Desde a primeira hora que manifestámos a
intenção de não abordar temas técnicos neste blogue por dois motivos: o
primeiro tem a ver com as nossas poucas competências na matéria, o segundo com
existência de revistas e sites que abordam esses assuntos com profissionalismo
e rigor.
Mas todas as regras têm excepção e esta é uma
delas (aliás não é primeira vez que aqui cometemos esta excepção).
No texto que se segue julgamos que a nossa
longa experiência como corredores de fundo nos permita a elaboração do mesmo
sem erros técnicos.
*
Todos sabem (ou pelo menos deviam saber) que
é fundamental a programação / planificação dos treinos.
Sem ela não há evolução e podem cometer-se
erros que tanto podem levar a lesões por excessos e erros nos treinos, como à
estagnação na evolução do treino, devido ao doseamento das cargas e dos seus
ciclos (se repetirmos sempre os mesmos treinos o corpo habitua-se e não há
evolução).
Mesmo aqueles corredores que não têm como
objectivo a competição (ainda que essa mesma competição seja apenas em
despiques com os amigos ou consigo próprios) devem fazer uma planificação do
treino sob o risco de lhes acontecer o que atrás foi descrito.
Mas não vamos falar aqui de planificação /
programação do treino mas sim de algo que julgamos ser muito pouco falado, a
reprogramação! Mas o que é é isso da reprogramação?
*
Ao planificarmos um treino temos que ter em
conta uma série de objectivos e condicionantes e depois passamos essa
planificação para o balão de ensaio que se chama a prática!
Por mais rigorosa e científica que seja a
planificação do treino só no terreno sabemos se vai tudo dar certo. O grande
“segredo” do corredor de fundo é mesmo saber escutar o seu corpo, a “máquina”,
interpretar os sinais que ele dá e a partir deles ajustar ou melhor reprogramar
a planificação que se fez do treino.
Pode haver planificações de treino que saem
100% certas e sejam exequíveis tal e qual foi planificado, mas outras terão que
ser “limadas” depois dos testes no terreno.
Também não podemos esquecer que há uma enorme
variedade de condicionantes externas que influenciam o treino e podem obrigar à
sua reprogramação
Só para dar um pequeno exemplo: se
programamos um treino em que nos propomos correr uma hora a um determinado
ritmo mas nesse dia as condições atmosféricas estão muito más, com chuva e
vento fortes, temos de reprogramar esse objectivo e adaptá-lo a realidade da
altura.
Mas este é um pequeno exemplo, pois toda a
vida extra treino condiciona o mesmo.
*
Por tudo isto nunca se esqueçam que para além
da enorme importância que tem a planificação do treino é fundamental saber
reprogramá-lo e para isso é necessário saber escutar e sentir o nosso corpo e
também analisar todas as condições externas aos treinos e o que elas podem
influenciar esse mesmo treino.
Mesmo para quem tem a “sorte” de ser
orientado por um treinador é fundamental saber interpretar como nos sentimos no
treino de modo poder transmitir tudo isso ao nosso treinador e ele poder
planificar e reprogramar o treino convenientemente,
No fundo é como nas competições de
automobilismo, em que é fundamental o piloto dar ao mecânico indicações sobre o
comportamento do carro para ele o afinar na perfeição.
Na corrida, uns têm o “privilégio” de ter um
“mecânico” (o treinador) outros serão “mecânicos e pilotos” deles próprios mas
em ambos os casos é essencial saber escutar o “motor” para uma boa planificação
e reprogramação dos treinos.
E, já agora, não se esquecem de anotar o
treino que fazem e como se sentiram durante o mesmo pois sem esses dados tudo
se perde na memória e fica praticamente impossível ver o que tem de ser
ajustado.
E nunca, mas mesmo nunca, sigam cegamente a
planificação dos treinos, “contra tudo e contra todos”, sem fazer os ajustes
que a prática e as condicionantes exteriores ao treino assim aconselham!
Conhecemos corredores que agiam dessa forma, que consideravam uma derrota
modificar um plano de treino e os resultados que obtiveram dessa forma cega e
surda de encarar a planificação do treino foram muito desagradáveis.
Bons treinos!




