pensava que corria muito. Lá fui eu, deram a partida e eu lá fui sempre acompanhada pela ambulância, claro era a última, mas eu nem me tinha apercebido disso, quando finalizei a prova, quase duas horas depois, fiquei muito desiludida, na meta já só o meu marido e os meus filhos estavam à minha espera, os restantes atletas já tinham recebido os prémios e já deviam estar em casa, tanto foi o tempo que demorei. Estava desanimada, ''isto de correr não era para mim''. Mas depois de terminar e falando com o meu marido e de lhe responder que tinha corrido sempre sem parar ele me disse que se seguisse a treinar ainda podia ser uma boa atleta, tinha eu nessa altura vinte e oito anos. Na verdade ele tinha razão, não desisti, e em pouco tempo vi melhorar os meus resultados, tanto ia melhorando que comecei a gostar daquilo que fazia e já não podia passar sem os meus treinos diários. Foi assim que começou a minha paixão pelo atletismo. NB- Fale-nos um pouco de seu grande percurso ligado ao mundo do atletismo? AL- Andei aproximadamente cinco anos a participar em todo tipo de provas populares, Vencia muitas delas, até que me dediquei exclusivamente a treinar e passei a fazer do atletismo a minha profissão, treinava mais de cinco horas diárias e os resultados começaram a aparecer, em 91 e 92 terminei quinta na maratona de Lisboa tendo conseguido a medalha de bronze em 91 e a de prata em 92 nessa mesma maratona, uma vez que nessa prova se realizava em conjunto o campeonato nacional. Mas a primeira grande vitória da minha carreira desportiva foi no dia 25 de Abril de 1993 em Madrid ao vencer a Maratona de Madrid, sou até hoje o único atleta português que venceu essa maratona. Nesse ano ainda venci a maratona de Galiza, de Toral de los Vados em Leão e La Rioga. Todas em Espanha. Foi nesse ano que fiz o meu recorde pessoal na Maratona de Roterdão na Holanda onde terminei em sexto lugar. Com estes resultados a federação portuguesa de atletismo não podia ficar indiferente e convocou-me para a taça do Mundo a disputar em S.Sebastião em Espanha. Era a minha primeira internacionalização e queria faze-lo bem, mas uma fractura de stress numa perna não me permitiu render como esperava, mas estava feliz tendo começado com a idade que comecei, que mais podia esperar deste desporto. Nessa altura e sabendo que a minha velocidade, que não foi trabalhada quando era jovem, não iria melhorar muito, e gostando eu de correr ao mais alto nível, junto com o meu marido e a equipa médica, decidimos que deveríamos tentar provas mais longas. E a partir desse momento, centrámos toda a preparação nas provas de cem km, e começamos logo a reunir toda a informação para preparar a primeira. Preferíamos que tivesse sido logo num campeonato do Mundo. Mas, uma falha da federação portuguesa não permitiu que assim fosse. Um dia contarei o que se passou. Como não podíamos participar no campeonato e já tínhamos a preparação toda feita havia que conseguir uma prova de nível internacional para que o resultado final tivesse a repercussão que se merecia. Foi no mês de Junho de 1994 em Touhrout na Bélgica “Night of Flanders 100 km”, foi incrível, ninguém me conhecia mas desde o princípio fui com a primeira, ela era uma reconhecida atleta, duas vezes campeã do Mundo, mas isso não me intimidou, lado a lado, ela aguentou só até aos 50 km, eu, a partir desse momento fui para a frente da prova e ninguém mais me apanhou ate a meta. Primeira prova dos 100 km e primeira vitoria, 7 horas 34 minutos e 27 segundos, melhor marca europeia do ano e sétima melhor do mundo. Ainda hoje é a melhor marca realizada por uma atleta em provas na Bélgica, e recorde de Portugal e ibérico. Mais tarde fiquei triste porque o campeonato do mundo tinha sido ganho por uma atleta que realizou uma marca pior que a minha, três minutos. Depois de, entretanto vencer mais duas provas de 100 km Madrid e Santander, fui convidada para participar numa prova por etapas, entre Viena de Áustria e Budapeste na Hungria, em cinco dias tinha que correr 345 km, entre nos quais um dia de 120 km, mas eu não estava ali para passear e desde o segundo dia passei para o comando e fui a primeira a chegar a Budapeste, Das cinco etapas só perdi uma e foi com uma grande campeã Eleonor Robinson da Inglaterra. Na África do Sul venci em Pretoria antiga capital da Maratona Mike Pauel em homenagem a este grande atleta sul-africano. E depois de inúmeras vitorias e para terminar com chave de ouro tinha pela frente a possibilidade de vencer a rainha de todas Ultra maratonas, a possibilidade de tocar o Olimpo dos Deuses, como dizem os Gregos. O “Spartathlom” a prova mais dura do mundo, a prova que só aqueles atletas especiais são capazes de terminar, e eu tive a sorte de vencer, e digo sorte porque mesmo estando ao meu mais alto nível de preparação como são tantas horas a correr, tens que conjugar muitos factores, treino, alimentação, hidratação, treino psicológico, mudanças bruscas de temperatura de zero a mais de quarenta graus, é a isso que me refiro que é preciso sorte nesse dia para poderes aguentar todos estes factores. Foram 246 km entre Atenas e Esparta por estrada e através da montanha, Saímos as sete da manhã de sexta-feira e cheguei a Esparta depois do meio dia de Sábado, sempre a correr sem parar, foi incrível milhares de pessoas a verem-nos passar, milhares de pessoas em Esparta a verem-nos chegar, e ao fundo da avenida aí estava a estátua do Rei Leónidas, onde tínhamos que tocar. Ao lado da estátua, o presidente da Câmara de Esparta com a coroa de oliveira que me colocou na cabeça e me deu a beber água sagrada, junto a ele estavam seis jovens vestidas de branco que simbolizavam as deusas do Olimpo. Gostava de poder contar muitas mais coisas mas fica para uma próxima oportunidade. NB- Com que idade começou a participar em provas oficiais? AL- As primeiras provas oficiais, comecei a faze-las quando já tinha mais de trinta anos, Apesar de ter começado a correr representando o Centro Português de Vigo e aí só participava em provas populares, os responsáveis do Celta de Vigo rapidamente se aperceberam dos meus progressos e neste clube fui campeã da Galiza de clubes, e vice campeã de Espanha também de clubes, assim dava os primeiros passos como atleta a sério. NB- Tem ideia de quantas provas participou ao longo da sua carreira? AL- Não, foram tantas que seria impossível quantificar.NB- E quantas vezes conquistou lugar no pódio?AL- Se me perguntares por campeonatos nacionais ou internacionais podia-me lembrar. Posso te dizer que dei centenas de taças e troféus para corridas de crianças e que ainda hoje guardo mais de mil NB- Qual foi a prova que mais a marcou positivamente e negativamente? AL- O “Spartathlom” na Grécia, nunca acreditei que fosse capaz de participar nela, Conseguir prepara-la, corre-la e vencer, que mais se pode pedir para terminar uma carreira de alta competição. Nenhuma prova me marcou negativamente. Todas as contrariedades por que passei, eu aproveitei-as sempre como ensinamentos para melhorar. NB- A Alzira Lário correu muitos anos em Espanha. Em termos desportivos, está desiludida com o seu país? AL- Não gostaria de aplicar essa palavra, Estou triste com algumas pessoas que dirigiam e dirigem os destinos do atletismo em Portugal, Portugal é muito mais que essas pessoas, tive o convite muitas vezes para correr por Espanha, de representar esse pais onde tenho muitos amigos e reconhecem muito mais o que eu fiz do que no meu, mas sempre fui e serei Portuguesa, Sou Alvarenense. Esta terra que amo e que me viu nascer. NB- Há alguns anos veio viver para Portugal e cá criou a sua equipa de atletismo. Teve apoio das instituições portuguesas? AL- Da Câmar de Viana tive tudo que ela me podia dar, e nisso estarei sempre grata ao seu presidente Defensor Moura e a Dra. Flora. Da Junta de Freguesia começou bem apoiando-me a escola, mas um presidente sem personalidade fez com que todo o trabalho que estávamos a realizar ficasse praticamente parado, mas prefiro não falar mais dele, já se foi nestas eleições e espero que os que ganharam queiram fazer alguma coisa. Eu sempre estou disposta a trabalhar pela minha terra. NB- Que tipos de apoios acha que são necessários? AL- São necessárias instalações, e boa vontade, o resto faz-se. Não quero neste momento avançar mais sobre este tema, estes que ganharam ainda não tiveram tempo de arrumar a casa, vamos esperar para ver. NB- Desde que surgiu, como é que tem decorrido a prestação da equipa de atletismo Alzira Lário? AL- Neste momento fizemos uma paragem para ver se avança alguma coisa no sentido de criar algumas condições mínimas. Foi lindo ver tantas crianças a correr pelas estradas de Alvarães. Os resultados foram óptimos, a nível individual conseguimos vários campeões regionais, e a nível nacional tivemos uma atleta que venceu o Olímpico Jovem Nacional, e fez a melhor marca do ano em 1000 metros e a segunda melhor marca de 800 m. Fomos uma vez já Campeões Regionais de Corta Mato derrotando a poderosa equipa da Manuela Machado e do Olímpico Vianense. Temos já muitos pódios nos campeonatos regionais, é pena o que se está a passar em Alvarães porque já podíamos ter muito mais. NB- E a Alzira ainda participa em provas de atletismo? AL- Como atleta não. Mas sou convidada para assistir a muitos eventos desportivos, em Espanha sigo sendo homenageada por muitas organizações e Câmaras Municipais, só para recordar a última foi em Baiona, onde tive que voltar a subir ao pódio, desta vez não para receber um prémio, mas sim para receber o aplauso de mais de mil atletas que ali estavam e ainda se lembravam de mim. Foi lindo. NB- Como é que vai mantendo a forma física? AL- Agora já não e fácil, sabes que tenho o meu SCALA e ele agora necessita de mim, estou a brincar, quando posso saio a correr um bocadinho, mas adoro estar com os meus clientes e de vez em quando contar-lhes algumas das histórias que vivi por esse mundo fora, e parece-me que eles também gostam. NB- Em Alvarães, sua terra natal, tem alguns projectos que gostaria e concretizar. Quer dar-nos a conhecer esses seus projectos para a freguesia? AL- Precisamos de um pavilhão, um espaço onde os miúdos e não só possam fazer desporto com um mínimo de qualidade, A Câmara Municipal tem que olhar para Alvarães e ver que não é só mandar-nos para aqui bairros sociais, nesses bairros vivem muitas crianças, e em Alvarães são muitos os jovens que têm que ir fora da terra se querem praticar desporto. E aqueles que os pais não tenham possibilidades, ficam por aí sem nada para fazer, e nos dias de hoje eles devem estar ocupados, devem estar com formadores, só assim cresce uma sociedade mais justa e mais responsável, eu que não tive aqui a oportunidade de fazer desporto, não gostaria que dentro de alguns anos alguém tenha que contar que tal como eu, teve que ir procurar fora as condições que aqui nós mais velhos e responsáveis não lhe podemos dar. NB- Para terminar, que mensagem gostaria de deixar aos leitores? AL- Uma saudação especial a todos os leitores do NOTÍCIAS DE BARROSELAS, e que não deixem de apoiar este grande jornal, sei que é com muito esforço que todos os meses este jornal chega a todos nós. Eu sou uma leitora assídua deste e de outros jornais regionais, eles trazem até nós as notícias do nosso povo, da nossa gente. E a todos que fazeis este jornal o meu muito obrigado por poder aqui contar um pouco da minha vida. OBRIGADO.

