sábado, 28 de novembro de 2009
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
OS TEMPOS DE PASSAGEM NA MARATONA.
Um dos principais segredos para correr nas melhores condições uma maratona passa por uma criteriosa definição do tempo final que se pretende obter e por um rigoroso respeito pelo andamento durante a prova.A definição do tempo final pode ser obtida recorrendo a vários fórmulas ou tabelas que permitem fazer a equivalência entre o tempo que se obtém numa distância inferior e a sua correspondência na maratona.
É claro que estas tabelas e fórmulas nunca podem ser consideradas 100% exactas porque temos que ter em conta a forma de cada um e as especificações próprias de cada atleta. Mas elas dão uma aproximação bastante rigorosa do que poderemos fazer na maratona.
Na minha opinião quem se estreia na Maratona deve ser muito mais cauteloso com o cálculo do tempo que pretende fazer e dar uma “folga” mais alargada a esse mesmo tempo final.
A primeira maratona é sobretudo para testar e ganhar experiência e confiança para futuras participações e nunca para dar o “litro” e andar nos limites (é claro que em termos de primeira participação a nível de atletas de alta competição tudo será diferente pois a experiência e os meios de treino envolvidos são outros).
Mas de nada serve ter feito uma criteriosa definição do tempo final que se pretende obter na prova se depois no decorrer na mesma não se respeitar o andamento que nos leva a obter esse mesmo tempo.
Um dos erros mais comuns nas provas é partir rápido demais e depois pagar esses exageros na parte final. Isso é mau numa meia maratona e numa maratona pode mesmo ser trágico para o nosso desempenho na mesma.
Por isso o ideal é levar uma cábula com os tempos de passagem, sendo até desejável definir dois tempos por cada cinco quilómetros (um mínimo e um máximo) dentro dos quais devemos passar.
Agora há o GPS e toda uma tecnologia de ponta.
Quando corri as minhas quatro maratonas, todas na década de 80, não havia nada disso e a solução passava por colar a cábula dos tempos de passagem na braçadeira do relógio (usando para o efeito plástico autocolante).
Ainda hoje penso ser um método bastante válido, simples e intuitivo.
Numa maratona toda a nossa atenção e concentração devem estar viradas para a corrida e para o escutar a “máquina” por isso penso que o uso de GPS e outros equipamentos só vai prejudicar a nossa concentração.
Na maratona tudo deve ser simples e nada mais simples que uma tabela colada no relógio e o simples olhar a mesma e comparar com o tempo do nosso cronómetro a cada 5 quilómetros.
Houve até campeões olímpicos que apenas escreviam os tempos de passagem na palma da mão (nunca fiz isso com medo do suor e da chuva)!
Mais uma nota: nenhuma rectificação ao andamento deve ser feita com brusquidão.
E há sempre aquele dia em que por melhor que estejamos preparados “a coisa” não sai e não vale a pena tentar cumprir o tempo previsto porque não o vamos conseguir e ainda podemos piorar mais a situação.
Aconteceu-me isso na minha tentativa de baixar das 3 horas na maratona: tinha treino e capacidade atlética para isso mas naquele dia não deu e o meu melhor tempo na maratona ficou, para sempre, nas 3:10:27! (faria 3:15:43 nesse dia aziago numa maratona Spiridon na Granja do Marquês em Sintra).
Aproveito ainda para referir que tudo o que escrevi atrás se deve aplicar a todos os atletas que pretendam fazer uma maratona nas devidas condições independentemente da sua prestação atlética; não é por se ir fazer 4 horas na maratona que se deve deixar de fazer uma planificação criteriosa da prova, até porque, em minha opinião, uma maratona feita com esforço, dedicação, treinos e empenho é sempre muito válida independentemente das possibilidades atléticas de cada um.
Numa das fotos que acompanha este texto podem ver as tabelas de tempos de passagem que usei no decorrer das minhas 4 (modestas) maratonas.
Não quero finalizar este texto sem deixar um abraço a todos os que vão participar na Maratona de Lisboa.

à “grande” ultra maratonista Analice Silva,
na Maratona Spiridon em Almeirim.
Uma foto do século passado!
terça-feira, 17 de novembro de 2009
A MONTANHA MÁGICA.
Toda magia da Corrida em Montanha neste vídeo.
Palavras para quê?
(Esta mensagem é também uma homenagem, comovida,
a um amigo; maior que o pensamento.
Para a cidade da Guarda vai o nosso abraço.)
Palavras para quê?
(Esta mensagem é também uma homenagem, comovida,
a um amigo; maior que o pensamento.
