SPIRIDON Nº 18 SETEMBRO - OUTUBRO 1981
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016
domingo, 14 de fevereiro de 2016
UM “VENTINHO” BRUTAL!
Sempre gostei de desafiar
condições meteorológicas muito adversas em treino e já passei por alguns
treinos em que tudo se torna mesmo um bocado complicado.
No “menu” de hoje tinha uns 42
a 44 km de bicicleta que eu pretendia pacíficos e calmos. Não haveria de ser
nada de especial porque é distancia que eu já tenho nas pernas neste meu
regresso às pedaladas.
Tudo se complicou quando ontem
comecei a ver as previsões meteorológicas aqui para o distrito de Santarém:
vento com rajadas até aos 90 km/h e chuva.
Comecei a ver em perigo a
minha voltinha de bicicleta.
Hoje quando acordei às 6 da
manhã (sim, eu levanto-me com as galinhas!) a chuva era mais que muita mas isso
não era nenhum drama, o problema estava no vento com rajadas bem fortes.
Em situação normal deveria
sair com a minha Princesa lá para as 7:30 quando já há condições de luz para
pedalar com segurança mas com aquele tempo tive de renunciar a essa ideia e
muito contrariado meti-me a ver televisão.
Lá pelas nove horas da manhã
desponta um belo sol, mas continua o vento, e eu resolvo arriscar e ir
experimentar dar uma volta, mesmo que não fosse o previsto, pelo menos fazer
alguma coisa. Do que me havia de lembrar!
Um bocado a apalpar terreno
dou uma volta pequena aqui pela zona, o vento estava complicado mas lá se ia
fazendo.
Acabo por me aventurar a ir
até Marinhais e logo na EN 118 apanho com duas rajadas laterais que me tornam
difícil segurar a bicicleta.
Atravesso Marinhais na
diagonal com vento de costas e é uma maravilha que vou à vela!
Não chovia e o problema era
“só” o vento e acabo por me decidir em ir até a Glória, pelas Janeiras, e
depois Cucharro, Granho e Muge (casa).
Lá vou até à Glória, umas
vezes com vento mais de frente, outras mais lateral e algum de costas. A coisa
ia-se fazendo embora não fosse fácil e muitas vezes tive de me socorrer de
mudanças que parecia que estava num prémio de montanha de primeira categoria
quando na verdade estava em terreno plano ou a subir ligeiramente.
Da Glória para o Granho a
situação complicou-se mais, o vento era mais de frente, no Cucharro tive que
fazer algumas subidas com mudanças mesmo muito leves e em andamento que a
correr a pé iria mais rápido.
Chego ao Granho, lá faço toda
a rua principal com um vento meio de lado, meio de frente e chego à estrada que
liga Muge á Gloria.
Daqui para Muge a estrada
desce mais que sobe e os cerca de 6 km são algo que se despacha muito bem em
condições normais.
Mas o dia era tudo menos
normal!
Assim que viro à direita no
sentido de Muge dou de caras com uma “parede” de vento de frente, mas uma
senhora “parede”.
Começo a fazer a primeira
descida mas onde está a descida? Vou a descer e tenho de usar uma mudança quase
equivalente a como se fosse em sentido contrário ou seja a subir. Avançar é
mentira, o vento empurra, empurra, empurra para trás!
A muito custo lá chego à ponte
do Coalheiro e o que vinha a prometer desde o Granho acontece: começam a cair a
primeiras e grossas gotas de chuva. Há muito que um céu carregado de negro
ameaçava cair-me em cima da cabeça!
Por esta altura estaria a uns
três km de casa, mas que três km!
O vento é brutal, a chuva até
magoa e para ajudar à festa cai granizo!
Vou na mudança mais leve que
tenho, uma mudança que raramente uso por estas paragens pois não há altimetria
para ela, e quase não consigo avançar, tenho a certeza que vou bem mais lento
do que se fosse a correr a pé!
Tento vencer não cada metro
mas sim cada centímetro, pedalando contra uma chuva gelada, e um vento muito
forte. O desespero é muito e chego a pensar em parar e ir a pé, que seria mais,
fácil julgo eu! Mas lá vou resistindo, tentando alcançar pequenos objectivos,
aquela árvore, aquela poça, aquela curva e cerro os dentes. Aquilo metia medo!
Quando finalmente atinjo as
primeiras casas de Muge o vento dá mostras de abrandar e lá consigo meter uma
mudança mais pesada e aproveitar um pouco a ligeira descida.
