sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018
terça-feira, 20 de fevereiro de 2018
O PRIMEIRO KM MAS NÃO O ÚLTIMO!
O primeiro quilómetro (mas
não o último), de uma caminhada muito trôpega.
Vai ser uma longa, dura e demorada
luta mas estamos nela.
Um abraço a todos os
amigos reais e virtuais.
Aqueles que valem a pena
(eles sabem quem são) a minha fraternidade do tamanho do mundo. Um mundo que
quero mais igualitário, fraterno e belo para todos. Um mundo onde homens jamais
explorem outros homens.
ESTAMOS NA LUTA!
(Um aparte muito especial
para esse resistente que dá pelo nome de Egas Branco.
quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018
Parabéns Egas
pelas tuas 80 primaveras. Como é bom poder estar aqui a dizer-te isto!
Temos uma bela e linda estrada que corremos juntos pela
vida mesmo quando ela se torna mais sinuosa, dura e complicada.
Que mais poderei dizer de ti que já não tenha dito? Tudo
o que possa escrever sobre ti por mais que seja muito é sempre tão pouco.
Uma certeza tenho: Serão homens como tu os construtores
de uma sociedade mais justa, fraterna e igualitária onde homens jamais exploram
outros homens.
Mais que meu tio, és meu amigo porque os amigos
escolhem-se e os tios não.
Mas mais que meu tio, és meu mestre, meu professor, meu
exemplo de como levar uma vida com dignidade, sempre de cabeça levantada,
sempre na luta contra as adversidades da vida, sempre na luta também pelos
outros, por um mundo mais justo e belo.
Fica muito difícil dar os parabéns pelas suas 80
primaveras quando essa pessoa representa tanto para mim, a alguém a quem tanto
devo. Mas não é correcto falar em dívida porque a fraternidade não é uma
mercadoria vendida a peso!
Parafraseando o Zeca Afonso: AMIGO MAIOR QUE O PENSAMENTO!
Que venha mais estrada para percorrermos juntos.
Jorge Branco.
domingo, 4 de fevereiro de 2018
AOS AMIGOS DA BLOGOSFERA CORREDORA.
Peço desculpa, amigos da
blogosfera corredora, por nos últimos tempos não ter acompanhado os vossos
blogues. Problemas, complicados, de saúde ao nível nervoso (digamos assim) têm
impedido de o fazer.
Apenas consigo “espreitar” o
Facebook, publicar ou comentar uma ou outra coisa e mesmo assim não é nada
fácil.
A todos os amigos que me têm
apoiado nestes momentos mais complicados, cinzentos e duros, da minha vida, um
abraço do tamanho da fraternidade.
Não querendo destacar ninguém
em particular não posso deixar de referir aqueles amigos mais chegados (por
incrível que pareça alguns ainda nem conheço pessoalmente) e que estão mais por
dentro da situação e me têm dado uma enorme força e me têm “aturado”.
Mais que ninguém sou eu que quero
sair disto. Não é nada fácil, mas irei sair!
Nota: não estranhem a ausência
de resposta aos vossos eventuais comentários a esta mensagem, vou tentar vê-los
e responder na medida que o meu estado clínico mo permita.
sexta-feira, 19 de janeiro de 2018
DO LADO NEGRO DA VIDA PARA A LUZ OU O CAMINHAR DA SAÍDA DO ABISMO PARA A VIDA.
A norma deveria ser o
Serviço Nacional de Saúde ser um serviço de qualidade e os seus profissionais
desempenharam as suas funções com o profissionalismo que lhes compete. Infelizmente
nem sempre é assim.
Também não tem muito
lógica vir fazer elogios públicos a quem “apenas” desempenhou as suas funções
com a competência profissional que lhe é devida. Mas pessoalmente é me
impossível não vir fazer aqui este elogio publico à competência e humanismo de
todos os profissionais que cuidaram de mim no Hospital Distrital de Santarém
(HDS) entre a tarde noite de domingo dia 14 de Janeiro de 2018 e o principio da
tarde do dia 15 de Janeiro.
Tendo dado entrada com uma
gravíssima crise da ansiedade digamos assim, ou seja um sistema nervoso que
pura e simplesmente arrebentou depois de andar anos a empurrar a “carroça” para
a frente, de ver a minha vida e de parte da minha família destruída por adeptos
de um neoliberalismo nojento, fui tratado e recuperado para a vida no HDS por
profissionais de uma competência e profissionalismo extraordinários!