Para a cidade da Guarda vai o nosso abraço.)
domingo, 15 de novembro de 2009
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
CARRINHOS DE BÉBÉ, NAS PROVAS E NOUTROS EVENTOS
Algumas observações (e protestos) de companheiros de estrada, contra a presença em competições desportivas, de carrinhos de bébé, tal como de cães à trela e da perigosa utilização de patins, etc, com as/os quais digo desde já que concordo sem restrições, levam-me no entanto a desejar acrescentar um “mas…” relativamente à presença de crianças.
É que há provas e provas, e confesso que sinto uma grande admiração pelos pais, atletas ou não, que gostam de fazer os filhos participar desde a mais tenra idade, quer nos eventos desportivos, quer nas grandes manifs de luta por um mundo melhor (ver fotografias que junto, todas que fiz no decorrer deste ano de 2009, em vários locais e eventos, mas todos tendo uma coisa comum: trata-se de eventos colectivos em que está subjacente o desejo de luta por melhores condições de vida, nem que seja pela prática desportiva).
Essas crianças, que assim participam, no carrinho ou aos ombros de um pai ou de uma mãe, têm a sorte de terem progenitores que as fazem desde muito cedo começar a entender que o sentir colectivo, ao combater o feroz individualismo da sociedade actual (pelo menos nesta parte do mundo), é algo fundamental para a nossa realização integral como seres humanos livres e conscientes.
Por isso, quando na cauda dos grandes pelotões das corridas lúdicas ou nas minis das pontes, ou nas manifs e em outros acontecimentos similares, vejo crianças transportadas pelos pais (ou familiares) sinto uma certa felicidade, por pensar que é mais um sintoma de que o espírito colectivo e social, apesar do que alguns pretendem e desejariam, não vai desaparecer nas gerações que se vão seguir.
Para finalizar, só uma pequena nota sobre a famosa Corrida do Tejo, mesmo que agora já pouco tenha a ver, em minha opinião, com o que foi durante mais de duas décadas. É que as partidas escalonadas por vários (e não só dois) tempos, tendo em conta a tecnologia actual de controlo dos atletas, poderiam resolver facilmente o problema daqueles que apenas querem participar de uma forma lúdica e não precisariam de eventualmente prejudicar os que querem fazer a sua corrida, pensando sempre no tempo a conseguir (e eu já estive, obviamente, nessa categoria).
Já será mais difícil de resolver o problema na Ponte 25 de Abril, com a partida na zona da portagem, embora as partidas diferenciadas da meia e mini, talvez pudessem resolver parcialmente o problema, já que a Alta Competição já tem o seu caso resolvido, com partida fora da Ponte. Será possível?
EVB
Novembro de 2009
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
CÃES E CARRINHOS DE BÉBÉ...

Uma das mais bem organizadas provas de estrada “Abertas-a-Todos” que se disputam no actual Calendário Nacional é, sem dúvida a “Corrida do Tejo” e apontei ir fazer aqueles 10 km de belas paisagens junto ao rio.
O tempo que tinha previsto rondava os 44 minutos e naquela manhã da competição encontrei apenas duas entradas para os atletas. Uma com o distico SUB 40 MINUTOS e outra lá no fundo para todos os outros. Muito bem como o ritmo deveria ser de 44 minutos lá fui para a porta onde todos entravam.
Fui para a zona de partida faltavam 30 minutos e tudo estava perfeito, até havia espaço para aquecer um pouco. Passados 15 minutos cheguei um pouco mais à frente e como é lógico houve um momento em que já não era possível avançar mais...
OK, perfeito estou no meio do pelotão, agora é aguardar o tiro de largada. Bom ambiente, sem empurrões, dir-se-ia que estava numa prova no estrangeiro.
Volvidos alguns minutos começou a prova e como havia “Chips” pouco me importei pois pensei o tempo começava a contar quando passasse por cima dos tapetes electrónicos. Não passou mais de um minuto e aí estava eu a passar pela linha de partida. OK vamos ao bom ritmo...
Qual ritmo?
Sim, qual ritmo?
Era quase impossível correr perante o magote de não corredores que estava na frente... Ziguezagueando lá fui tentado passar por entre “pares de namorados” muito agarradinhos, mais uns tantos de mão dada entoando alegres canções, mais um caminhante que tranquilamente levava o seu cão pela trela como se estivesse em plena avenida e não numa corrida, mais aquele paizinho que em pequenas passadas empurrava o carrinho de bébé com a criança a chorar (Não chores Danielzinho pois estamos quase a chegar – clamava o pai todo risonho...) mais um grupo de quatro jovens de ombros juntos, “colados” a gritar (ninguém passa por nós...), mais outros que alegremente me retorquia “mas qual é a pressa deste gajo” isto é uma Festa... “Não vás depressa pois não ganhas nada!”.
