quarta-feira, 31 de maio de 2017
sexta-feira, 26 de maio de 2017
A OUTRA ALMIRANTE REIS
Artéria bem conhecida e típica da cidade de Lisboa a Avenida Almirante Reis é também ponto de passagem de uma das mais emblemáticas provas da capital: a Corrida internacional do Primeiro de Maio.
Para muitos a Almirante Reis
começa no Largo do Martim Moniz mas tal não é verdade pois o referido largo é
atravessado pela Rua da Palma e só no número 308 da referida artéria começa,
efectivamente, a Avenida Almirante Reis.
( Rua da Palma, quase, no começo do treino do 28)
A “cereja no topo do bolo” é o
final da Almirante Reis, no troço compreendido entre a Alameda Dom Afonso
Henriques e a Praça Francisco Sá Carneiro (vulgo Largo do Areeiro) com uma subida já mais jeitosa e que acaba com o resto das forças, pelo menos para quem
não sabe gerir uma prova de traz para a frente.
Mas chegando ao Areeiro a
“coisa” está feita e é só rolar, e aguentar, até ao Estádio 1º de Maio (estádio
do INATEL).
*
Também aqui na terra que eu adoptei, Muge, há uma Almirante Reis. Não é uma avenida mas uma rua singela mas também ela sobe e é, quase, o final de muitos dos meus treinos. Muito mais curta que a Almirante Reis lisboeta é mais inclinada, o que se faz na descontracção em final de treino, mas que pode significar “facas nas pernas” e grandes dificuldades em dias de treino bem longos! Sim que a “minha” Almirante Reis pode levar a inúmeros percursos, desde a uma pacífica ciclo via até a radicalismos bem diferentes.
Mas ultrapassada que está a
Almirante Reis ribatejana basta-me correr a curta rua Capitão Tenente Sousa Dias
e estou praticamente mesmo em frente da janela do meu quarto! Também esta rua
sobe mas menos que a Almirante Reis, mas também ela “dói” em dias de treino longo.
*
Nota: Foi pela minha Almirante Reis Ribatejana que acabei a "Coisa" em "Gloria" e dores nas pernas!
*
Nota: Foi pela minha Almirante Reis Ribatejana que acabei a "Coisa" em "Gloria" e dores nas pernas!
(Sim eu durmo por detrás das grades!)☺
Se a Almirante Reis da terra
que me viu nascer tem turistas e carteiristas no eléctrico 28 já a
Almirante Reis da vila que adoptei tem a partir da Primavera um frenético
trânsito de andorinhas!
*
Nos vídeos: a minha penúltima
(em 2012) subida da Almirante Reis lisboeta (em prova), na Corrida do Primeiro de Maio
(gentilmente filmada pelo Mestre Joaquim
Adelino com o qual tive o prazer de correr a prova do Saldanha até à meta).
Já lá vão uns anitos. E as andorinhas da “minha” Almirante Reis ribatejana.
*
sexta-feira, 5 de maio de 2017
"A COISA" EM SMS'S
Durante “A COISA” o João Lima deu um apoio fundamental
no terreno, com abastecimento de 20 em 20 minutos e muito mais que isso o apoio psicológico
que faz toda diferença entre o sucesso e o fracasso.
Mas mais longe em Lisboa estava o Egas na “central das
comunicações” sempre atento ao evoluir da situação no terreno e a coordenar
todas as comunicações.
Qualquer informação sobre o ponto da situação passava
pelo Egas.
Apenas usei o telemóvel uma vez para falar com a minha mulher!
Tudo o resto passou por SMS's trocados entre o João Lima e o Egas.
Fica aqui o registo de " A COISA” em mensagens de SMS.
O desenho que ilustra este texto foi uma generosa oferta
do Alfredo de Sousa que além de correr e pedalar que se farta foi o responsável
pelos melhores, mais originais e criativos logótipos de provas no começo da
Corrida Para Todos em Portugal. Fã dos “bonecos” do Alfredo de Sousa, perdidamente
apaixonado por alguns deles como a estrelinha corredora da TRANSESTRELA, foi com emoção
que recebi a prenda da Lesma da Lezíria no dia dos meus 57 anos e ainda por
cima acompanhada de um texto extremamente simpático.
Obrigado
Alfredo, nunca mais esquecerei. Eu sou mesmo a Ultra Lesma da Lezíria! 😀
Terça-feira, 18 de Abril de 2017
Transcrição dos SMS's trocados
durante "A Coisa" (Treino ultra-longo Muge – Santarém - Muge para
comemorar o aniversário das IIªs 12 Horas de VRSA)
6.33
JL-
Bom dia Egas! Começou agora.
6.35
EB-
Bom dia João. Obrigado. Boa sorte!
6.55
JL-
Primeira paragem. Tudo bem.