::: PERFIL :::Nome: Alzira LárioIdade:52Naturalidade: Portuguesa - Alvarãesn.º de filhos: dois (Xana e Berto) Clubes que Representou: Centro Português de Vigo, Real Club Celta de Vigo, Spor Club Vianense, Sport Club Valenciano, New Balance de Vigo, Atletismo Porrinho/New Balance e Alzira Lário Atlético Clube de AlvarãesInternacional: 18 vezes Prato preferido: Esparguete à bolonhesaUm país: GréciaUm lema da vida: Nunca é tarde para começar se acreditares que és capaz

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

24ª MARATONA DE LISBOA ALGUMAS CONSIDERAÇÕES




Tendo estado algumas horas a observar (e a incentivar) a passagem dos atletas da 24ª Maratona de Lisboa (e das outras provas que decorreram em simultâneo) quero deixar algumas opiniões.
São ideias muito pessoais e que gostaria de ver aqui debatidas.
Nesse sentido, além dos normais comentários, quem quiser elaborar algum texto maior e mais aprofundado pode enviar-mo por e-mail a fim de ser publicado.

Policiamento

Segundo li na Revista Atletismo (suplemento Mundo da Corrida) o policiamento da Maratona teve uma projecção de custos de 9780 euros!
O que quer dizer que a realização de uma prova em Lisboa começa a ser proibitiva, com preços escandalosos.
Penso que não é assim que se incentiva a prática desportiva e a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos.
Mas além de questionar o elevado preço com as despesas de policiamento atrevo-me a por em causa a relação qualidade-preço do serviço prestado pelo policia.
Não falo da competência dos agentes no terreno (que foi impecável no local onde pude observar a mesma) mas sim na fórmula como são em geral estabelecidas as regras a usar quanto ao corte do trânsito durante a (as) prova (as).
Estive a observar o desenrolar da prova no cruzamento da Avenida Gago Coutinho com a Avenida dos Estados Unidos da América.
Constatei que o trânsito no sentido do Areeiro não foi cortado e a polícia ia escoando o tráfego nos intervalos em que não passavam atletas.
Nunca houve problemas devido à perícia e competência da polícia que controlava aquela zona.
Mas era arrepiante ver o trânsito a ser escoado entre as pequenas brechas em que não passavam atletas, sendo feitas algumas vezes verdadeiras tangentes.
Por 9780€ o trânsito não poderia ter sido cortado na totalidade da prova?
Irão as organizações ter de continuar a desembolsar verbas escandalosas para o policiamento das provas e continuarmos a assistir a cenas como as que vi no passado domingo, com uma fila enorme de carros parados, buzinando freneticamente, enquanto os atletas passavam? Policias escoando o trânsito nos pequenos períodos em que não passavam atletas. Policias discutindo com condutores menos “bem-dispostos”. Será que quem está a entrar para o último quilómetro de uma maratona merece ser “saudado” por um coro, ensurdecedor de buzinas?
E que imagem levarão os corredores estrangeiros que nos visitam de tudo isto, habituados que estão às maratonas sem carros?
Isto foi o que assisti apenas num ponto do percurso mas pela experiência que tenho de participar em provas em Lisboa posso imaginar o resto.
Em Lisboa nunca se usa a prática de cortar efectivamente o trânsito mas sim conciliar este com as provas, fechando-o o mínimo tempo possível e até mantendo-o em sentido contrário à prova ou no sentido da mesma, quando há mais de uma faixa de rodagem.
O interessante é que se houver uma qualquer cimeira envolvendo importantes personalidades o trânsito é rigorosamente cortado em vastas áreas e durante horas!

Maratona - Meia Maratona - Maratona Por Estafetas – “Prova Familiar”

Actualmente em Portugal é assim:
Uma maratona não tem o direito de “viver” sozinha!
Tem sempre que ser acompanhada por alguns parentes!
Até compreendo que, com o preço proibitivo do policiamento (e outros custos), as organizações sejam levadas a fazer outras provas conjuntamente com a maratona pois aumentam o número de atletas, o que é bom para a imagem da prova e para os patrocinadores.
E usando parte do percurso da maratona (como foi feito em Lisboa) com os mesmos gastos no policiamento e muito mais gente a correr, até se pode dizer que o custo por atleta diminui.
Também sei que há atletas que dizem que os ajuda muito a “boleia” dos corredores da meia maratona.
Mas também há os que falam em sentido contrário.
Na minha opinião a Maratona deve ser feita sem mais prova nenhuma.
Não passa pela cabeça de ninguém organizar conjuntamente um jogo de futebol de onze e um de futsal!
Não acho que seja moral um sujeito acabar uma prova ao lado de outro que fez meia prova!
Tenho todo o respeito por quem corre a meia maratona (como até é o meu caso presentemente) mas no dia de fazer uma maratona toda a atenção deve ser dada a esses heróis que enfrentam os míticos 42,195 quilómetros sem confusões com outras provas a correr paralelamente.
Um maratonista deve correr entre os seus pares e não com atletas que vão fazer metade do esforço (ou muito menos dos caso das estafetas).
Outro problema com a realização da maratona em conjunto com outras provas passa pela falta de espectadores e a educação dos mesmos.
Como se vai motivar alguém para ver uma prova quando na verdade são duas ou três ao mesmo tempo?
Como valorizar o esforço dos maratonistas se vai tudo misturado e é complicado distinguir quem vai a correr o quê?
Eu próprio, senti-me um bocado estranho ao incentivar atletas que enfrentavam o último quilómetro sabendo que para uns isso significava 41 nas pernas e para outros 20!
Depois, sendo já muito complicado fazer os corredores portugueses correrem a maratona, se no mesmo dia podem participar na festa apenas com meia dose, ainda mais difícil é motivar atletas para a prova rainha do atletismo.
Para mim a maratona é para se fazer sem misturas! Sei que é uma afirmação polémica mas não serei o único a pensar assim.

Aqui fica minha modesta opinião sobre os dois pontos que me foram dados a observar como espectador anónimo da prova.
Não quero deixar dar os parabéns à XISTARCA por esta iniciativa e por todo o esforço posto na mesma.

Infelizmente não me foi dado observar a Maratona do Porto por questões logísticas mas espero colmatar essa falha para o ano com a minha presença ou socorrendo-me da colaboração de algum amigo presente.

Quero apenas finalizar afirmando que não sou a favor de uma prova contra a outra, pois não é esse o meu espírito, nem o deste blogue.