Os 42/44 km previstos
transformaram-se nuns 36,640 km, provavelmente os mais complicados que já fiz
em cima de uma bicicleta, e um dos treinos com condições atmosféricas mais
adversas de sempre, mesmo considerando o meus 36 anos de ligação com a corrida,
uma maratona com chuva granizo e vento e a primeira edição Crosse da Serra do
Açor debaixo de um enorme temporal.
Mas não fosse um joelho que
anda meio “gripado” o saldo é positivo, estou feliz, vivo e ganhei ao São Pedro
mas por muito pouco.
De notar que a minha bicicleta
é uma velhinha BTT de 1991, uma excelente máquina na altura, a qual tive de
alterar a posição de condução com um guiador sobrelevado pois a minha coluna
não permite andar inclinado na BTT ou seja a posição de condução não pode ser
pior no tocante a vento de frente!
Este texto é dedicado ao Egas Branco, ao João Lima e ao Carlos Cardoso meus amigos e amigos dos temporais!
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016
BinaClínica
Apaixonado pelas bicicletas
desde a infância. Tendo na primeira metade da década de 90 feito muita BTT, e
mesmo algum ciclismo em estrada, há já algum tempo que planeava voltar a dar
umas voltas a “cavalo” e até alternar entre a corrida a pé e a bicicleta até
para poupar este esqueleto já muito empenado.
A minha velhinha BTT, um maquina
topo de gama comprada em 1991, estava há muito tempo parada, precisando de
cuidados “médicos” para voltar a rolar. Além disso os meus problemas na coluna
impedem-me de pedalar em posições inclinadas tendo que adoptar uma postura
estilo “lorde inglês”!
Ora a minha antiga BTT tinha
uma posição de condução que às primeiras pedaladas eram dores nas costas
garantidas.
Andava eu a pensar em pôr a
bicicleta operacional e onde poderia fazer a revisão da máquina e modificar a
mesma em face dos meus problemas de coluna quando “tropeço” no Facebook numa
loja / oficina que dá pelo nome de BinaClínica (que fica nas traseiras da estação de Santa Apolónia em Lisboa).
Começo a seguir a página da
BinaClínica no Facebook, vejo a apresentação da loja na sua página na Net e
digo para os meus botões: é mesmo isto que eu procuro para voltar a pôr a minha
“menina” em circulação.
Agora, passados que são seis
meses desde voltei a pedalar, só posso estar feliz por ter entregado a minha
“princesa” nas mãos da “BinaClínica”.
Naquela loja / oficina
encontrei o que eles afirmavam na sua página na Net: gente que adora
bicicletas, todo o tipo de bicicletas, e que as sabem “mimar”. Além disso
encontrei profissionais muito competentes e honestos que nos tiram todas as
dúvidas e vão ao encontro do que pretendemos.
Se juntarmos a isto uma
politica de preços muito justos têm um serviço que poderemos considerar 5
estrelas!
Depois também temos que
confessar que admiramos muito o pequeno comércio que nestes tempos de grandes
multinacionais e “tubarões” ousa fazer a diferença e provar que fazem bem
melhor que as grandes cadeias comerciais em que somos tratados de forma
completamente impessoal.
Por isso se tem uma bicicleta,
se pretende vir a ter uma, se necessita de apoio “médico” para a sua “menina”,
se quer comprar equipamento, enfim tudo o que se relacione com “binas” é mesmo
na BinaClínica!
(Note-se que este texto foi
escrito sem nenhuns propósitos que impliquem contrapartidas publicitarias
pagas. Este texto foi escrito por paixão e porque aqui no UK fazemos ponto de
honrar em elogiar que o merece elogios e criticar o que deve ser alvo de
críticas.)
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016
AINDA ESTOU VIVO! (“POLIDESPORTIVISMO”)
Por aqui em Janeiro foi assim:
(Para o Alex e a Maria Antonieta porque sim!)
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CORRIDA
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Media horas por dia: 0:58:25
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Media
km por dia: 9.06
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Número
treinos mês: 11
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Total
km mês: 99.65
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Total
horas mês: 10:42:30
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Velocidade
média diária: 0:06:27
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CICLISMO
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Media horas por dia: 01:22:20
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Media
km por dia: 27.52
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|
Número
treinos mês: 11
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Total
km mês: 302.81
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Total
horas mês: 15:05:40
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Velocidade
média diária: 20.061
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TOTAIS
CORRIDA + CICLISMO
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Media horas por dia: 1:10:22
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Media
km por dia: 18.29
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Número
treinos mês: 22
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Total
km mês: 402.46
|
|
Total
horas mês: 25:48:10
|
sexta-feira, 29 de janeiro de 2016
E OS 30 KM??