Começando na triagem,
passando pela excelente médica (salvo o erro de nacionalidade cubana) que me
fez o diagnóstico, passando pelos enfermeiros e pessoal auxiliar.
Passei a pior noite da
minha vida numa maca a tremer com ansiedade pese embora toda a “carrada” de
medicação que me deram à espera que a psiquiatria “entrasse” às 9 horas de
segunda-feira. Dormi uma hora se tanto nessa noite. Fruto do acaso a minha maca
ficou mesmo quase junto à porta do gabinete dos enfermeiros na Urgência e
apesar do estado em que estava pude escutar todo o tipo de conversas dos mesmo,
apreciar o seu profissionalismo mas também a incrível e criminosa falta de
meios como é não terem um medicamento absolutamente básico para baixarem a
febre a um doente (e que não divulgo o nome mas que eu próprio já tomei em
situações de febre muito elevada e que é algo de uso corrente e até barato).
Não posso esquecer a forma
como os enfermeiros me trataram, a médica que me assistiu e depois veio várias vezes
falar comigo não esquecendo o pessoal auxiliar que paciente e carinhosamente me
levou várias vezes à casa de banho tratando-me sempre por amigo. Como não
esqueço a “minha” enfermeira que na mudança de turno das 8 da manhã se veio
despedir de mim e desejar as melhoras.
Transportado novamente com
todo o zelo e carrinho para a psiquiatria às 9 e tal da manhã de segunda-feira
onde entrei com o pulso a 150 batimentos por minuto o que dá para ver o estado
em que estava!
No serviço de psiquiatria
não tenho palavras para descrever a forma magistral profissional e humana com
fui tratado pela Doutora Paula Pinheiro.
Para além da parte psiquiátrica
tiveram imensa atenção á parte cardíaca e refizeram-me analises (tinha o
potássio elevado mas entretanto baixou). Na parte cardíaca levaram-me à
urgência para fazer um ECG e a Doutora Paula Pinheiro consultou uma colega via
telefone sobre o mesmo (visto não ser a especialidade dela) e por fim ela
própria atravessou todo um labirinto de corredores e levou-me a um
cardiologista na Urgência!
Tratado da parte
psiquiátrica a Doutora Paula Pinheiro não me queria dar alta sem ter certeza
absoluta que a parte cardíaca estava bem!
Apesar de ainda ter o
pulso a 105 o cardiologista achou o ECG bem e foi no gabinete dele que a
Doutora me receitou os medicamentos que me permitem estar aqui hoje a escrever
isto.
Foi aí que me deu alta
perguntado se eu sabia o caminho da saída que infelizmente já conhecia
relativamente bem.
E foi às duas e tal da
tarde que um Jorge Branco extremamente fraco e cansado mas feliz saiu pela
urgência do HDS mais convicto que nunca que a saúde não é um negocio, a
detestar mais que nunca a medicina privada, os hospitais privados, os seguros
de saúde e quem trata um doente como um cliente e não como paciente!
Mas foi também um novo
Jorge Branco que saiu do HDS a amar mais que nunca os excelentes profissionais
do Serviço Nacional de Saúde e a defender com unhas e dentes um Serviço
Nacional de Saúde gratuito de qualidade e para todos.
E não me venham dizer que
não há dinheiro! Porque privatizaram a GALP, EDP, TELECOM empresas que podiam
encher os cofres do Estado em vez dos bolsos do grande capital? E isto é só uma
pequena ponta deste enorme monstro que é este estado capitalista abjecto!
Vi tanto sofrimento humano
mas também tanto profissionalismo que saí diferente do HDS.
Posso dizer que saí do HDS
mais comunista que nunca.
E não posso esquecer que
até uma sopa do almoço dos funcionários do Serviço de Psiquiatria me deram pois
eu não comia desde o almoço de domingo ( e onde comi muito pouco pois tremia
por todos os lados) tirando um pequeno pacote de bolachas que uma senhora que
também foi a uma consulta de urgência no Serviço de Psiquiatria me deu. É tão
linda a solidariedade humana!
Neste período negro da
minha vida em pouco tempo perdi 8 quilos eu que pesava 58 para 1.62 de altura e
agora ando nos 50 senão mesmo nos 49 quilos.
Enfim quem disser mal do
Hospital Distrital de Santarém na minha frente ganha um inimigo para a vida
toda!