Se eu organizasse uma prova tentaria fazer o melhor possível mas se vir que um “vizinho” meu organizou uma melhor fico feliz por ele, por todos os que participaram na iniciativa, e tento no ano seguinte melhorar a minha prova, vendo o que falhou e o que “vizinho” fez melhor que eu.
Escrevo estas linhas finais apenas porque há pessoas que gostam de pôr as organizações das provas umas contra as outras e esquecem-se que todos devemos trabalhar em prol da defesa da modalidade e ajudar-nos mutuamente.
A minha luta na corrida é apenas comigo próprio, no sentido de terminar as provas e objectivos a que me propus.
Este esclarecimento tinha que ser dado porque não quero ver envolvido o meu (nosso) blogue em pretensas (e absurdas) guerras Norte-Sul e o não comentário à Maratona do Porto podia dar azo a alguns equívocos.
Mas conforme já disse para o ano tentarei colmatar essa falha.
As minhas desculpas aos homens da Maratona do Porto por eu não ter podido marcar presença mas os tempos andam difíceis...
JBT
Dezembro 2009
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Amigos,

Concordo com quase tudo o que foi afirmado pelos que aqui se pronunciaram sobre a Maratona de Lisboa. Até com o facto de a maratona dever ser corrida sem mistura com outras provas. Posso até contar o que se passou comigo quando fiz a minha primeira maratona, no autódromo do Estoril e terminava, salvo erro, com uma pequena subida. No troço final houve um amigo que tinha ido apoiar que me quis ajudar, correndo ao meu lado as últimas centenas de metros. No entanto recusei porque me pareceu na altura (e continuo a senti-lo) que estaria ao ser ajudado a diminuir o meu esforço para completar a maratona, porque na verdade, estava a competir acima de tudo comigo mesmo e a querer obter o melhor resultado possível nessa luta comigo próprio. Penso que isto define o sentir da grande maioria dos atletas de pelotão que terminam a prova rainha do atletismo, ao menos uma vez na vida.

Outro aspecto desta maratona é que, ao atravessar no dia 6 de Dezembro de 2009 o Estádio 1º de Maio (que conheço tão bem, de tantas manhãs e madrugadas ali passadas a treinar), cerca de uma hora antes da partida maratona, pareceu-me estar no estrangeiro!! É que a grande maioria era constituída por atletas de muitas outras nacionalidades. Pareceu-me viver por momentos o microcosmos de uma daquelas grandes maratonas, de Londres, de Nova Iorque ou de tantas outras... e fiquei contente por isso, ou não fossem estas provas também enormes palcos de um sentir colectivo, onde só o desportivismo impera, sem olhar a diferenças da cor da pele ou quaisquer outras. Tive pena depois que a prova, devido à de falta de público a assistir, ao coro das businadelas dos condutores incivilizados e incompreensivos, se afastasse tanto do que são, noutros lugares, essas grandes manifestações desportivas.
EVB
15 de Dezembro de 2009

domingo, 6 de dezembro de 2009

24ª Maratona de Lisboa

24ª Maratona de Lisboa saída dos atletas do Estadio 1º de Maio (Partida).

VASCO AZEVEDO VENCE 24ª MARATONA DE LISBOA

Vasco Azevedo venceu hoje (06/12/09) a 24ª Maratona de Lisboa com o tempo de 2:20:42.
O Último Quilometro felicita todos os atletas que participaram na prova.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

“TCHUVA!” ou “COMO É BOM CORRER À CHUVA!...”

Como é bom correr à chuva!... diz-se num dos poemas do nosso amigo Marcelino, “Comandante Marcelino”, como amigavelmente chamávamos a este veterano, frequentador assíduo do Estádio 1º de Maio em Lisboa, nas décadas de 80 e 90 do século passado, e também poeta popular.

O Comandante Marcelino em Mafra, em dia da Corrida dos Sinos

No entanto, às vezes, a chuva tem os seus inconvenientes.

Aqui vão três histórias, de entre as muitas pelas quais todos nós, os praticantes da corrida a pé de longa distância, certamente uma ou outra vez passámos, e que, para cada um de nós, não deixam de ser únicas nas consequências ou nos resultados, e que agora, tudo passado, mas não esquecido, relembramos com um sorriso.

A primeira dessas histórias, já a ela nos referimos noutras ocasiões mas creio que nunca é demais referi-la, por ser um exemplo de um dos vários perigos que antecedem o “muro” da maratona, altura em que as reservas físicas nos irão começar a faltar, e nos podem levar a excessos fatais.

1-Sintra, Base Aérea da Granja do Marquês, IIIª Maratona Spiridon, Dezembro de 1985

O dia ameaçava chuva, mas após alguns aguaceiros dispersos, a partida da saudosa Maratona Spiridon, organizada pelo Prof. Mário Machado, foi dada sem grandes problemas, aos quase duzentos atletas, dispostos a percorrer mais uma vez a mítica distância dos 42195 metros, numa época em que ainda eram poucos os que a isso se atreviam neste país.

E a prova lá foi decorrendo, com um ou outro aguaceiro forte, mas de pouca duração. O pior estava todavia para vir, quando os primeiros haviam já cortado a meta, e ia o autor destas linhas a iniciar a última das voltas do percurso. Ao passar pela meta, e faltando cerca de 7 quilómetros, cai a mais forte das chuvadas acompanhada de granizo.

As pedras de gelo, de razoável dimensão, acertavam nos corpos e provocavam dores finas, especialmente ao embaterem nas cabeças desprotegidas, como era o caso do signatário. Açoitado por este súbito temporal, prestes a atingir o famoso muro da maratona, só teve um pensamento, que agora reconhece ter sido um tremendo erro. Acelerar, pensando assim fugir aos efeitos da intempérie, que felizmente seria de curta duração.

Para ele, no entanto, saldou-se num joelho incapaz de mais esforço sem grande dor, motivo pelo que acabou a prova longe do tempo ambicionado e “ao pé coxinho”, apesar dos incitamentos amigos de quem arrostou com o mau tempo para fornecer os indispensáveis abastecimentos (obrigado Nela Gouveia e Mário Dias).

Uma semana mais tarde iniciava o calvário da sua mais longa lesão como atleta, na inserção dos gémeos da perna afectada, por um período de cerca de seis meses, tanto quanto demorou a recuperar completamente.

2-Nazaré, XVIIª Meia-Maratona, Novembro de 1991

Uma chuva persistente acompanhou a prova desde a partida até à chegada do último atleta do enorme pelotão. Se durante a corrida a situação foi suportável, embora apetecesse por vezes intervalos de sol que não vieram, o longo funil que se formou à chegada, mais demorado decerto devido à chuva que todos encharcava, atletas e controladores de meta, em pouco tempo enregelava o mais resistente dos participantes, que em poucos minutos passava do natural calor, devido ao esforço despendido, para o frio mais desconfortável.

Este “atleta” que vos escreve depressa ficou possuído do maior estado de frigidez que alguma vez suportara. E as consequências não se fizeram esperar. Um tremelicar descontrolado, resultante do súbito abaixamento de temperatura do corpo, próximo do estado que dá pelo nome técnico de hipotermia, apossou-se dele.

Alguém (obrigado Sandra Sousa e João Gonçalves) fez-lhe chegar roupa menos húmida para se cobrir, mas foi um calvário naquele quilómetro andado até à viatura que o havia trazido. Só então, quase num estado de algidez semelhante à que vemos em certos atletas de triatlo após a prova de natação, e que leva, na melhor das hipóteses à sua desistência, o signatário conseguiu recuperar, depois de limpo e vestido com quanta roupa conseguiu arranjar.

3-Piódão, Iº Cross da Serra do Açor, Maio de 1996

Era a primeira da edição do famoso Cross do Açor, organizada pelo incansável divulgador da montanha, o Prof. António Matias, coadjuvado pela esposa Lucinda. Corrida que em poucos anos se transformou numa prova de culto para os amantes desta modalidade, dadas a sua extrema dificuldade e beleza do circuito.

Na véspera nada fazia prever que uma súbita mudança de tempo, pelos vistos frequentes por aquelas paragens, iria duplicar as tremendas dificuldades de um verdadeiro percurso de montanha – belo, agreste e duro – e com 20 quilómetros!...

A partida foi dada debaixo de chuva torrencial e fria. Recordo a nossa admiração pelo traje de alguns amigos espanhóis, de calças de licra, impermeáveis, gorros e luvas, como se estivéssemos em pleno inverno. Afinal a experiência do duro circuito espanhol de montanha viria a dar-lhes razão.

À medida que subíamos a serra o frio aumentava e a névoa adensava-se. Começávamos a ficar enregelados, apesar do tremendo esforço a subir. A oferta providencial do impermeável por um atleta amigo (obrigado Jorge Branco), viria a salvar-me e a prejudicá-lo, o que nenhum de nós podia prever então. À medida que nos aproximávamos do ponto mais alto da serra, e da prova (1250 metros de altitude) o tempo foi piorando.

Ao fim de algum tempo ficaria sozinho a caminho do cume. O frio era intenso. Mal se via à distância de poucos metros. A fazer lembrar ambientes recriados pelo famoso realizador de cinema Michelangelo Antonioni, quando queria descrever a angústia existencial das suas personagens.

