É na busca mágica do último quilómetro que todos nós corremos.
Mas amanhã haverá outro último quilómetro para correr.
A vida é assim um correr diário de últimos quilómetros até ao quilómetro definitivamente final.
Que façamos de cada último quilómetro sempre o mais feliz da nossa vida.
Mais uma voltinha a lembrar os velhos tempos quando se
andava muito por essas paragem até porque a melhor solução para ir ao
multibanco implicava uma viagem ao Cartaxo de bicicleta!
Pedimos ao Carlos Cardoso para escolher o texto que mais
gostou dos que aqui foram publicados.
Hoje além de revelarmos a escolha do Carlos aproveitamos
para desafiar os nossos amigos leitores a também fazerem a vossa escolha quando
ao texto que mais vós tocou. Podem enviar a vossa escolha para: teixeirajb@gmail.com. Prometemos que as
iremos aqui divulgar.
A Escolha do Carlos:
MADRUGADA A CORRER NUM MAR DE SENTIMENTOS!
“Quando vi o anúncio da prova
Madrugada a Correr fez-se um “clique” no cérebro!
Confesso que correr àquela hora e ver o sol nascer não é
nenhuma novidade para mim pois socorro-me de horas bem madrugadoras para fugir
ao calor aqui em treinos pela Lezíria Ribatejana! O percurso entre o Estádio
Nacional e a Rotunda de Algés também não é algo que se me afigure atractivo e a
distância de 7 km então é uma “desgraça” para quem não gosta de provas de 10 km
e só começa a sentir que vale a pena fazer uma prova a partir dos 15 km!”
O restante do texto pode ser lido; ou relido, clicando
aqui.
Este blogue é um projecto
pensado, e trabalhado, a dois.
Eu sou, digamos assim, a
parte mais visível desta “casa”, mas sem o Egas nunca este projecto teria ido
para a frente.
O Egas, para além dos
excelentes textos que tem publicado e da magnífica cobertura fotográfica de
várias provas, é aquele elemento que está na retaguarda a zelar pela qualidade
de tudo o aqui é publicado.
Todos os textos aqui
publicados têm passado pela revisão técnica do Egas, não apenas no que toca à
gramática, erros e gralhas como também ao sentido estético dos textos e o valor
dos mesmos.
Muito do aqui se publica
passa por uma troca de ideias entre mim e o Egas.
Infelizmente, o Egas está
doente, com uma situação clínica algo complicada, e não temos podido contar com
a sua preciosa colaboração.
Sem o Egas, e por mais que
nos esforcemos, este blogue não é a mesma coisa.
Muito para além do
trabalho visível que se traduz no que ele aqui publica, faz-nos uma tremenda
falta todo o trabalho de retaguarda que vai desde a parte técnica e estética da
correcção dos textos até toda uma troca de ideias que muito ajuda este blogue a
funcionar.
Nós próprios, sem um
convívio dito “normal” com o Egas, sentimo-nos muito menos criativos e
predispostos a trabalhar neste blogue.
Mas como aqui ninguém se
rende, ninguém desiste, continuamos a batalha de manter este blogue vivo,
actuante e acutilante. Nesse sentido reforçamos a redacção com um novo elemento
para a revisão técnica dos textos.
Restas-nos a nós e a todos
os amigos daquele ser justo, fraterno e solidário, desejar-lhe rápidas melhoras
e ter toda a esperança que, mais tarde ou mais cedo, ele volte ao convívio
normal com todos aqueles que têm a sorte e o privilégio de ser seus amigos. O
Egas já venceu muitas “guerras” nos seus quase 81 anos (serão feitos no próximo
dia 8 de Fevereiro) e vai vencer mais esta!
Força Egas!
Jorge Branco
Nota: Os leitores desde
blogue que queiram deixar um abraço solidário ao Egas podem fazê-lo através de um comentário a este texto. Faremos chegar
todas as vossas palavras ao Egas. Gratos.
Mário Trindade esteve em estágio de preparação no Complexo Desportivo de
Vila Real de Santo António, desde o dia 7 até ao dia 29 do corrente mês, com o objectivo de preparar as próximas competições, que vão decorrer em Fevereiro no Dubai, e tem início já no próximo dia 10 os IWAS World Games / Sharjah 2019, de 10 a 16, logo de seguida vai competir no 9th Sharjan International Open Athletics Meeting, com as provas a decorrerem entre o dia 18 e 20, e por fim, irá competir no 11th Fazza Para-Athletics Championships - Dubai World Para Athletics Grand Prix, entre os dias 21 e 28.