7.06
EB-
Ok.
7.19
JL-
2ª paragem. Tudo bem.
7.34
EB-
Boa. Aqui chove.
7.49
JL-
8 km feitos. Estão muitas nuvens mas sem aspecto de chuva, pelo menos por
enquanto. Estão 16 graus.
8.00
EB-
Bom.
8.06
JL-
10 km.
8.30
JL-
12.5 km. Continua tudo bem e a seguir o plano de reabastecimentos.
8.40
EB-
Ok.
8.54
JL-
15 km. O Jorge pede para ligares à mãe a dizer que está tudo bem.
8.55
EB-
Ok.
9.28
JL-
17.5 km.
9.40
EB-
Ok.
9.41
JL-
Está neste momento na parte mais difícil. A longa e inclinada subida para
Santarém onde chegará aos 20 km.
9.43
EB-
Força!
9.54
JL-
Fim da subida! Está vivo e bem.
10.12
JL-
O tempo está a mudar. Já caíram alguns pingos, está a ficar vento e fresco.
10.20
EB-
Boa!
10.21
JL-
Metade já está. Esteve agora a comer sopa.
10.23
EB-
Já é o regresso?
10.23
JL-
Sim. 22.5 km
10.24
EB-
Ok.
10.48
JL-
25 km. Está a ficar muito vento. Está a queixar-se dos gémeos por causa da
descida.
11.15
EB-
A descida está ultrapassada?
11.18
JL-
Sim. Vai em 27.5 e os gémeos recompuseram-se.
11.20
EB-
Aonde estão? Alpiarça?
11.25
JL-
Não estamos para esse lado. Está a caminho de Porto de Muge.
11.27
EB-
Ok.
11.46
JL-
E chegou aos 30. Acabei de publicar a foto no Facebook do Jorge.
11.46
EB-
Vou ver!
12.05
EB-
Gostei! O nosso atleta parece bem disposto.
12.06
JL-
Sim, está bem disposto dentro do possível!
12.06
EB-
A que horas estás a prever a chegada?
12.07
JL-
Pouco antes das duas se sempre for aos 45.
12.08
EB-
Ok.
13.05
EB-
Como vai?
13.05
JL-
Perto dos 40.
13.06
JL.
Correcção! Perto dos 37.5.
13.06
EB-
E continua bem disposto?
13.10
JL-
Mais ou menos... Está a começar a ser difícil.
13.11
EB-
Estão perto de casa?
13.11
JL-
Sim.
13.11
EB-
Ok.
13.55
EB-
Situação?
13.56
JL-
Está numa volta longa a tentar chegar aos 45. Mas está bem dentro do possível.
Naturalmente cansado mas bem.
13.57
EB-
Quanto tempo mais?
13.59
JL-
Talvez 20 a 30 minutos. Sem certezas pois é difícil de calcular.
14.07
EB-
Vais fazer foto?
14.13
JL-
42.5 km
14.14
EB-
42,195 já lá vão!
14.36
JL
- 8 horas de esforço e ainda não parou.
14.36
EB-
Quer ir até quanto?
14.37
JL - Supostamente 45.
14.37
EB
- Deve estar quase...
14.38
JL-
Quase.
14.48
EB
- A Augusta ligou agora a perguntar. Está quase?
14.53
JL-
Acabou! 45!!!!!
JL-
45.250 tempo sem paragens, 6.31.18 ritmo, 8.30 calorias
14.54
EB-
PARABÉNS! ABRAÇOS.
14.57
JL-
Foto publicada no fb.
quarta-feira, 3 de maio de 2017
domingo, 30 de abril de 2017
FALTA DE TEMPO PARA TREINAR?
Há quem
afirme que não treina por falta de tempo mas ao receber a resposta a um SMS,
que enviei a um grande amigo meu, fiquei com muitas dúvidas quanto a essa
alegada falta de tempo!
“Eu ontem fiz 3000km de avião, 200km
da carro e 12 a correr. Hoje faço mais 450km de carro e 10 a correr (espero
eu).”
Pois é, salvo
raríssimas excepções não é falta de tempo, é falta de vontade mesmo!😀
segunda-feira, 24 de abril de 2017
UMA “COISA” COM 45,250 KM !
No
passado dia 18 de Abril decorreram 30 anos sobre a minha participação na 2ª
edição das 12 Horas de Vila Real de Santo António. Já escrevi um texto sobre
isso aqui no blogue.
Passados
que foram 30 anos achei que teria a sua “graça” comemorar a data e a única
forma que via de o fazer era a correr!
Assim
nasceu “A COISA” pois se não era um treino nem uma prova só podia ser a “A COISA”!