E foi então que ocorreu a mais insólita situação de muitos anos de corrida, e felizmente nunca mais repetida. Apossou-se do signatário destas linhas uma sensação de pânico, irracional, aparentemente sem motivo, talvez claustrofóbico, que durou segundos, talvez minutos, até que descortinou na bruma o marco geodésico que era preciso atingir no alto da montanha.

A partir daí foi a descida, a princípio tranquila, e depois abrupta e terrível, de piso íngreme, molhado e escorregadio, pelos caminhos de xisto da serra, até ao vale onde se situa a aldeia do Piódão. A chuva e o frio deixaram as suas marcas e a descoordenação motora em alguns atletas foi até aos limites do admissível.

Mas continuo a dizer, como o poeta popular, e nosso companheiro de estrada: “Como é bom correr à chuva!”...

Foto do Sálvio Nora, que connosco participou nesta Aventura

Aproveito a oportunidade para lembrar um desses admiráveis companheiros de Estrada, sempre solidário, o inesquecível amigo Sálvio Nora, que a morte prematura, vítima daquela doença que tão difícil é de vencer, afastou do nosso convívio. Salvé Amigo!

EVB

DEZEMBRO 2009

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

OS TEMPOS DE PASSAGEM NA MARATONA.

Um dos principais segredos para correr nas melhores condições uma maratona passa por uma criteriosa definição do tempo final que se pretende obter e por um rigoroso respeito pelo andamento durante a prova.
A definição do tempo final pode ser obtida recorrendo a vários fórmulas ou tabelas que permitem fazer a equivalência entre o tempo que se obtém numa distância inferior e a sua correspondência na maratona.
É claro que estas tabelas e fórmulas nunca podem ser consideradas 100% exactas porque temos que ter em conta a forma de cada um e as especificações próprias de cada atleta. Mas elas dão uma aproximação bastante rigorosa do que poderemos fazer na maratona.
Na minha opinião quem se estreia na Maratona deve ser muito mais cauteloso com o cálculo do tempo que pretende fazer e dar uma “folga” mais alargada a esse mesmo tempo final.
A primeira maratona é sobretudo para testar e ganhar experiência e confiança para futuras participações e nunca para dar o “litro” e andar nos limites (é claro que em termos de primeira participação a nível de atletas de alta competição tudo será diferente pois a experiência e os meios de treino envolvidos são outros).
Mas de nada serve ter feito uma criteriosa definição do tempo final que se pretende obter na prova se depois no decorrer na mesma não se respeitar o andamento que nos leva a obter esse mesmo tempo.
Um dos erros mais comuns nas provas é partir rápido demais e depois pagar esses exageros na parte final. Isso é mau numa meia maratona e numa maratona pode mesmo ser trágico para o nosso desempenho na mesma.
Por isso o ideal é levar uma cábula com os tempos de passagem, sendo até desejável definir dois tempos por cada cinco quilómetros (um mínimo e um máximo) dentro dos quais devemos passar.
Agora há o GPS e toda uma tecnologia de ponta.
Quando corri as minhas quatro maratonas, todas na década de 80, não havia nada disso e a solução passava por colar a cábula dos tempos de passagem na braçadeira do relógio (usando para o efeito plástico autocolante).
Ainda hoje penso ser um método bastante válido, simples e intuitivo.
Numa maratona toda a nossa atenção e concentração devem estar viradas para a corrida e para o escutar a “máquina” por isso penso que o uso de GPS e outros equipamentos só vai prejudicar a nossa concentração.
Na maratona tudo deve ser simples e nada mais simples que uma tabela colada no relógio e o simples olhar a mesma e comparar com o tempo do nosso cronómetro a cada 5 quilómetros.
Houve até campeões olímpicos que apenas escreviam os tempos de passagem na palma da mão (nunca fiz isso com medo do suor e da chuva)!
Mais uma nota: nenhuma rectificação ao andamento deve ser feita com brusquidão.
E há sempre aquele dia em que por melhor que estejamos preparados “a coisa” não sai e não vale a pena tentar cumprir o tempo previsto porque não o vamos conseguir e ainda podemos piorar mais a situação.
Aconteceu-me isso na minha tentativa de baixar das 3 horas na maratona: tinha treino e capacidade atlética para isso mas naquele dia não deu e o meu melhor tempo na maratona ficou, para sempre, nas 3:10:27! (faria 3:15:43 nesse dia aziago numa maratona Spiridon na Granja do Marquês em Sintra).
Aproveito ainda para referir que tudo o que escrevi atrás se deve aplicar a todos os atletas que pretendam fazer uma maratona nas devidas condições independentemente da sua prestação atlética; não é por se ir fazer 4 horas na maratona que se deve deixar de fazer uma planificação criteriosa da prova, até porque, em minha opinião, uma maratona feita com esforço, dedicação, treinos e empenho é sempre muito válida independentemente das possibilidades atléticas de cada um.
Numa das fotos que acompanha este texto podem ver as tabelas de tempos de passagem que usei no decorrer das minhas 4 (modestas) maratonas.
Não quero finalizar este texto sem deixar um abraço a todos os que vão participar na Maratona de Lisboa.
Dando o tempo de passagem aos 10 quilómetros
à “grande” ultra maratonista Analice Silva,
na Maratona Spiridon em Almeirim.
Uma foto do século passado!


terça-feira, 17 de novembro de 2009

A MONTANHA MÁGICA.

Toda magia da Corrida em Montanha neste vídeo.
Palavras para quê?

(Esta mensagem é também uma homenagem, comovida,
a um amigo; maior que o pensamento.
Para a cidade da Guarda vai o nosso abraço.)


domingo, 15 de novembro de 2009

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

CARRINHOS DE BÉBÉ, NAS PROVAS E NOUTROS EVENTOS

Em primeiro lugar, a afirmação de que não se trata de uma polémica, porque até estou de acordo com os comentários dos amigos que tenho lido. Apenas aproveitar a oportunidade para chamar a atenção para outro aspecto da questão, em minha opinião também importante.
Algumas observações (e protestos) de companheiros de estrada, contra a presença em competições desportivas, de carrinhos de bébé, tal como de cães à trela e da perigosa utilização de patins, etc, com as/os quais digo desde já que concordo sem restrições, levam-me no entanto a desejar acrescentar um “mas…” relativamente à presença de crianças.
É que há provas e provas, e confesso que sinto uma grande admiração pelos pais, atletas ou não, que gostam de fazer os filhos participar desde a mais tenra idade, quer nos eventos desportivos, quer nas grandes manifs de luta por um mundo melhor (ver fotografias que junto, todas que fiz no decorrer deste ano de 2009, em vários locais e eventos, mas todos tendo uma coisa comum: trata-se de eventos colectivos em que está subjacente o desejo de luta por melhores condições de vida, nem que seja pela prática desportiva).
Essas crianças, que assim participam, no carrinho ou aos ombros de um pai ou de uma mãe, têm a sorte de terem progenitores que as fazem desde muito cedo começar a entender que o sentir colectivo, ao combater o feroz individualismo da sociedade actual (pelo menos nesta parte do mundo), é algo fundamental para a nossa realização integral como seres humanos livres e conscientes.
Por isso, quando na cauda dos grandes pelotões das corridas lúdicas ou nas minis das pontes, ou nas manifs e em outros acontecimentos similares, vejo crianças transportadas pelos pais (ou familiares) sinto uma certa felicidade, por pensar que é mais um sintoma de que o espírito colectivo e social, apesar do que alguns pretendem e desejariam, não vai desaparecer nas gerações que se vão seguir.
Para finalizar, só uma pequena nota sobre a famosa Corrida do Tejo, mesmo que agora já pouco tenha a ver, em minha opinião, com o que foi durante mais de duas décadas. É que as partidas escalonadas por vários (e não só dois) tempos, tendo em conta a tecnologia actual de controlo dos atletas, poderiam resolver facilmente o problema daqueles que apenas querem participar de uma forma lúdica e não precisariam de eventualmente prejudicar os que querem fazer a sua corrida, pensando sempre no tempo a conseguir (e eu já estive, obviamente, nessa categoria).
Já será mais difícil de resolver o problema na Ponte 25 de Abril, com a partida na zona da portagem, embora as partidas diferenciadas da meia e mini, talvez pudessem resolver parcialmente o problema, já que a Alta Competição já tem o seu caso resolvido, com partida fora da Ponte. Será possível?


EVB
Novembro de 2009

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

CÃES E CARRINHOS DE BÉBÉ...



Uma das mais bem organizadas provas de estrada “Abertas-a-Todos” que se disputam no actual Calendário Nacional é, sem dúvida a “Corrida do Tejo” e apontei ir fazer aqueles 10 km de belas paisagens junto ao rio.

O tempo que tinha previsto rondava os 44 minutos e naquela manhã da competição encontrei apenas duas entradas para os atletas. Uma com o distico SUB 40 MINUTOS e outra lá no fundo para todos os outros. Muito bem como o ritmo deveria ser de 44 minutos lá fui para a porta onde todos entravam.

