terça-feira, 8 de setembro de 2009

MARATONA


A marca dos 40 quilómetros pintada a amarelo no negro alcatrão.
A mesa, o estenderem-lhe o copo, o abrandar da passada, o beber com sofreguidão.
Copo atirado ao chão, olhar o relógio, espreitar a tabela e uma louca, louca vontade de correr.
Há uma mulher de cabelos pretos – cor de azeitona – que corre para ele numa praia de mar azul.
Há um amigo que lhe martela no cérebro, força, força, força...
Alguém muito querido que o embrulha num cobertor no “funil” de chegada da Maratona de Nova Iorque.
Que louca vontade de correr.
Vai leve e pesado, vai cansado e fresco.
Cada passada tem o peso duma libelinha, o peso de um elefante.
A estrada desce e ele desce em vertigem ao fundo de si.
E aí esta esse risco maldito, essa palavra, amaldiçoada: META.
As palmas, incitamentos, rostos amigos.
E ele “sprinta”, e ele corre para a mulher de cabelos cor de azeitona numa longínqua praia e ela corre para ele.
Passar o risco, gesto automático, desligar o cronómetro, olhar o tempo.
Aí está: 3h10.27, nesse dia 21 de Abril de 1985, na VII edição da Maratona do INATEL, na Foz do Arelho.

Jorge Branco

21ª MEIA MARATONA “CIDADE DE OVAR”



Como sempre esta prova de estrada disputa-se na manhã do dia 5 de Outubro, ou seja no dia da fundação do “AFIS – Atletas de Fim de Semana”, clube organizador do evento.

Estamos perante uma das provas com maior carisma na zona Norte do País e é com prazer que a ASICS, nesta edição e até 2011, será um dos patrocinadores da corrida principal, oferecendo, nomeadamente, as camisolas aos atletas que completarem os 21.095 metros do percurso.

Para além da prova principal, realiza-se, em simultâneo, uma Mini-Maratona para jovens dos 10 aos 16 anos e uma Caminhada de 8,2 km, festa esta aberta a todos. Os interessados poderão obter informações complementares através do telefone 256 583 597.
Professor Mário Machado

domingo, 6 de setembro de 2009

HOMENAGEM A FRED LEBOW (1932-1994)





Há muito que desejava homenagear aquelas personalidades do mundo do Desporto, pelas quais tenho enorme admiração. Resolvi começar pelo Atletismo, e pela Corrida a Pé, que ainda é o desporto que pratico. E um nome, de entre os já infelizmente desaparecidos, me ocorreu logo, até porque ainda tive o enorme privilégio de correr ao seu lado – Fred Lebow, o criador da mais famosa das maratonas para todos, a que se corre na cidade de Nova Iorque. Sei que a memória dos homens é, às vezes, infelizmente curta, e será que, de entre os milhares que participam nas provas neste país, muitos recordam ou sabem quem foi este homem? Inclusive as centenas de portugueses que já participaram na Maratona de Nova Iorque.

Fred Lebow nasceu em Arad, Transilvânia, Roménia, em 3 de Junho de 1932. O seu nome de baptismo era Fischl Lebowitz. A perseguição aos judeus pelos nazis e seus apoiantes, em especial durante a 2ª Grande Guerra Mundial, e o Holocausto, levaram a família a fugir da sua terra natal e a emigrar, primeiro para outros países europeus, depois, parte dela para o entretanto fundado estado de Israel e outra para os EUA, entre os quais Fred, onde chegou no princípio dos anos 60 (conforme notícia do NY Times, ou talvez mais cedo, segundo outras fontes). Quando faleceu em 9 de Outubro de 1994, vítima de cancro, que o perseguia desde 1990, dos sete irmãos da família Lebowitz, três homens, dois vivendo nos EUA e um em Israel, e duas mulheres, uma vivendo nos EUA e outra em Israel, sobreviveram-lhe.

Enquanto se dedicava ao comércio de roupa, que foi a sua principal actividade profissional no seu novo país, Fred Lebow começou por jogar ténis, mas, a conselho médico, começou a correr duas vezes por semana. Gostou, acabando por participar na primeira prova, de 5 milhas, no início dos anos 70. Por essa altura entrou para o “Road Runners de Nova Iorque” e organizou, com reduzidos meios, uma primeira maratona, às voltas no Central Park, com 127 participantes, dos quais 55 completaram e ele próprio foi 44º.