Correr, mesmo para quem corre um pouco lentamente como eu só o consgui fazer, com toda a liberdade, quando atingi a subida do Gibalta, por volta dos 2 km... antes, bom antes foi ziguezagueando, acelerando e travando, pulando pelos passeios, fugindo daquele grupo para encalhar noutro...
Que pena a “Corrida do Tejo” não prever mais PORTAS DE ENTRADA para que os atletas se colocassem nos locais onde a maioria vai correr ao mesmo ritmo de passada. Era fácil, bastava tomar como regra os tempos finais do ano anterior... SUB 40’... SUB 42... SUB 44’... etc
Assim havia espaço e Festa para todos os níveis!
Enfim, voltarei ao TEJO para voltar a correr a CORRIDA mas é uma pena que muita gente que está nas nossas corridas não respeite quem quer mesmo e SÓ correr!
O tempo que tinha previsto rondava os 44 minutos e naquela manhã da competição encontrei apenas duas entradas para os atletas. Uma com o distico SUB 40 MINUTOS e outra lá no fundo para todos os outros. Muito bem como o ritmo deveria ser de 44 minutos lá fui para a porta onde todos entravam.
Fui para a zona de partida faltavam 30 minutos e tudo estava perfeito, até havia espaço para aquecer um pouco. Passados 15 minutos cheguei um pouco mais à frente e como é lógico houve um momento em que já não era possível avançar mais...
OK, perfeito estou no meio do pelotão, agora é aguardar o tiro de largada. Bom ambiente, sem empurrões, dir-se-ia que estava numa prova no estrangeiro.
Volvidos alguns minutos começou a prova e como havia “Chips” pouco me importei pois pensei o tempo começava a contar quando passasse por cima dos tapetes electrónicos. Não passou mais de um minuto e aí estava eu a passar pela linha de partida. OK vamos ao bom ritmo...
Qual ritmo?
Sim, qual ritmo?
Era quase impossível correr perante o magote de não corredores que estava na frente... Ziguezagueando lá fui tentado passar por entre “pares de namorados” muito agarradinhos, mais uns tantos de mão dada entoando alegres canções, mais um caminhante que tranquilamente levava o seu cão pela trela como se estivesse em plena avenida e não numa corrida, mais aquele paizinho que em pequenas passadas empurrava o carrinho de bébé com a criança a chorar (Não chores Danielzinho pois estamos quase a chegar – clamava o pai todo risonho...) mais um grupo de quatro jovens de ombros juntos, “colados” a gritar (ninguém passa por nós...), mais outros que alegremente me retorquia “mas qual é a pressa deste gajo” isto é uma Festa... “Não vás depressa pois não ganhas nada!”.
Correr, mesmo para quem corre um pouco lentamente como eu só o consgui fazer, com toda a liberdade, quando atingi a subida do Gibalta, por volta dos 2 km... antes, bom antes foi ziguezagueando, acelerando e travando, pulando pelos passeios, fugindo daquele grupo para encalhar noutro...
Que pena a “Corrida do Tejo” não prever mais PORTAS DE ENTRADA para que os atletas se colocassem nos locais onde a maioria vai correr ao mesmo ritmo de passada. Era fácil, bastava tomar como regra os tempos finais do ano anterior... SUB 40’... SUB 42... SUB 44’... etc
Assim havia espaço e Festa para todos os níveis!
Enfim, voltarei ao TEJO para voltar a correr a CORRIDA mas é uma pena que muita gente que está nas nossas corridas não respeite quem quer mesmo e SÓ correr!
Mário Cabica
-----------------------------
*Foto ilustrativa deste texto:
Chegada da 1ª edição da
Corrida do Tejo*
Chegada da 1ª edição da
Corrida do Tejo*
domingo, 8 de novembro de 2009
Linha sem comboio!