Comecei
a germinar ideias sobre “A COISA” no verão do ano passado e em Outubro
lancei-me nos treinos específicos. A ideia eram 3 meses de pré preparação ou
seja Outubro, Novembro e Dezembro. E Janeiro, Fevereiro e Março seriam os meses
mais intensos sendo que o mês de Abril já seria o treino em decrescendo até ao
dia D ou seja o dia 18.
Basicamente
gostaria que “A COISA” tivesse uma distancia simbolicamente acima dos 42,195 da
maratona e apontei para os 45 quilómetros o que para a minha actual forma
física e limitações de toda a ordem era excelente.
O
treino era simples: 4 treinos semanais de corrida e um de bicicleta que seria
simplesmente usado como recuperação. A fórmula do treino também era a mais
básica e simples possível: Paulatinamente aumentar a carga de quilómetros
metidos nas pernas, fazer alguns longos de 30 quilómetros, meter sempre uma quarta
semana de recuperação depois de três semanas a aumentar a carga e usar sempre o
princípio de a um treino mais forte segue-se outro mais fraco.
Se
a mecânica do treino era simples, a execução do mesmo foi muito complexa com
problemas vários.
Logo
em Outubro fui acometido de fortes crises de ansiedade e tive de conseguir
manter o treino mesmo em condições psicológicas extremamente difíceis.
Depois
diversos problemas a nível do “esqueleto” faziam-me andar sempre com o credo na
boca a ver se não me lesionava.
Foram
muitos dias de pés metidos em água gelada, de massagens da planta dos pés com
uma bola de golfe, de apanhar sustos, de ver o que está mal hoje e bem amanhã.
No
meio disto tudo, problemas familiares e com a saúde de um familiar também se
atravessaram no meu caminho.
Mantendo
este projecto quase no secretismo total o meu grande apoio em termos
psicológicos foi o João Lima que me aturou em dezenas de SMS e emails e sempre
teve aquela palavra amiga, sempre acreditou que eu conseguiria, sempre me deu um
apoio e força incondicional que nunca mais poderei esquecer.
E
chegou o dia 18 de Abril e o João Lima cá estava para o apoio logístico
pontualmente às 6:15 e às 6:31 a “COISA” arrancou!
O
percurso era atravessar para o outro lado do Tejo na Ponte Dona Amélia e seguir
até Santarém pelo Caminho do Tejo (usada nas peregrinações a Fátima).
Se
pensam que vou fazer o relato exaustivo de como decorreu “A COISA” quilómetro a
quilómetro vão ficar desiludidos
Tenho
sensações, memórias de alguns pontos-chave mas, curiosamente, não guardo grandes
memórias.
Esta
ausência de memória talvez se deva ao facto da estratégia usada ser mesmo essa
de apenas pensar em termos de 20 minutos que era o tempo que delimitava cada
abastecimento e tentar pensar em pouco mais. Um género de piloto automático, de
desligar o cérebro e dar às pernas!
O
começo foi complicado, com uma enorme carga nervosa e parecia que tinha
começado logo pelo muro da maratona!
Depois
acalmei e entrei em velocidade cruzeiro e tudo normalizou.
Um
dos meus grandes medos era o calor que se podia vir a fazer sentir e tive
enorme sorte pois o dia revelou-se fresco, ventoso, céu nublado e até cairam
algumas gotas de chuva!
O
borrifador e o garrafão de 5 litros de água para os “duches” não foram usados!
Nem protector solar foi necessário!
Para
além de um tipo de piso em estradão com alguma pedra à mistura e nalguns locais
mais deteriorado pela passagem dos tractores, de que eu não sou particular fã,
e se torna massacrante ao longo dos quilómetros, a primeira grande dificuldade
veio com a longa subida para Santarém que se geriu com muita calma.
Bem
antes disso tive alguns problemas com os gémeos a queixarem-se, ou os
quadricules mas que se iam gerindo e resolvendo com os abastecimentos que
tinham soluções para quase tudo!
O
encontro com o João Lima em Santarém foi quase milagroso pois eu entrei no
centro da cidade de forma diferente da dele e ele esperou por mim não
propriamente no local previsto.
Mas
algum conhecimento da minha parte da cidade e alguma sorte resultaram num
encontro perfeito e sem recurso a telemóvel!
Com
isto tudo julgo que saí de Santarém com 20 quilómetros no “lombo” e uma grande
descida para gerir e se subir custa, descer causa muito mais estragos a nível
muscular.
Até
aos 30 quilómetros nem posso dizer que tivesse assim grandes dificuldades
embora não fosse fresco que nem uma alface (!) mas fazia-se.
Dos
30 para os 35 já “A COISA” começou a pesar mais e quando cheguei a Porto de
Muge já ia o que se pode chamar feito num oito! Faltariam uns três quilómetros
para casa mas isso era se fosse a direito e ainda me faltavam mais alguns
quilómetros para os desejados 45.