Fui para a zona de partida faltavam 30 minutos e tudo estava perfeito, até havia espaço para aquecer um pouco. Passados 15 minutos cheguei um pouco mais à frente e como é lógico houve um momento em que já não era possível avançar mais...

OK, perfeito estou no meio do pelotão, agora é aguardar o tiro de largada. Bom ambiente, sem empurrões, dir-se-ia que estava numa prova no estrangeiro.

Volvidos alguns minutos começou a prova e como havia “Chips” pouco me importei pois pensei o tempo começava a contar quando passasse por cima dos tapetes electrónicos. Não passou mais de um minuto e aí estava eu a passar pela linha de partida. OK vamos ao bom ritmo...

Qual ritmo?

Sim, qual ritmo?

Era quase impossível correr perante o magote de não corredores que estava na frente... Ziguezagueando lá fui tentado passar por entre “pares de namorados” muito agarradinhos, mais uns tantos de mão dada entoando alegres canções, mais um caminhante que tranquilamente levava o seu cão pela trela como se estivesse em plena avenida e não numa corrida, mais aquele paizinho que em pequenas passadas empurrava o carrinho de bébé com a criança a chorar (Não chores Danielzinho pois estamos quase a chegar – clamava o pai todo risonho...) mais um grupo de quatro jovens de ombros juntos, “colados” a gritar (ninguém passa por nós...), mais outros que alegremente me retorquia “mas qual é a pressa deste gajo” isto é uma Festa... “Não vás depressa pois não ganhas nada!”.

Correr, mesmo para quem corre um pouco lentamente como eu só o consgui fazer, com toda a liberdade, quando atingi a subida do Gibalta, por volta dos 2 km... antes, bom antes foi ziguezagueando, acelerando e travando, pulando pelos passeios, fugindo daquele grupo para encalhar noutro...

Que pena a “Corrida do Tejo” não prever mais PORTAS DE ENTRADA para que os atletas se colocassem nos locais onde a maioria vai correr ao mesmo ritmo de passada. Era fácil, bastava tomar como regra os tempos finais do ano anterior... SUB 40’... SUB 42... SUB 44’... etc

Assim havia espaço e Festa para todos os níveis!

Enfim, voltarei ao TEJO para voltar a correr a CORRIDA mas é uma pena que muita gente que está nas nossas corridas não respeite quem quer mesmo e SÓ correr!
Mário Cabica
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*Foto ilustrativa deste texto:
Chegada da 1ª edição da
Corrida do Tejo*


domingo, 8 de novembro de 2009

Linha sem comboio!

O texto do Jorge, treino ao longo da linha, mostra bem os obstáculos a ultrapassar por quem queria correr e trouxe-me á memória uma caminhada e corrida, não competitiva que organizámos, eu e o então meu colega Pedro Albuquerque, no desactivado ramal de Reguengos de Monsaraz, que ligava Évora àquela vila, agora cidade.
Tal como já tinha feito no concelho de Reguengos, com a colaboração do meu conterrâneo Francisco Guerra, já desaparecido, planeamos um convívio familiar que contemplava a parte desportiva (caminhada e corrida) e a turística e cultural (visita a monumentos e lugares com interesse) e, naturalmente, a convivência, desta vez na zona de Évora.Para a etapa de sábado, tratava-se de um fim-de-semana alargado, planeámos um percurso ao longo da linha de caminho de ferro, tendo início em Machede e fim junto à Barragem do Monte Novo. Como não era possível fazer a verificação das condições e distância do percurso utilizando qualquer veículo, fizemos os nossos cálculos com base no mapa do referido ramal. O projecto, não muito ambicioso, tinha os seguintes pressupostos: os caminheiros terminavam junto à barragem e alguns seriam levados para o local de partida por um dos nossos amigos (o Zé Teixeira) que, para além de não alinhar em caminhadas, tinha um carro mais espaçoso; os corredores continuavam até ao local de partida, agora por estrada em macadame, para trazerem alguns carros e levarem os restantes caminheiros; a reunião de todos teria lugar no local de partida, seguindo todo o grupo para o local do almoço (Redondo). Às 10 horas daquela manhã de fim de Abril de 2001, o Verão parecia querer vincar a sua presença, de tal forma que até os caminheiros alinharam com vestuário leve, não indo além da camisola de meia manga até porque a distância a percorrer não seria exagerada, cerca de 4 quilómetros (?).Como é normal, o grupo de corredores afastou-se de imediato. Durante algumas centenas de metros tudo parecia estar de acordo com o que tínhamos pensado, ou seja, havia um espaço lateral onde podíamos correr, no entanto, um pouco mais à frente, concluíamos que estávamos enganados, depois de tanto tempo de “linha sem comboio” os arbustos, quase árvores, ali mesmo junto aos carris e as vedações em rede que não nos permitiam escolher um melhor caminho, mesmo que mais afastado, obrigavam-nos a optar pelas pedras e travessas de madeira que ainda seguravam os carris. Como se as inesperadas dificuldades não fossem suficientes, o dia de Verão transformou-se, rapidamente, num dos piores dias de Inverno, uma chuva cerrada acompanhada de forte vento e de uma temperatura baixíssima, para a altura, cerca de 4 graus, fazia-me sentir o responsável por aquelas pessoas, alguns casais já para além dos 70, que tinham acreditado que teriam um passeio fácil e descontraído.As primeiras dificuldades fizeram-me avançar mais rapidamente para, com antecedência, poder indicar o melhor caminho àqueles que me seguiam, mas o temporal não me deixava cumprir o objectivo, tendo necessidade de procurar a protecção das árvores com troncos de maior diâmetro. Perante aquele estado começava a ficar aflito, pois, para ajudar, não vislumbrava qualquer indicação do final do “percurso surpresa”. Voltei para trás, logo que me foi possível, para apoiar psicologicamente os “encharcados” que me seguiam. Tal como suspeitava, as críticas caíram em pingas ainda mais grossas do que as da chuvada que, finalmente, parecia amainar. Era evidente que não era culpado daquela viragem de tempo, no entanto, também estava em causa a característica do percurso (não eram habituais participantes em provas de montanha) e, principalmente, a sua distância.Quando cheguei ao local que tínhamos estabelecido como meta, do carro que nos devia esperar, nem sinal! Como tínhamos demorado mais do que o previsto, o nosso amigo tinha ido para outro ponto, julgando que estava enganado no local. Passados mais alguns minutos, e ainda antes de começarem a chegar os restantes companheiros, lá apareceu o tão desejado carro. Perante tais peripécias tivemos de alterar o programa. Em vez de fazermos o restante percurso em passo de corrida, eu e mais três voluntários, usámos aquele transporte para, mais rapidamente, trazermos mais alguns carros para transportar todos os participantes. Como no porta-bagagem do meu carro há sempre material desportivo excedentário, distribuí algumas camisolas aos que resmungavam mais, e, agora, com o aparecimento do sol e a consequente subida de temperatura, as caras feias e agressivas davam lugar aos habituais sorrisos e à boa disposição. Aparentemente tudo tinha acabado bem, sem quedas e sem constipações. No entanto, dado o estado pouco apresentável em que chegaram à meta, a maioria dos participantes optou por passar pelo hotel antes de se dirigir ao restaurante, dando lugar a mais um intrincado problema, a hora marcada para o almoço, 13 horas, tempo mais que suficiente para que todos, em condições normais, ali pudessem chegar. Bem tentámos, pelo único número de telemóvel que tínhamos, alterar a hora dos achigãs se deitarem na grelha, mas sem qualquer resultado! Assim, os nossos amigos, quando se sentaram à mesa, quase 2 horas mais tarde, depararam com a necessidade de passar aqueles peixes deliciosos (estado já passado) novamente pelas brasas, o que, convenhamos, não é coisa que resulte.Foi uma manhã cheia… de críticas!

sábado, 7 de novembro de 2009

O NATAL E AS PRENDAS.