Finalmente o número de
Maratonistas em Portugal passou a ser bastante significativo e encurtou-se
muito o fosso que separa aqueles que correm a meia-maratona daqueles que
alcançam os míticos e mágicos 42,195 km.
Mas se ao contrário do que se
passava não há muitos anos temos cada vez mais maratonistas em Portugal a
distância máxima de provas em estrada estagnou praticamente na meia-maratona!
Não seria lógico que o aumento
de maratonistas acarretasse uma maior aposta dos organizadores em provas de 30
km? Bem sabemos que a distância de 30 km nada tem a ver a com o correr uma
maratona mas julgamos que seria uma experiência interessante, e útil, para
aqueles que aspiram fazer uma maratona, ou mesmo para os que já a fazem, poder
participar numa ou noutra prova de 30 km.
Muito provavelmente um dos
aspectos que mais afasta os organizadores da distância dos 30 km em estrada é o
dos custos organizativos que um evento desses implica em particular com o seu
policiamento. Se alguém pode organizar uma prova de 10 km, com uma boa
participação de atletas, e com muito menos custos, porque se vai meter noutras
“aventuras”?
Falando apenas da realidade da
região de Lisboa a Associação de Atletismo de Lisboa organizou, quase
ininterruptamente de 1937 a 1990, o Campeonato Regional de Fundo na distância
de 30 km e aconselho todos a lerem o histórico dessa prova clicando aqui
(obrigado João Lima pelo magnífico trabalho que tens feito em prol da
preservação da memória da corrida em Portugal!).
Curiosamente a Associação de
Atletismo de Lisboa durante muitos anos não morreu de amores (para não dizermos
outra coisa) pelas provas em estrada mas manteve o regional de fundo durante 47
edições talvez até pelo carácter institucional da prova. Era um pouco como a
Maratona: chegou a haver, em Portugal, quem dissesse que os 42,195 km nem eram
desporto mas sempre se manteve o Campeonato Nacional da Maratona talvez apenas
porque tinha que ser embora a vontade em o organizar fosse pouca!
Infelizmente o Campeonato
Regional de Fundo da AAL morreu em 1990 precisamente quando a maratona em
Portugal começou a dar mostras de crescimento e a perder aquele estatuto,
estúpido, de prova desumana para “malucos”! E morreu sem glória com apenas 14
classificados (entre os quais se incluía a única senhora!) talvez fruto da
pouca aposta na promoção da prova.
Ainda tive a felicidade de
participar numa das edições do Campeonato Regional de Fundo da AAL a 17 de
Março de 1985, tendo obtido a marca de 2:08:33 numa corrida entre o Guincho e a
antiga FIL em Lisboa.
Será que algum organizador se
vai abalançar a organizar uma prova de 30 km em estrada? Nos tempos actuais, e
com os custos que isso implica, achamos que tal se torna tarefa difícil de vir
a acontecer. Fica muito mais económico organizar um trail!
De qualquer maneira mantemos a
esperança na realização de provas de 30 km e até deixamos uma sugestão: não
haveria a possibilidade de organizar provas dessas em circuito fechado?
Lembrarmo-nos das corridas que têm havido dentro de instalações militares, nomeadamente
bases aéreas, ou até que as duas primeiras maratonas Spiridon que foram
organizadas no autódromo do Estoril.
A ideia era poder organizar a
prova sem recurso a meios policiais o que baixaria tremendamente o custo da
mesma e evitaria todos os problemas inerentes aos cortes de trânsito provocados
por uma prova dessas em grandes centros urbanos. Pode não ser a solução mais
agradável correr-se uma prova de 30 km em circuito mas pode ser a mais viável e
ultrapassa-se o vazio que vai entre a meia-maratona e a maratona no que
concerne a provas de estrada em Portugal!
segunda-feira, 25 de janeiro de 2016
12 KMS MANTEIGAS - PENHAS DOURADAS
12 KMS
MANTEIGAS – PENHAS DOURADAS
INSCRIÇÕES ABERTAS
Encontram-se abertas as inscrições para a prova “12 KMS MANTEIGAS – PENHAS DOURADAS”,
a mais antiga (34ª edição) corrida de montanha de Portugal.
Prova a disputar no dia 6 de Março de 2016,
a Organização associa-se mais uma vez à APAV – Associação Portuguesa de Apoio à Vitima –
com o donativo de 1,00€ por cada inscrição.