Combinámos
novo encontro debaixo da Ponte Dona Amélia, junto ao Tejo, e aí chegado foi a
vez de um abastecimento reforçado e decidi fazer os km em falta numa estrada
que segue junto ao Tejo que começa em alcatrão e depois passa a terra batida.
Que
ideia que eu fui ter! Estava um vendaval enorme e se nessa longa recta fui com
vento de costas o retorno foi mesmo um autêntico inferno com um vento
fortíssimo de frente e já sem força nenhuma! Duro, duro, duro mas duro!
Mas
lá cheguei novamente ao carro do João Lima (tinha-lhe pedido para esperar por
mim e me deixar fazer aquele bocado do percurso sozinho).
Com
novo abastecimento, uma paragem mais longa e lá arranquei para os dois
quilómetros e picos que me faltavam.
As
pernas estavam mais perras que nunca mas “A COISA” estava feita! Ainda tive uma
pequena dificuldade acrescida que foi ultrapassar uma máquina que estava a
limpar a berma da estrada o que tornava a já de si estreita estrada em estrada
só com uma faixa. Ainda fui fazendo sinais aos carros que passavam por mim para
reduzirem a velocidade. Deviam pensar que eu era maluco mas quando chegavam à
curva e viam a grande máquina em manobras logo entendiam.
Finalmente
atravesso a pequena ponte de metálica, entro no Rossio e sigo pela ciclovia.
Novo encontro com o João Lima, agora sem paragem nem abastecimento e ele segue
de carro atrás de mim.
Finalmente
a subida do Palácio, que fiz centenas de vezes em treino, a subida do palácio
tantas fezes feita de bicicleta na minha infância.
Chego
à minha rua, passo pelo João Lima parado junto do portão da minha casa,
digo-lhe os km volto para trás e entro numa rua sem saída mesmo atrás da minha
casa! Finalmente tenho noção do que acabei de fazer, acordo para o mundo e
dou-me à festa! E que festa!
Levanto
os braços, corro em zigue zague de braços abertos a fazer que voava (!) dou um
tremendo berro, eu sei lá!
Ainda
estou a pensar que se os recentes vizinhos ex imigrantes na Bélgica, julgo eu, viram
aquela cena devem ter pensado que o vizinho é maluco! Por acaso não se
enganaram, é mesmo!
Pronto
45,250 km em seis horas trinta e um minutos e 18 segundos!
Trinta
anos depois de ter sido um dos pioneiros da ultra maratona em Portugal ainda cá
estou e “vivo”!
Não
fiz nada de especial! Mas consegui comemorar o facto de ter sido um dos
pioneiros da Ultra Maratona em Portugal e, infelizmente, já não somos assim
tantos ainda em actividade.
A
dimensão dos desafios não se mede pelos km efectuados mas pelo esforço que eles
representaram para quem os fez!
Para
mim foi um grande desafio superado.
Foi
uma vitória pessoal, de sangue, suor, lágrimas, raiva mas sobretudo de
toneladas de amor para com os que correram ao meu lado ao longo destes 37 anos
que levo nesta vida de ligação com a corrida. E muitos deles “foram comigo”
nesta aventura porque um ultra maratonista nunca corre sozinho por mais
solitário que aparentemente se encontre!
Nada
disto seria possível sem o apoio de muita gente, muitos, ou quase todos, nem
sabiam o que andava a preparar mas os seus exemplos, os seus comentários aos
meus treinos, a sua amizade, foram fundamentais.
Mas
cinco nomes têm que ser aqui publicados por uma questão de justiça:
Mário
Machado, sem os seus conselhos técnicos no que concerne aos abastecimentos, esta
aventura não chegaria a bom porto.
A
minha mulher que me “aturou” durante a longa preparação para esta aventura. Sem
ti, Augusta, a minha existência seria bem mais cinzenta e triste.
A
minha mãe, a melhor mãe que um ultra maratonista pode ter e a sua sopa mágica
de abóbora com farinha de milho que tão excelentes resultados deu e dá no
carregamento de hidratos de carbono antes das grandes aventuras!
Para
eles a minha gratidão não tem limites.
Estes
45,250 km são para o meu grande amigo António Matias, vencedor da primeira e
segunda edição das 12 horas de Vila Real de Santo António, pioneiro na
organização das provas de montanha / trail em Portugal. O “Pai” deste tipo de
provas no nosso país. Força campeão!
E um
abraço muito especial ao António Belo meu “adversário” nas 12 horas e que
continua a correr, e já são muitas primaveras que leva em cima!
Nota: o
meu agradecimento à Sofia pelo apoio voluntário e inesperado nos últimos km e
pelas fotos. Também um dia ela será ultra maratonista!
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