O Natal aproxima-se rapidamente.
Não querendo falar da data em si e de alguns equívocos e hipocrisias que a mesma encerra, não quero deixar de escrever algumas linhas sobre um assunto incontornável na época que se avizinha: as prendas.
Pessoalmente considero que as prendas devem (ou deviam) contemplar essencialmente as crianças.
Nesse sentido deixo aqui um blogue, na área das artes decorativas, em que poderão encontrar trabalhos verdadeiramente diferentes com a vantagem de tudo ser feito à mão por uma artesã, sabendo nós à partida que não estamos a comprar produtos feitos em série nalguma fabrica longínqua que se dicada a exploração da mão-de-obra infantil ou a outro tipo de exploração.
No referido blogue também se podem encontrar outro tipo de produtos, em especial mais vocacionados a um público feminino mas não só, mas sempre com muita qualidade e um “toque mágico”.
Mas se a situação passa por presentear corredores a minha sugestão é que se dê um presente útil que tanto pode ser um par de sapatos (para aqueles a quem a crise ainda não bateu à porta), ou até um par de meias ou mesmo uma pequena bolsa para levar as chaves durante o treino, Há todo um leque de possibilidades, das mais caras às mais económicas, mas que deixarão sempre o presenteado feliz ao receber algo verdadeiramente útil para praticar o seu desporto favorito.
É claro que a oferta de uns sapatos ou de outro equipamento mais específico e individualizado implica ir com a pessoa que se quer presentear a uma loja o que pode provocar algum constrangimento. Uma maneira de contornar esse problema passa pela oferta de um cheque brinde que determinadas cadeias de material desportivo vendem.
E finalizo como uma sugestão original: se o seu amigo é corredor e não é assinante da Revista Spiridon, ofereça-lhe uma assinatura da referida revista, porque se trata da mais antiga e mais especializada publicação inteiramente dedicada à corrida a pé existente em Portugal, e escrita por gente que corre. Vai ver que seu amigo lhe ficará muito grato; com os conselhos da revista Spiridon ele vai tornar-se num corredor muito melhor e mais feliz!
*Foto ilustrativa deste Blogue:
Pai Natal feito em biscuit por
Ana Rita / Pintado de Fresco.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

MANTEIGAS PENHAS - DOURADAS VERSUS TRILHOS DO ALMOUROL


Acompanho, com particular interesse, desde o lançamento do projecto, Os Trilhos do Almourol.
Na altura que este projecto começou a ser falado/divulgado no Fórum do Mundo da Corrida por um dos seus organizadores tomei a liberdade de contactar o mesmo, por e-mail, dando algumas sugestões para o êxito do evento.
Não pretendendo ser, que não o sou, nenhum especialista na organização de provas de montanha nem de qualquer tipo limitei-me a dar alguns conselhos que derivam dos meus quase 30 anos de ligação à corrida, quer como praticante quer como, modesto, colaborador na organização do mais variado tipo de provas ao longo de todos estes anos.
Nesse e-mail alertei para o facto que deviam ter muito cuidado na escolha da data do evento de modo a não colidir com outras provas de montanha ou estrada o que iria obrigar os atletas a terem que fazer opções quando poderiam participar nos vários eventos.
Nesse sentido até aconselhei que contactassem a Confraria Trotamontes e o Terras de Aventura (as duas principais entidades na organização de provas de Montanha em Portugal) no sentido de, em conjunto, estudarem o calendário das provas.
Eu sempre vi os vários organizadores de provas como entidades que se complementam e entendo que deve haver um diálogo frutuoso entre elas, a bem da modalidade e de todos nós, corredores.
Não sou nada apologista que se viva de costas viradas uns para os outros, cada um tentando gerir o calendário à sua maneira.
Para meu grande espanto acabo por verificar que os Trilhos do Almourol foram marcados em cima da data da XXVIII edição dos 12 Kms do Manteigas-Penhas Douradas.
E o meu espanto aumentou ainda mais quando soube que um dos organizadores dos Trilhos do Almourol refere esse facto, mas afirma que não tem outra alternativa tendo em conta o calendário de provas de estrada e corrida em montanha.
Não consigo entender tal afirmação.
Pediu-me um dos organizadores dos Trilhos do Almourol que divulgasse a prova no aqui no Blogue.
Sugeri-lhe que escrevesse ele próprio um a artigo sobre o evento que seria aqui publicado na íntegra.
Como até ao momento não me chegou tal artigo vi-me obrigado a ser eu a falar sobre a prova.
Mas não podia divulgar os Trilhos do Almourol sem falar na data coincidente com a prova de Manteigas que é a mãe das corridas de montanha em Portugal.
O respeito que tenho ao Manteigas – Penhas Douradas e aos homens que estiveram por detrás do lançamento daquela prova mítica e embrionária das provas de montanha em Portugal obriga-me a escrever desta maneira este artigo e com muita pena minha.
Os Trilhos do Almourol têm tudo para ser uma grande prova e desde a primeira hora que me apaixonei pelo evento.
Queria poder estar aqui a divulgar os Trilhos do Almourol sem atropelos de calendário e sabendo que assim quem perde são as organizações de ambas as provas e os corredores, que terão que optar por uma das provas quando poderiam correr nas duas.
Espero, muito francamente, que os Trilhos do Almourol sejam um sucesso e na edição do ano que vem saibam conjugar as datas do calendário de uma forma mais positiva, e que a referida prova se torne um marco no
calendário nacional, tal como o é o Manteigas - Penhas Douradas.
Pese embora o atropelo do calendário, optei por divulgar o Cartaz dos Trilhos do Almourol aqui neste texto, mas isso não quer dizer que eu esteja a optar por uma prova em função da outra, apenas o faço porque se trata de uma iniciativa nova no panorama da corridas de montanha em Portugal (muito interessante e válida) e quero crer que a escolha infeliz da data é fruto da inexperiência dos organizadores.
A opção por uma ou outra prova, deixo-a ao critério dos corredores, sabendo à partida, que é uma escolha difícil e que não havia nenhuma necessidade de obrigar os atletas a terem que fazer esse tipo de opções.
Se os organizadores dos Trilhos do Almourol quiserem vir aqui contra argumentar relativamente a este texto têm as portas abertas e tanto o podem fazer na forma de comentário como enviando um texto para mailto:teixeirajb@gmail.com que será publicado com imenso gosto.


quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Uma automotora como “balneário”.


Durante alguns anos, trabalhando em Lisboa e vivendo (ainda vivo) numa simpática vila ribatejana, utilizava o comboio como meio de transporte nas idas e vindas diárias para o trabalho.
A estação fica a cerca de 30 minutos a pé de minha casa.
Saindo de casa bem cedo, de modo a apanhar o comboio ainda antes da 7 da manhã e regressando às 19 horas, tive que inventar a melhor maneira de encaixar o treino neste horário.
Então resolvi aproveitar o percurso da estação para casa para começar logo o treino, não perdendo tempo com a deslocação entre a estação e a minha casa no regresso do trabalho, visto encaixar isso no tempo de treino.
É claro que isto tinha implicações logísticas, em particular ao nível do equipamento.
Consegui contornar essa situação com um fato de treino, muito leve, mas quente, que levava vestido de manhã e trazia numa pequena mochila às costas no treino, no regresso a casa.
Com temperaturas que no Inverno podem chegar de madrugada aos zero graus, era obrigado a levar sempre um blusão por cima do fato de treino.
No trabalho tinha a roupa normal do dia-a-dia e os blusões iam lá ficando, sendo trazidos por um familiar meu, que fazia todos os dias a viagem de carro.
No verão tudo se tornava mais simples do ponto de vista logístico, face à inexistência de frio.
A viagem de comboio fazia-se numa simpática automotora a diesel, que ligava Vendas Novas ao Setil (onde tinha de mudar de comboio).
Viagem de curta duração (cerca de 10 minutos), sempre com os passageiros habituais, com excepção dos “tropas” às sextas e segundas-feiras e algum “turista”.
O ambiente era quase familiar na automotora e aquele sujeito que despia o fato de treino, o dobrava cuidadosamente, metendo-o na mochila e saía a correr do comboio com uma “lanterna” na cabeça (em grande parte do ano os treinos eram de noite) era algo perfeitamente “normal”.
Quantas vezes não deixei os meu colegas de automotora todos arrepiados ao verem-me partir para o treino de t-shirt e calções, nos gélidos começo de noite de Janeiro? E quando chovia a bom chover?
Guardo gratas recordações de noites de Janeiro límpidas, geladas e cristalinas, em que eu corria sozinho nos carreiros dos pinhais, chegando a desligar o frontal quando havia lua cheia.
Guardo algumas histórias curiosas desses tempos, em que tinha como balneário uma automotora.

Uma vez, tendo-se avariado a sinalização, a automotora não arrancou do Setil, ficando à espera que a situação fosse normalizada.
Eu temendo pela demora na resolução do problema decidi arriscar-me a ir a correr junto à linha para casa.
Já o tinha feito algumas vezes, até porque só havia um comboio por dia e aquele era o percurso mais curto para chegar a casa mais cedo.
Mais curto mas não o mais simples, porque implicava correr nalguns sítios em cima da gravilha da linha, noutros andar à cabeçada aos canaviais, etc.
Eram só cerca de 6 quilómetros, mas num percurso “impróprio” para correr (ainda não se falava nas provas de Trail!).
Disse aos meus colegas de viagem, e de infortúnio, que ia arriscar indo a correr para casa.
O maquinista, ouvindo a conversa, perguntou-me se por acaso passassem por mim, queria que parasse para me darem “boleia”!
É claro que não recusei tão simpática e bizarra oferta!
Mas mesmo de frontal na noite escura, a furar canaviais e a pisar gravilha, consegui não ser alcançado pela automotora.
Quando cheguei a casa telefonei a um amigo e pude confirmar que ela ainda se encontrava parada no Setil.
Quantos atletas se podem gabar de ter ganho uma corrida a um comboio?!