Nestas provas, o atleta tem como objectivos alcançar os mínimos para o Campeonato do Mundo, que irá decorrer também no Dubai, mas será em Novembro de 7 a 15, bem como confirmar mínimos para a sua continuidade no projecto paralímpico, de lembrar que o Mário entrou para a alta competição em Maio de 2014 e onde se tem mantido até agora.
Mário Trindade teve o seu melhor ano competitivo em 2018, onde conquistou para Portugal, a medalha de Ouro nos 100 metros, e o recorde dos Campeonatos da Europa na mesma distância, conquistou também a medalha de Prata nos 400 metros, no Campeonato da Europa que decorreu em Agosto de 2018 em Berlim.
Com o
livro editado anteriormente, Gentes da Minha Terra, tinha dado por terminado o
desfiar das memórias da minha juventude (1955/65) e da terra onde nasci, Reguengos
de Monsaraz, mas nas poucas conversas com alguns “rapazes da minha idade”, e
sem que seja esse o objectivo, surgem nomes, locais e profissões que acabam por
nos levar a esses anos que tenho tratado, ou seja, quase que sou obrigado a
voltar àqueles anos e com abordagens que se podem considerar o prolongamento
dos textos anteriores.
Se já tinha falado sobre as “Gentes” e alguns locais, agora era a vez de
complementar com as actividades/profissões, pois eram tão diferentes em
diversidade e número que, para os mais novos, poderá parecer ficção, agora,
quem acredita que naquela vila, a pouco mais de 25 kms da fronteira com
Espanha, havia 30 metalúrgicos/ferreiros, 19 barbeiros, 50 empregados em Vendas
(tabernas) e cafés, 73 caixeiros (mercearias e lojas de fazendas), etc.? E
algum dos nomes castiços, sem necessidade de recorrer a outras línguas, como:
Joaquim do Maia, Manel da Rita, Sem ceroulas, Loja dos Rapazes?
Claro que esta passagem por quase todas as ruas da vila está mais acessível aos
que ali vivem, digamos que está feito para eles, espero que, a todos, “sirva de
proveito”!
Corri as minhas
modestas quatro maratonas na já longínqua década de 80 do século passado.
A primeira vez
que corri a mágica distância dos 42,195 km foi em 18 de
Dezembro de 1983, com 23 anos de idade e cerca de três anos de prática de
corrida. Tratou-se da segunda edição da Maratona
Spiridon
A prova decorreu
no Autódromo do Estoril e se, à luz dos tempos actuais, pode parecer muito
estranho uma maratona às voltas dentro de um autódromo, com tudo o que isso
implica de solidão e monotonia, na altura fazia todo o sentido. Eram tempos em
que se tornava praticamente impossível organizar uma prova com a circulação
automóvel fechada e ainda para mais uma maratona, com todo o tempo que isso
implica, logo o autódromo foi a solução ideal para uma maratona em segurança,
sem automóveis.
Terminei essa
maratona com a marca de 3 horas 29 minutos e 16 segundos, o que fez com que
tenha completado todas a minhas maratonas abaixo dos cinco minutos ao quilómetro.
Tenho algumas
memórias, não muitas, dessa estreia nos 42,195 km.
A memória mais
marcante foi mesmo o meu final de prova. A prova terminava em plena recta da
meta do Autódromo do Estoril. Convém aqui explicar que naquele tempo as metas
estavam muito longe de ter a “exuberância” dos tempos actuais, eram metas
“tímidas”, sem pórtico insuflável, sem som etc. Muitas vezes limitavam-se a um
simples risco no chão com a palavra meta escrita. Logo, as metas tornavam-se
muito menos visíveis.
Em plena recta da
meta, na companhia de um amigo que por lesão falhou a maratona mas fez questão
de me acompanhar nos últimos metros, eu só lhe perguntava em que zona da recta
ficava a meta.
Vinha
completamente “roto”, a recta da meta parecia-me de uma vastidão imensa e nem a
meta conseguia vislumbrar!
Acabei a minha primeira
maratona sem levantar os braços, sem festejar. Lembro-me que o sentimento foi
de alivio e praticamente nem sequer senti que tinha terminado a minha primeira
maratona!