A partir daqui nunca mais parou, transformando a “brincadeira” do Central Park na mais participada maratona do mundo, que serviu de exemplo a muitas outras, em muitas outras cidades, de Londres a Pequim, demonstrando um extraordinário espírito de organização, a que ligou um enorme desportivismo, no melhor sentido. “Pela força da sua personalidade este dínamo humano transformou uma obscura competição local num dos mais importantes acontecimentos mundiais do atletismo.” (até hoje!) (Grete Waitz, no belíssimo e comovente artigo desta grande atleta norueguesa, “Inesquecível Fred Lebow”, publicado em Novembro de 1995)


“Não importa que sejas campeã nas curtas distâncias. Quero que mais mulheres participem, e tu és um chamariz. Quero que esta seja uma corrida para toda a gente.” (dito a Grete Waitz, a super campeã norueguesa, antes da primeira participação desta em na Maratona de Nova Iorque, em 1978, que venceu, feito que repetiu mais oito vezes. Por estas alturas, em Portugal, ainda havia quem, com responsabilidades, considerasse que a maratona não era desporto…)

“Na corrida não interessa se chegamos em primeiro ou em último. O importante é poder dizer: cheguei!”

“A beleza da minha prova está em que os amadores correm ao lado de atletas de primeiro plano. Não vemos isso em mais lado nenhum. Não posso competir com um profissional numa partida de ténis, mas posso correr a Maratona de Nova Iorque com campeãs mundiais como Grete Waitz.”

Já em luta contra a terrível doença que o minava, esteve em Lisboa, a participar, mais ou menos incógnito (a seu pedido), na 2ª Meia-Maratona de Lisboa, em 15 de Março de 1992, a convite do seu Director, o Professor Mário Machado, tendo concluído a prova, entre 3850 participantes, em 3620º, em 2h04’36”. Foi aí que me cruzei com ele, o que para mim é inesquecível, tendo eu concluído em 3298º, em 1h52’49” (tempo oficial). E o autor do blogue, Jorge Branco, colaborou nesse ano, como de outras vezes, na organização da Meia Maratona. (ler editorial de Mário Machado, no nr.97 da Revista Spiridon, de Novembro/Dezembro de 1994 – “O Homem que Inventou a Maratona de Nova Iorque…”)

Já muito doente, haveria de fazer a sua maratona, em Outubro de 1992, em companhia da sua grande amiga Grete Waitz, com um final emocionante, em que os dois atletas percorreram duas milhas, de mãos dadas, não conseguido, nem um nem outro reter as lágrimas, aplaudidos por milhares de pessoas que não quiseram deixar de apoiar Fred Lebow naquele momento tão difícil, ao terminar a sua maratona em cerca de 5h30’.

Dois anos depois, a 9 de Outubro, apenas com 62 anos, falecia este homem inesquecível, cujo funeral se deteve diante do local de partida da Maratona de Nova Iorque, no Central Park, onde amigos lhe tinham erguido uma pequena estátua.

EVB, 4 de Setembro de 2009

ABERTURA DA PERMISSÃO DE INSERIR COMENTÁRIOS

Depois de ouvir a opinião de algumas pessoas, e devido a insistência das mesmas, resolvi permitir os comentários aos textos e mensagens colocadas no blogue.
Essa permissão vai no sentido de tornar mais fluente e fácil o comentário do material inserido no blogue.
Não pretendo que essa permissão torne o blogue num fórum de discussão ou num “chat” para troca de mensagens entre amigos e familiares.
Nesse sentido apelo a que os comentários inseridos se reportem, maioritariamente, a comentar os textos inseridos neste blogue.
Apelo também a que se use sempre a crítica pela positiva e que se apontem soluções.
No sentido de manter a filosofia que pretendo para o blogue, vou moderar as mensagens achando-me no direito de não publicar as que entendo que saem fora da filosofia desde blogue.
Não se trata de nenhuma atitude censória, mas antes de manter a política editorial que defini para este blogue.
Em caso de mensagens recusadas explicarei ao visado, sempre que tecnicamente me for possível, as razões da exclusão.
Agradeço que artigos para publicação sejam enviados directamente para o meu e-mail, afim de serem devidamente editados e que eu possa calendarizar a sua publicação e que nunca os enviem usando a faculdade de inserir comentários.
Por tudo o atrás exposto, agradeço que sejam parcos nos envios de comentários.
A permissão de comentários no blogue vai estar à experiência e a sua continuação vai depender do evoluir da mesma.
Obrigado a todos.
Jorge Branco
(Editor e coordenador do Blogue)