O texto do Jorge, treino ao longo da linha, mostra bem os obstáculos a ultrapassar por quem queria correr e trouxe-me á memória uma caminhada e corrida, não competitiva que organizámos, eu e o então meu colega Pedro Albuquerque, no desactivado ramal de Reguengos de Monsaraz, que ligava Évora àquela vila, agora cidade.Tal como já tinha feito no concelho de Reguengos, com a colaboração do meu conterrâneo Francisco Guerra, já desaparecido, planeamos um convívio familiar que contemplava a parte desportiva (caminhada e corrida) e a turística e cultural (visita a monumentos e lugares com interesse) e, naturalmente, a convivência, desta vez na zona de Évora.Para a etapa de sábado, tratava-se de um fim-de-semana alargado, planeámos um percurso ao longo da linha de caminho de ferro, tendo início em Machede e fim junto à Barragem do Monte Novo. Como não era possível fazer a verificação das condições e distância do percurso utilizando qualquer veículo, fizemos os nossos cálculos com base no mapa do referido ramal. O projecto, não muito ambicioso, tinha os seguintes pressupostos: os caminheiros terminavam junto à barragem e alguns seriam levados para o local de partida por um dos nossos amigos (o Zé Teixeira) que, para além de não alinhar em caminhadas, tinha um carro mais espaçoso; os corredores continuavam até ao local de partida, agora por estrada em macadame, para trazerem alguns carros e levarem os restantes caminheiros; a reunião de todos teria lugar no local de partida, seguindo todo o grupo para o local do almoço (Redondo). Às 10 horas daquela manhã de fim de Abril de 2001, o Verão parecia querer vincar a sua presença, de tal forma que até os caminheiros alinharam com vestuário leve, não indo além da camisola de meia manga até porque a distância a percorrer não seria exagerada, cerca de 4 quilómetros (?).Como é normal, o grupo de corredores afastou-se de imediato. Durante algumas centenas de metros tudo parecia estar de acordo com o que tínhamos pensado, ou seja, havia um espaço lateral onde podíamos correr, no entanto, um pouco mais à frente, concluíamos que estávamos enganados, depois de tanto tempo de “linha sem comboio” os arbustos, quase árvores, ali mesmo junto aos carris e as vedações em rede que não nos permitiam escolher um melhor caminho, mesmo que mais afastado, obrigavam-nos a optar pelas pedras e travessas de madeira que ainda seguravam os carris. Como se as inesperadas dificuldades não fossem suficientes, o dia de Verão transformou-se, rapidamente, num dos piores dias de Inverno, uma chuva cerrada acompanhada de forte vento e de uma temperatura baixíssima, para a altura, cerca de 4 graus, fazia-me sentir o responsável por aquelas pessoas, alguns casais já para além dos 70, que tinham acreditado que teriam um passeio fácil e descontraído.As primeiras dificuldades fizeram-me avançar mais rapidamente para, com antecedência, poder indicar o melhor caminho àqueles que me seguiam, mas o temporal não me deixava cumprir o objectivo, tendo necessidade de procurar a protecção das árvores com troncos de maior diâmetro. Perante aquele estado começava a ficar aflito, pois, para ajudar, não vislumbrava qualquer indicação do final do “percurso surpresa”. Voltei para trás, logo que me foi possível, para apoiar psicologicamente os “encharcados” que me seguiam. Tal como suspeitava, as críticas caíram em pingas ainda mais grossas do que as da chuvada que, finalmente, parecia amainar. Era evidente que não era culpado daquela viragem de tempo, no entanto, também estava em causa a característica do percurso (não eram habituais participantes em provas de montanha) e, principalmente, a sua distância.Quando cheguei ao local que tínhamos estabelecido como meta, do carro que nos devia esperar, nem sinal! Como tínhamos demorado mais do que o previsto, o nosso amigo tinha ido para outro ponto, julgando que estava enganado no local. Passados mais alguns minutos, e ainda antes de começarem a chegar os restantes companheiros, lá apareceu o tão desejado carro. Perante tais peripécias tivemos de alterar o programa. Em vez de fazermos o restante percurso em passo de corrida, eu e mais três voluntários, usámos aquele transporte para, mais rapidamente, trazermos mais alguns carros para transportar todos os participantes. Como no porta-bagagem do meu carro há sempre material desportivo excedentário, distribuí algumas camisolas aos que resmungavam mais, e, agora, com o aparecimento do sol e a consequente subida de temperatura, as caras feias e agressivas davam lugar aos habituais sorrisos e à boa disposição. Aparentemente tudo tinha acabado bem, sem quedas e sem constipações. No entanto, dado o estado pouco apresentável em que chegaram à meta, a maioria dos participantes optou por passar pelo hotel antes de se dirigir ao restaurante, dando lugar a mais um intrincado problema, a hora marcada para o almoço, 13 horas, tempo mais que suficiente para que todos, em condições normais, ali pudessem chegar. Bem tentámos, pelo único número de telemóvel que tínhamos, alterar a hora dos achigãs se deitarem na grelha, mas sem qualquer resultado! Assim, os nossos amigos, quando se sentaram à mesa, quase 2 horas mais tarde, depararam com a necessidade de passar aqueles peixes deliciosos (estado já passado) novamente pelas brasas, o que, convenhamos, não é coisa que resulte.Foi uma manhã cheia… de críticas!
Subscrever:
Mensagens (Atom)


.jpg)
.jpg)
.jpg)