Mal acabei a
maratona, “arrastei-me” para o carro do meu tio Egas Branco, um saudoso 4L, e
foi nele que, enquanto me vestia, tive uma valente cãibra, tendo de abrir
rapidamente a porta e esticar a perna! Foi também dentro do carro que comecei a
“perceber” que tinha acabado de correr uma maratona e a sentir um grande
alegria pelo facto!
Mais duas
curiosidades: O meu tio Egas Branco também se estreou na maratona nessa prova e
corria um pouco mais atrás de mim; sendo amigo do pessoal da organização, eu a
cada volta que concluía perguntava como estava o meu tio e mandava-lhe
mensagens motivadoras de viva voz e através de quem estava em funções de
controlo da prova!
Não disse a
ninguém da família que iria correr a maratona. Quando cheguei a casa, o meu
saudoso avô perguntou-me que distancia é que tinha a prova que eu tinha corrido,
ao que eu respondi 42,195 km, tendo ele imediatamente ripostado: mas isso é a
maratona! É sim, disse eu, ao que ele respondeu: és doido! E eu prontamente
retorqui: sou sim senhor!
Nota: de
salientar que participei num centro de treino para a maratona, organizado pela Revista Spiridon, com
vista precisamente a essa maratona.
Sem essa minha
participação no centro de treino muito dificilmente acabaria a maratona ou nem
sei mesmo se me abalançava a tal desafio.
A minha segunda
maratona foi a Quinta Maratona Cidade de Torres Vedras, corrida em 9 de
Dezembro de 1984.
Muito pouco me
lembro desta prova, tenho de confessar. Mas ficaram algumas imagens.
No começo da
prova, lembro-me nitidamente de o Professor Mário Machado, que assistia à
prova, gritar para um atleta: vai aí com os Brancos, que eles são certinhos!
(os Brancos éramos o meu tio e eu...).
A Maratona
terminava com um valente rampa, uma mesmo “tramada” para um final de maratona!
Em conversa telefónica na véspera o Professor Mário Machado alertara-me para o
facto e disse-me mesmo: dificilmente vais conseguir acabar a correr!
Fiquei a pensar
nestas palavras, e, como até gostava de subir e fazia-o bem, em vez de pensar
nesse final “assassino” da maratona vi-o como desafio: tenho de acabar a
correr!
O certo é que “engrenei”
pela rampa acima de tal maneira que um espectador gritou: O VELHO VAI CHEIO DE FORÇA!
Pois esse “velho” tinha 24 anos e quando desligou o cronómetro ao cortar a meta
verificou com espanto que tinha percorrido os 42,195 km em três horas, dezanove
minutos e dez segundos, pulverizando a marca anterior!
Nessa maratona já
acabei a festejar e a sentir toda a felicidade de correr uma maratona.
Também guardo a
felicidade de ter sido proporcionado aos atletas um banho quente, o que me
soube pela vida.
Na minha terceira
participação na Maratona, apontaria para a Foz do Arelho, rumo à Maratona
Nacional do INATEL, em 21 de Março de 1985.
Para esta prova,
o Professor Mário Machado teve a enorme gentileza de se encontrar comigo nos
Pasteis de Belém num final de tarde / noite de um dia de muita chuva. Eu levei
o esquema dos treinos que fazia e ele traçou-me um plano para a maratona numas
folhas de papel e definiu o objectivo com três horas e dez minutos para
completar os 42,195 km.
Fiquei
absolutamente espantado com o objectivo das três horas e dez mas se havia, e
há, pessoa em quem eu confio para planificar o treino é o Professor Mário
Machado.
Lá me atirei ao
treino com esse objectivo das 3 horas e 10 com confiança e aquela certeza que
em caso de qualquer problema era só telefonar ao Mário (uma grande amizade a
caminho dos 30 anos permite-me este tratamento informal).
Dessa maratona
tenha muitas recordações mas todas elas apontam no sentido da maratona perfeita
em que fui cheio de pujança e determinação.
Do abastecimento,
(em copos com se fazia na altura), ao “vídeo” feito no velhinho formato de Súper
8 pelo meu tio, ao “arranque” no abastecimento dos 30 km em que atirei o copo
ao chão e deixei “pregados” ao alcatrão os corredores que comigo iam, são tudo
lembranças lindas.