Regulamento, informações e inscrições disponíveis em
* PROVA INAUGURAL DO
CIRCUITO NACIONAL DE MONTANHA 2016*
PARTICIPEM…
quinta-feira, 21 de janeiro de 2016
50 MINUTINHOS DE GOZO PURO!
Era de noite e chovia, mas o
frio tinha-se ido embora. Deveriam estar uns 12 ou 13 graus o que para os 5
graus (ou até menos) dos Janeiros da Lezíria Ribatejana era “calor”.
Com esta temperatura e chuva
tudo tinha de ser mudado! Do fundo saco retiraram-se uns calções meio espantados
por terem de entrar ao serviço em Janeiro, igualmente um chapéu entrou ao
serviço pois é a pala do mesmo que faz de pára brisas e evita a chuva nos
óculos! Da cadeira na marquise veio o velho impermeável para uma das suas
últimas viagens pois está quase a ser trocado por um daqueles modernos em que
não entra a chuva mas o suor sai não se fazendo uma sauna dentro do mesmo!
Há muito pouco tempo tinha o
relógio da torre da Igreja dado as 7 badaladas, chove, do dia ainda
praticamente não há sinais! Fecho o portão, ligo o meu estropiado GPS e só
espero que a fita-cola que segura um dos botões não caia com a chuva!
O “maluco” de Muge das
corridas ataca de novo (e agora ele está pior, porque uns dias corre a pé e
outros a cavalo ou seja de bicicleta)!
Até à curva do palácio não há
azar que há candeeiros, digo adeus as luzes com o projector que ilumina a ponte
romana.
Passo por baixo da Nacional
118 em direcção ao que já foi o portão do palácio e agora é um pórtico no ar e
outro deitado no chão.
Vou tentando evitar as poças
maiores, tentando adivinhar o caminho mais seco, lutando contar o embaciamento
dos óculos e esperando que o dia vá amanhecendo.
Chego ao grande e largo
estradão e o que me vale é aqui o piso ser mais do tipo arenoso e por isso não
haver assim tanta lama mas sim areia ensopada!
Tenta-se correr numa pequena
faixa que parece mais seca e evitar torcer um pé nalguma poça maior. Vou
imensamente divertido e feliz mas também concentrado a ver onde se metem as
patinhas!
No Sobreiro do Neto ladram os
cães mas apenas um está solto e não tem tamanho para morder e com a chuva nem
veio ladrar-me às canelas.
Já se começa a ver mais alguma
coisa e entra-se numa subida com algumas pedras brilhantes e lavadinhas.
Mais um bocado em plano e
temos a melhor descida do percurso com os seixos rolados lindos e lustrosos e
brilhantes da chuva.
Mais um portão para contornar
e um ramo de salgueiro atrapalha-nos o serviço!
Olho a ponte sobre a vala,
aqui são mais poças que terreno seco e está tudo em mau estado.
Na longa recta que nos leva de
novo ao que foi o portão da casa encontramos uma carinha em sentido contrário.
Uma carinha que a esta hora é sinal de alegria pois significa que o outro
portão está aberto e livra-nos de o termos de contornar e de mais malabarismo.
Encostamos mesmo às ervas para deixar passar a carrinha e saudamos quem lá vai,
mesmo sem saber, nem conseguir ver, se eram conhecidos ou desconhecidos.
De novo a descida para a ponte
romana. Estamos quase em casa mas ainda faríamos um pouco da ciclovia pejada de
folhas de plátanos para acertamos o tempo do treino.
Chegamos ao portão da nossa
casa e ai estão 50 minutos de gozo puro, as vezes é tão simples ser-se feliz!
Depois seguem-se uns
exercícios de flexibilidade, o tirar os dados do GPS (a fita cola aguentou-se e
ainda temos botão!) para um papel, arte difícil quando se escorre água por
todos lados e uma tarefa não menos complicada que é o acender um esquentador
com um fósforo quando se está todo ensopado!
Depois veio o banho no qual se
despiu uma parte do equipamento para não arrefecer enquanto se tirava o mesmo.
Ao contrário do que parece
anunciar o imobilismo deste blogue estamos vivos, e bem vivos! Hoje 21 de
Janeiro de 2016!
Amanhã é dia de Repouso mas no
sábado esperamos ter uma volta grande com a velhinha namorada Francesa, ou seja
a nossa bicicleta que como nos dizia um saudoso primo é o único veiculo onde a
besta puxa sentada!
Fiquem bem!
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