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

29ª MEIA MARATONA DE VISEU



Esta é “só” a mais antiga prova de Meia Maratona que se disputa no interior do país, sendo igualmente, e desde há vários anos, a mais participada prova de Estrada da zona das Beiras.

Idealizada por Olímpio Coelho, “homem forte” do Grupo Desportivo”Os Ribeirinhos”, entidade organizadora do evento, esta prova limitada a 1.000 atletas englobada igualmente uma “Mini-Caminhada.

Prova de abertura do “Troféu Revista Spiridon”, o mais antigo Trofeu de Corridas que se disputa em Portugal, a Meia Martatona de Viseu, apresenta um traçado relativamente plano e com a particularidade de reunir muito público ao longo do percurso e sobretudo na zona de partida e chegada à entrada do recinto da Feira de S. Mateus.

A prova disputa-se às 10 horas do próximo dia 13 de Setembro e as inscrições poderão ser feitas através do telefone 968 073 333 ou então: gdribeirinhos@clix.pt

A ASICS mais uma vez apoia esta corrida, nomeadamente com oferta da camisola aos atletas de concluirem os 21.095 metros do percurso.

Professor Mário Machado

33ª Meia Maratona S.João das Lampas




33.ª Meia Maratona de São João das Lampas é já dia 12



Uma das mais emblemáticas provas de estrada do concelho de Sintra, e até do país, está aí à porta. É já no dia 12 deste mês que centenas de atletas vão participar na 33.ª Meia Maratona de São João das Lampas, percorrendo a zona saloia numa extensão de cerca de 21 quilómetros. A prova terá início às 17 horas em São João das Lampas e inclui passagem por A-do-Longo, Areias, M. Cabeça, Alvarinhos, Odrinhas, Amoreira, Monte Arroio, Bolelas, Sacário, Pernigem, Fachada, Chilreira, Codiceira e Alfaquiques.Para além dos troféus, produtos alimentares e brindes de presença, há prémios monetários até ao 10.º classificado. Ora aqui é que "a porca torce o rabo". Sendo moradora na freguesia e jornalista de profissão (embora não a exerça actualmente), tive curiosidade em espreitar o site da prova www.lampas.org. Gostaria de saber porque é que há uma diferença abismal entre os prémios para homens e os prémios para mulheres? Reparem que o primeiro classificado na categoria de masculinos receberá 1200 euros, enquanto na de femininos apenas 700. Note-se que é quase metade do valor... É porque as mulheres levam mais tempo a chegar à meta? A sua condição física é inferior à dos homens? É pura discriminação? Ou haverá outra explicação plausível?Ao longo dos meus cinco anos de carreira como jornalista fiz algumas reportagens sobre atletismo, incluindo a Meia Maratona de São João das Lampas, a S. Silvestre dos Olivais e a Dupla Légua de Campolide. Embora seja uma leiga no assunto, sempre levei o barco a bom porto, acompanhando os preparativos das provas, com a distribuição dos dorsais, os comentários sobre os percursos, a chegada à meta, as declarações dos atletas, a opinião do público... mas confesso que nunca tinha reparado nesta diferença monetária.Agora, o desafio fica lançado: deixe a sua opinião (através do email teixeirajb@gmail.com) e juntos tentaremos perceber a razão pela qual as mulheres auferem metade do valor do que os homens.
Ana Rita Gomes