Outra historia que recordo é a de um senhor, já de idade avançada, que olhava para o meu ritual diário, de me equipar em plena automotora, de olhos esbugalhados. Então perguntou a outro passageiro seu conhecido: “E Aquele?!” olhando na minha direcção ao que o outro respondeu, com a maior das naturalidades “Aquele é atleta!”
Pois, durante uns anos eu fui o atleta da automotora da Linha de Vendas Novas ou seja a coqueluche da mesma!
Depois a circulação de passageiros foi interrompida, os meios de transporte mudaram, a vida mudou.
Mas em Setembro, deste ano, a circulação de passageiros foi retomada (agora só entre Coruche e o Setil) e eu tive o prazer de ir a Lisboa e voltar a sair do comboio directamente para o treino no regresso a casa.
Já não era a simpática, pachorrenta e caprichosa (só andava quando queria!) automotora, mas confesso que senti alguma emoção naquele treino com tanto simbolismo e tantas recordações.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

23ª Edição dos 20 Kms de Almeirim

Vídeo retirado de o Mirante Online a quem felicito pelo excelente trabalho.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

O MELHOR DOS PRÉMIOS.


Depois de ter colocado esta foto um leitor, atento, deste blogue alertou-me para o que estava por detrás desta imagem num comentário sobre a mesma aqui inserido.
Em resposta a esse comentário disse-lhe que gostaria de ter mais dados sobre o assunto.
A resposta que esse amigo me deu é publicada a seguir na íntegra sem qualquer alteração.
O amigo que teve a gentileza de enviar estes dados afirma não ter muita queda para a escrita mas eu não vejo isso no texto que teve a amabilidade de me enviar. Penso que se trata de um texto muito valido e que explica muito bem a verdadeira história do casal.
Eu “tropecei” nesta foto na net e achei-a tão bonita e tão forte que a resolvi publicar não tendo qualquer preocupação em estudar a sua origem e historia.
Mas se esta é uma foto de mentira certamente, e felizmente, muitos casais de verdade correm juntos e vivem verdadeiros momentos de felicidade.
Aproveito para deixar um desafio aos casais Portugueses de corredores: Venham aqui contar como é a vossa experiencia de partilharem juntos o amor pela corrida.
Boa tarde
bom eu para a escrita não tenho muita queda mas aqui fica a informação sobre o casal como me pediu - tudo o que eu sei é o que vem na imprensa inglesa e nada mais
então o nome dela é katie price - nome "artistico" jordano nome dele é peter andre
conheceram-se durante um reality show de uma tv inglesa casaram e tiveram 2 filhos - ela ja tinha um filho de uma relação anterior com um ex futebolista do manchester united chamado dwight york
este ano resolveram correr a maratona de londres - onde a foto foi tirada - e acabaram com um tempo que eu não sei ao certo mas sei que foi superior as 7 horas
pouco tempo depois da maratona ele saiu de casa e pediu o divorcio desde esse dia não têm feito mais nada que não seja lavar roupa suja na imprensa inglesa - que gosta é de escandaleira
este casal na minha opinião representa bem o mal das sociedades modernas - pessoas sem o minimo de talento para o que seja que ficam famosos só à conta de escandaleiras na comunicação socialele pertenceu a uma boys band fracassada e ela ficou famosa por mostrar as mamas de plastico sempre que tinha uma camera à frente
se quiser saber a escandaleira do dia sobre esse casal é só seguir links
http://www.thesun.co.uk/sol/homepage/showbiz/tv/2696733/Jordans-u-turn-on-Peter-Andre-truce-vow.html

http://www.dailymail.co.uk/tvshowbiz/article-1222356/Peter-Andres-relief-divorce-Katie-Price-finalised.html

e pronto aqui fica o resumo da historia por tras da foto
um abraço e boas corridas

terça-feira, 20 de outubro de 2009

SABEDORIA POPULAR.


Na década de 80 realizava-se na simpática vila de A-Dos-Cunhados uma das meias maratonas com um dos percurso mais bonitos que em que tive o ensejo de participar.
A-Dos-Cunhados era à época (como estará hoje?) uma simpática e pequena aldeia perto de Torres Vedras, em plena região saloia.
Participei nas edições de 1982 e 1983.
Numa dessas participações, um comentário de uma simpática e doce velhinha que via passar a prova à beira da estrada, viria a marcar a minha modesta carreira desportiva para sempre.
Foi uma frase curta carregada de uma enorme sabedoria popular que destronava, com toda a facilidade, qualquer formulação científica.
Essa doce e inesquecível velhinha exclamaria à minha passagem: Este já vem com o pescocinho esticado!
Muitos anos passados, muitos quilómetros nas pernas, muita chuva, muito sol, muitas provas, mas a recordação dessa frase ficou para sempre na minha memória.
E cá vou andando e correndo, não com a cabeça entre as orelhas como na canção do Sérgio Godinho, mas sim com o PESCOCINHO ESTICADO (cada vez mais esticado).

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

AS CORRIDAS MAIS DIFÍCEIS – IIIª MARATONA SPIRIDON

Foi na Granja do Marquês, junto à Base Aérea nº1, em Sintra, que se realizou há quase 25 anos, em 8 de Dezembro de 1985, a terceira maratona organizada pela Revista Spiridon.

E com algumas particularidades, que os maratonistas de hoje já não estão habituados: um percurso em circuito com 6 voltas, de 7 km cada, praticamente plano, em que os únicos assistentes eram os apoiantes dos atletas, incluindo aqueles que foram encarregados de entregarem os abastecimentos individualizados, e que cumpriram até ao fim, e em péssimas condições de tempo, a sua tarefa.

Parece fácil, mas acreditem que não é! A não ser, para alguns, devido ao aspecto psicológico da contagem em decrescente das voltas que faltavam. Mas a solidão do corredor de fundo assume aqui um enorme papel, numa prova sem público ao longo do percurso, ao contrário do que acontece na maior parte das grandes maratonas internacionais.

No entanto a escolha do local teve a ver com a preocupação, aliás de sempre, do director da prova, Prof. Mário Machado, de conseguir que os atletas, do primeiro ao último, fizessem a corrida sem serem incomodados pelo trânsito automóvel, o que, passado um quarto de século, continua a não ser, infelizmente, garantido para os últimos do pelotão na maioria das maratonas deste país! Desculpem o desabafo, mas isto está tudo ligado, e tal facto tem muito a ver com a mentalidade dominante dos que em geral chegam ao poder (porque não colocamos lá outros), neste país.

Mas o que tornou esta prova particularmente difícil, para os mais lentos em especial, foi um tempo invernoso, com chuva e vento, embora com algumas abertas, ao longo das aproximadamente quatro horas, que os últimos atletas levaram. De vez em quando lá vinha uma descarga de água mais ou menos fria, que descontrolava os maratonistas.

Para mim, foi no entanto, o início da última volta que me foi fatal. Os primeiros já tinham obviamente terminado. Faltavam-me cerca de 7 km para terminar e sentia-me muito bem, capaz de atingir, e se calhar melhorar, o tempo que o orientador do Centro de Treino (João Pires) me havia indicado como objectivo, baixar das 3 horas e 20 minutos. Eis senão quando, quase já ultrapassado o famoso muro da maratona, que se situa entre os 30 e os 35 km, cai uma saraivada enorme, acompanhada de grosso granizo, que, atingindo-nos no corpo, e em especial na cabeça, nos magoava a sério. Confesso que talvez tenha sido o momento mais delicado deste género, em trinta e tal anos de corridas. O efeito foi trágico porque me levou a acelerar, ainda muito longe do objectivo e o resultado não podia ser pior: a articulação de um joelho, salvo erro do direito, foi atingida. A partir daí foram 7 quilómetros a penar, com dores, arrastando a perna, mas não querendo desistir em caso algum, para concluir em 3H30’30” (174º).

Apesar do mau tempo, dos 307 inscritos, 298 compareceram à partida e 191 conseguiram mesmo concluir a prova. O favorito era um conhecido atleta sul-africano, Samuel Ndala, que afinal foi segundo, tendo a vitória pertencido a um maratonista verdadeiramente amador, bancário de profissão, Américo Ferreira, que fez 2H23’39”.

Mas “numa prova de 42 km só existem vencedores” (prof. Mário Machado, na Revista Spiridon nº44, no artigo sobre a prova), e relembro muitos dos companheiros e amigos da estrada que participaram em mais esta aventura, a maioria dos quais ainda muito activa – Esmeraldo Pereira, António Belo (um dos atletas portugueses com mais maratonas concluídas), João Palma, António Casqueiro, Daniel, José Martelo, Luís Sequeira, Jorge Branco, Manuel Martins (ilustre médico, organizador dos Jogos Médicos, e que aqui fazia, já, a sua 12ª maratona), António Realinho, João Marcelino, Arnaldo Chora, Ana Massas, José Martins, Arons de Carvalho, Fernando Cardia, António Malvar, Virgílio Palminha, etc, etc, exemplares pelo seu desportivismo.
EVB

Outubro de 2009

Nota: A foto que ilustra este texto foi obtida na internet
não se reportando a nenhuma prova Portuguesa. JBT

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Eu corro!