Também apanhei um
valente susto ao encontrar uma bifurcação dentro das Caldas da Rainha, e já no
retorno para a Foz do Arelho, onde não se encontrava nenhum policia, nenhum
elemento da organização, nenhuma sinalização no chão que indicasse o caminho a
seguir! Foi por puro palpite que acertei no caminho mas poderia ter acabo ali
os meus meses de treino árduo e a excelente prova que estava a fazer.
Cortei a meta
feliz e vibrante e mais feliz fiquei ainda ao ler o que o meu cronómetro dizia:
três horas, dez minutos e vinte e sete segundos.
Tinha “falhado” o
objectivo traçado pelo Mário em 27 segundos, ou seja, ele acertara em cheio ao
apontar para as 3:10 e eu era um maratonista imensamente feliz ali na bela Foz
do Arelho!
A minha quarta
Maratona foi a terceira
edição da Maratona Spiridon em Sintra, nomeadamente na Granja do Marquês em
12 de Dezembro de 1985, e nela faria o tempo de três horas, quinze minutos e
dezasseis segundos. Novamente integrado no Centro de Treino Para A Maratona (o
segundo e último organizado pela Revista Spiridon) encontrava-me em excelente
forma e o objectivo que me era apontado seria quebrar a mítica barreira das 3
horas. Foi portando uma maratona em que falhei redondamente AS
MINHAS MARATONASo objectivo!
Ainda hoje não
entendo bem o que me aconteceu! Não tive nenhuma grande quebra física, nenhuma
lesão, nenhum problema repentino de saúde. Pura e simplesmente não conseguia
meter o andamento certo, sentia-me estranho como se não estivesse ali a correr.
Foi uma prova em que fundamentalmente o que falhou foi a parte psíquica, pura e
simplesmente o cérebro não conseguiu entrar em “modo de maratona”!
Não sei se um
familiar muito querido e gravemente doente teria contribuído para este meu
“apagar” durante a prova.
O que sei é que
não atribui ao mau tempo que se abateu sobre a prova, com vento forte, chuva e
granizo, a minha falha no objectivo traçado
para a mesma. Foi
a maratona em que recuperei mais rapidamente o que prova ter andado abaixo dos
meus limites.
A felicidade que
tive nesta prova veio do resultado obtido na mesma pelo meu tio, que faria o
seu recorde pessoal na distância, com a marca de três horas, trinta minutos e
trinta segundos. Aos 47 anos, e a menos de dois meses de fazer os 48, o Egas
teve uma excelente prestação mas poderia ter sido muito melhor, não se tivesse
lesionado antes da última volta, acabando por a fazer em grande dificuldade
física e perdendo imenso tempo. Não tivesse sido a lesão, era bem provável que
o Egas me tivesse apanhado ou mesmo ultrapassado!
Um dado curioso,
e que atesta a condições atmosféricas em que decorreu a prova, foi facto que me
foi relatado recentemente por um dos cronometristas daquela longínqua maratona:
teve de se meter debaixo do saudoso jipe UMM para conseguir fazer a
cronometragem! (chips era coisa nem sonhada na altura).
Se corri
oficialmente a maratona por quatro vezes, o certo é que faria por mais três vezes
a distância da maratona.
Em 18 de Abril de
1987, participaria na segunda edição das 12
horas de Vila Real de Santo António, onde obteria a marca de 101,650 km
(quinto classificado) tendo assim cometido o “exagero” de correr duas maratonas
seguidas e ainda mais alguns quilómetros.
Muito mais
recentemente, em 2017, precisamente no dia em que passaram 30 anos sobre a
minha participação nas 12 horas de Vila Real de Santo António, fiz um
treino comemorativo do facto, correndo 45,250 km (dados de GPS).
Agora, graças às
novas tecnologias, posso ver no GPS que nesse dia corri os 42,195 km em seis
horas, três minutos e seis segundos. Claro que os dados do GPS não são 100%
exactos mas o certo é que nesse dia juntei mais 42,195 km à minha colecção.
Tenho assim que
entres provas oficiais, uma prova de 12 horas e um treino comemorativo, corri
por sete vezes os 42,195 km. Confesso que só recentemente fiz esta
contabilidade, e fiquei a pensar que era bonito chegar às 10 vezes em que tenha
corrido os 42,195. Mas acho que o “esqueleto” já não dá para grandes avarias.
De qualquer forma, ainda vou “mexendo”!