Resposta por:
Rui Lacerda

Olá Ana Rita,
Penso que a razão principal da diferença do valor do prémio está na previsão da participação feminina nesta prova! Segundo julgo saber, e porque só participo em provas há três anos e meio, sempre foi assim! A razão para a fraca participação feminina está ainda no machismo das obrigações familiares, toda a gente sabe que uma atleta feminina tem muito mais dificuldade a impor-se no seio familiar: Ela trata dos filhos, do marido, da casa e das obrigações profissionais, em suma, fica com pouco tempo para treinar e participar nestes eventos! Logo o que interessa às marcas publicitárias, excluo as organizações e clubes, é os atletas de gabarito. Sem grandes nomes (homens) não há "graveto", sem graveto não atletas, um ciclo vicioso! Não há apoios, não há dinheiro para Todos. Penso que Não há discriminação da parte da organização, ajustaram os valores à participação das atletas, Poderia ser outro valor, concordo! Mas existem menos escalões femininos, menos competitividade! Não quer dizer que as atletas sejam menos competitivas, tem menos adversárias porque as outras atletas (as nossas apoiantes incondicionais; mulheres e namoradas ou irmãs) têm outras opções!

Abraços e bons treinos,
Rui Lacerda


Resposta por Fernando Andrade
Olá, Ana Rita

Através do blogue "O Último Km" do Jorge Branco, tomei conhecimento do seu texto cheio de oportunidade e que muito agradeço.
Não podendo responder-lhe no referido blogue, pois não são admitidos comentários, optei por fazê-lo no meu próprio blogue http://www.cidadaodecorrida.blogspot.com/
, que a convido a visitar. Espero, no entanto, que não considere abuso, ter ali reproduzido o seu texto sem lhe pedir autorização, mas não faria sentido responder sem que houvesse a pergunta .
Com a maior consideração

Fernando Andrade


terça-feira, 1 de setembro de 2009

UM BLOGUE DIFERENTE

Esta minha tentativa de fazer um blogue, vai no sentido de fazer algo diferente.
Não pretendo que ele seja um blogue na verdadeira acepção da palavra; ou seja um local onde se descrevem diariamente, experiências pessoais e íntimas de vida, mas sim algo mais generalista, em que se fale do meu desporto preferido, a Corrida a Pé.
Não quero dizer que este blogue não possa conter alguns “sentires da alma”, mais íntimos, mas não vai ser essa a vertente dominante aqui.
No sentido de fazer algo diferente vou tentar ter também a colaboração de outros amigos, a quem pedirei textos sobre determinados temas, para publicação.
Mas este blogue é aberto à colaboração de todos os que pretendam escrever sobre a Corrida a Pé e cujos textos se enquadrem, minimamente, na filosofia que pretendo aplicar aqui.
Também não vai ser um blogue completamente fechado na temática da Corrida a Pé, mas esse vai ser o tema principal.
Vai ser um espaço de liberdade e fraternidade, também aberto a críticas, mas sempre pela positiva e que apontem soluções.
Aqui falar-se-á de tudo o que está ligado à Corrida a Pé, mas deixarei de lado questões técnicas de treino ou saúde porque esse papel é desempenhado, e extremamente bem, há mais de 30 anos, pela Revista Spiridon.
Outra das características singulares, deste blogue é o facto de não ser permitido inserir comentários aos textos publicados.
Isso não vai no sentido de restringir a liberdade, mas sim de evitar que o blogue se torne num ponto de troca de mensagens entre amigos ou que fique com um estilo de comadres!
No meu perfil podem ver o meu endereço de correio electrónico. Também lá consta o nome da pequena vila ribatejana onde vivo e se me procurarem em determinadas provas, com facilidade me podem contactar pessoalmente.
Este é um blogue aberto e frontal, em que o seu autor não se esconde!
Aviso também que não me vou sujeitar à “tirania” da actualização diária, mas vou tentar, no mínimo, ter actualizações semanais.
O seu êxito depende também de vocês meus amigos, conhecidos ou todos o que se sintam vontade de escrever para este projecto.
Toda a colaboração é bem vinda e o futuro deste blogue depende dela, pois o seu autor não tem capacidade, nem quer, alimentá-lo sozinho.
Todos os textos não assinados serão da minha autoria.
Todos os textos que outras pessoas me enviarem para publicação, não levarão nenhum tipo de corte ou correcção do texto, excepto no caso de serem detectadas algumas gralhas por demais evidentes.
Este blogue é inteiramente da minha autoria e responsabilidade, embora possa contar com a colaboração técnica e literária de alguns amigos.
Bem-vindos a mais esta aventura, que também é vossa!

Com a colaboração técnica e literária, no seu arranque, de um companheiro de muita estrada, amigo e familiar, Egas Branco