Eu corro!Embora já tenham passados bastantes anos após a edição de um livro, de autor francês, com o título “Doutor, eu corro!”, não significa que a referida obra, sobre saúde e corrida, esteja ultrapassada. Não é meu objectivo abordar os temas que aquela obra trata, mas, apenas, recordá-lo para introdução a este pequeno texto. Já lá vão uns anos, 1987 para ser mais preciso, que alinhei, pela primeira vez, nas“12 Horas de Vila real de Santo António”, tendo por companheiro, de entre os 25 que completaram o “meio-dia” de corrida, o amigo Jorge Branco, que, para quem não saiba, tinha acumulado na sua conta mais de 100 quilómetros (101,650) quando o relógio completou as 21 horas daquele dia 18 do mês de Abril.
Não foi só ali, naquela “corrida diferente”, que tive o prazer da sua companhia, pois, de entre muitas, alinhámos na primeira prova em que foi autorizado que o tabuleiro da Ponte 25 de Abril ficasse sob os nossos pés, no ainda mais distante ano de 1983. As corridas em trilhos de montanha também foram palco do nosso “espectáculo”, ou seja, estivemos em todos, ou quase, os tipos de corrida, com excepção, no que me toca, daquelas que pertencem ao leque de alta competição. Assim, parece que fizemos o tirocínio que está ao alcance do corredor amador, ao passarmos pelas várias experiências; a contagem de metros no asfalto com os olhos postos na meta, como se levássemos uns antolhos (ou entrolhos); a corrida de puro convívio, sem outra preocupação ou os caminhos mais belos das nossas serras, onde, as cores das folhas das árvores ou arbustos, as aves menos vistas, o tresmalhar dos láparos, ratos ou répteis absorveram a nossa atenção. Naturalmente, também fizemos as nossas opções. Curiosamente, sem dar por isso, deixei de usar a primeira pessoa do singular, afinal a razão para recordar o título daquela obra de autor francês, sobre o nosso desporto favorito ou passatempo, porque terá acontecido? Será que tal tem a ver com a maneira de estar nas corridas, e não só, fruto de experiências, de exclusões ou selecções de diferentes ambientes, ou será, apenas, pelo facto da minha idade se aproximar, vertiginosamente, dos sessenta e cinco? É que, no meu último livro, este sobre a corrida, fazer uso da primeira pessoa do plural não parece cair bem entre alguns dos leitores. Será que o NÓS é um pronome sem significado?


António Belo

DORSAIS


Peça, fundamental, para a identificação e classificação dos atletas quando em prova, os dorsais também tem evoluído ao longo do tempo e contém algumas histórias interessantes.
Quando comecei a participar em provas, na década de 80, muito dos dorsais eram feito à mão, com o número escrito com uma caneta de feltro.
Era um trabalho laborioso a feitura de dorsais, em que muitos voluntários perdiam horas e noites.
O material usado era cartolina ou mesmo papel.
Nessa época a qualidade dos dorsais fazia com que muitos se desfizessem durante a prova com o suor, ou a chuva.
Na altura ainda estava longe a classificação electrónica dos atletas com um chip e o dorsal era, na esmagadora maioria das vezes, peça fundamental para a classificação dos atletas mediante a sua recolha e colocação no espeto (noutra ocasião explicarei o que era isso do espeto embora na actualidade ainda haja provas que se servem desse sistema para elaborar classificações).
Quando o atleta chegava sem dorsal havia que escrever o número do dorsal (caso o atleta se lembrasse) ou o nome do atleta num papel que substituiria o dorsal para a elaboração das classificações.
Para evitar que o dorsal se perdesse pelo caminho uma das soluções que se usava (eu usei-a!) era reforçar os 4 cantos do dorsal, onde se metiam os alfinetes, com fita-cola!
Nos dias de hoje os dorsais (pelo menos das organizações que têm possibilidades) são feitos num material especial e praticamente indestrutível.
Mas se houve grande melhoria nos dorsais posso dizer que os alfinetes-de-ama não acompanharam essa evolução é já entortei alguns ao tentar colocar o dorsal na camisola!

Mas tenho outras histórias com dorsais que fazem no mínimo sorrir.

Numa Maratona Nacional do Inatel, na Foz do Arelho no ano de 1985, o dorsal era em plástico grosso, pesado e incómodo, e tinha que se deixar um sinal no acto do levantamento do mesmo (100 escudos salvo o erro) que seria devolvido no final pois o referido dorsal era reutilizável!

Também corri com dorsais de pano duas vezes, sendo que uma foi nas 12 Horas de Vila Real de Santo António e eram dois dorsais (um para as costas) a fim de facilitar a tarefa de controlar um atleta ao longo das 12 horas de prova.

Julgo também ter sido dos poucos atletas a ter dormido uma noite com um dorsal colocado! Aconteceu numa edição da TransEstrela, quando a prova se realizava em duas etapas, e eu tomei essa opção para facilitar a partida (de madrugada) para a segunda etapa.

Correr sem dorsal foi uma experiência bem recente, quando a Nike “tomou conta” da Corrida do Tejo e o número passou a ser impresso na própria T-Shirt, o que resulta numa espectacular acção publicitária com um enorme pelotão todo vestido com camisolas iguais.
Não me esqueço da primeira edição da Corrida do Tejo que se realizou nesses moldes e de sentir a falta de dorsal e alfinetes que durante tantos anos usei.
E não esqueço que a camisola oferecida me cortou os mamilos, tendo chegado a meta com sangue nos ditos, o que aconteceu a muitos atletas, e deu um aspecto insólito à chegada, com sangue em grande parte das camisolas!

E para finalizar recorde-me, com um sorriso, como uma organização chamava, no regulamento da prova, aos dorsais no início da década de 80: PEITORAIS!

Nota: Na imagem dorsal em pano usado nas 12 horas de
Vila Real de Santo António no ano de 1987.


terça-feira, 6 de outubro de 2009

OPÇÕES DIFÍCEIS OU TALVEZ NÃO.


A gestão do calendário das provas é sempre algo complicada.
Mas, em geral, os organizadores tentam encontrar datas “vazias” e procuram evitar os “atropelos”, que são prejudiciais a todos.
Façamos, no entanto, uma análise ao que vai acontecer no fim-de-semana de 24/25 Outubro.

No dia 24 de Outubro, sábado, às 16 horas terá inicio mais uma edição dos “20 Quilómetros de Almeirim”.
Está simpática prova Ribatejana, que contará com um refeição regional volante no final da mesma onde se inclui a famosa Sopa da Pedra, encontra-se marcada há muito tempo no calendário.
Eu recebi o respectivo folheto publicitário na “Corrida das Fogueiras” e inscrevi-me durante o mês Julho, de modo a beneficiar de uma taxa de inscrição reduzida (4€).

No dia 25 de Outubro terá lugar a “Corrida Terras do Grande Lago”, com partida da Barragem do Alqueva e chegada a Portel (Alentejo).
Trata-se da segunda edição desta prova, na distância de 25 quilómetros e numa esmerada organização da “Associação O Mundo da Corrida”, que deixou muito satisfeitos todos os participantes da primeira edição.
A organização desta prova teve que alterar a data marcada para edição da mesma, face ao calendário eleitoral e a outras provas que sofreram igualmente alteração de calendário.

Igualmente no dia 25 terá lugar a consagrada “Corrida do Tejo”, numa super organização da Nike, que aponta todas as suas baterias anualmente no apoio a esta prova, fazendo dela um grande evento e uma enorme campanha de publicitária.
A data desta prova foi marcada há última da hora (principio de Setembro), não tendo nenhum respeito pelas provas já marcadas para esse fim-de-semana: os consagrados “20 Quilómetros de Almeirim” (embora sejam na véspera não haverá muita gente disposta a correr duas provas com menos de 24 horas de intervalo) e a “Corrida Terras do Grande Lago”.
Está atitude da Nike parece-me muito prepotente e de um enorme desrespeito pelas outras organizações com provas marcadas para esse fim-de-semana.
Face ao poderio económico e a força da “Corrida do Tejo”, a Nike não teve qualquer problema em “atropelar” organizações com provas marcadas anteriormente no calendário.

Cabe aos atletas fazer opções nesse fim-de-semana.
Pode parecer uma escolha complicada mas talvez não seja tanto assim.
Quem optar por Almeirim, encontrará uma organização com poucos meios, mas que tudo faz para agradar aos atletas. Poderá ainda contar com agradável convívio à volta da Sopra da Pedra e trazer para casa uma camisola da Asics (sem ter que fazer a prova com ela vestida, como na Corrida do Tejo, em que na primeira edição patrocinada pela Nike, cheguei à meta com os mamilos feridos devido ao uso da “camisola dorsal” da Nike e não fui o único), entre outras lembranças onde se inclui um troféu especial da prova.
Se optar pela Corrida Terras do Grande Lago, encontrará uma prova em que tudo é feito para que fique satisfeito e dará certamente por bem empregue a deslocação.
Por último, quem opte pela “Corrida do Tejo”, terá antes de mais um percurso muito bonito e tudo o resto que a Nike consegue criar com um avultado investimento de meios e dinheiro.
Terá também o “prazer” de alinhar numa prova cuja organização não tem qualquer respeito pelas outras provas, logo não tem qualquer respeito pelos corredores.

A opção é sua!
Eu já optei e estarei nos “20 Quilómetros de Almeirim” e tenho muita pena de não ter nem pernas nem condições logísticas para estar no outro dia de manhã em Portel para a “Corrida Terras do Grande Lago”. Fica para o ano!

Jorge Branco