VIVA O SERVIÇO NACIONAL DE
SAÚDE! VIVAM OS SEUS PROFISSIONAIS ABNEGADOS, COMPETENTES E HUMANISTAS!
MORTE À SAÚDE COMO UM
NEGOCIO! MORTE AO CAPITALISMO.
Dêem meios e invistam num
Serviço Nacional de Saúde com profissionais competentes e deixem-se de tretas!
Não estou bem, não estou
curado, mas estou extremamente melhor e isso devo-o à maneira como fui tratado.
Não sei se estaria aqui hoje se não fosse o excelente profissionalismo de uma
quantidade de homens e mulheres mal pagos, com falta de meios, mas que exercem
com profissionalismo e brio as suas funções.
Vale muito mais um simples funcionário
auxiliar do HDS que qualquer ministro!
E já agora podem dizer que
não tem nada a ver com isto mas para mim e para muitos tem tudo: VIVA O PARTIDO
COMUNISTA PORTUGUÊS!
Estou na luta por mim,
pelos outros, pela humanidade e por um mundo melhor mais justo humano e
igualitário onde valha a pena viver e ser feliz!
Não deixo aqui um obrigado
a todos mas deixo um abraço fraterno e solidário a todos os que me trataram, a
toda a minha família, e aos meus amigos.
VIVA O HOSPITAL DISTRITAL
DE SANTARÉM!
Nota:
(escrito com o coração)
Jorge Branco.
sábado, 16 de dezembro de 2017
MEMÓRIAS DOS TRÊS ESTÁDIOS (I)
Egas
Branco
Colaboração:
Jorge Branco
MEMÓRIAS DOS TRÊS
ESTÁDIOS (I)
- ESTÁDIO 1º DE MAIO,
em Alvalade, Lisboa
- ESTÁDIO DO JAMOR
(antigo EN - Estádio Nacional), na Cruz-Quebrada, Oeiras
- ESTÁDIO UNIVERSITÁRIO,
na Cidade Universitária, Lisboa
CAPÍTULO I - OS INÍCIOS
NO EN
1- A
memória mais antiga do Jamor, que vale a pena mencionar, tem a ver com o
desporto escolar dos anos 50 do século XX, com os campeonatos de futebol de 11,
a nível dos liceus e escolas, incluindo o Colégio Militar e o Instituto dos
Pupilos do Exército, então marcadamente classistas, com o Colégio só para
filhos de oficiais e os Pupilos só para filhos de sargentos, isto durante o
fascismo. Dado o regime de internato que ambos tinham, apresentavam equipas
muito fortes em relação aos "amadores" das restantes escolas. Os
jogos eram em geral disputados no campo de treinos, pelado que no Inverno se
transformava rapidamente num enorme lodaçal. Só em casos muito especiais, como
por exemplo a disputa de finais, se ia para o relvado de treinos. Mas apesar
das condições desfavoráveis juntavam às vezes grandes assistências.
Joguei
sempre, assim que tive idade (15 ou 16 anos), pelo meu liceu, o D. João de
Castro. O responsável pela nossa equipa era o Professor de Educação Física, Serradas
Duarte, de quem todos gostávamos muito pelo seu humanismo e mais tarde viríamos
a saber que era efectivamente um homem de esquerda, tendo infelizmente falecido
muito novo, ainda no nosso tempo de estudantes. Lembro-me da minha estreia,
quando mandou avançar o puto, o benjamim da equipa de craques... Alguns dos
quais se viriam a distinguir, conseguindo a internacionalização, noutras
modalidades (andebol, atletismo, etc).
Mas o
grande acontecimento desses anos, para além do futebol, terá sido a realização de
uma grande competição internacional de corta-mato, o Cross das Nações, em meados
dos anos 50, que antecederia os Mundiais, nos terrenos anexos, onde mais tarde pensariam
fazer um hipódromo, o que felizmente nunca aconteceu e depois um campo de golfe
que felizmente também pouco durou e finalmente uma pista de corta-mato, onde
Carlos Lopes seria campeão mundial nos anos 80, num autêntico tapete de relva
embora acidentado como convinha para um traçado de corta-mato. Portugal tinha
então uma grande equipa, com aspirações ao pódio, cujo principal atleta era o
famoso Manuel Faria, que sucedera a Filipe Luís e José Araújo e se notabilizara
no estrangeiro com vitórias nas famosas S. Silvestres do Rio de Janeiro e de
São Paulo, onde derrotaria o famoso atleta soviético Vladimir Kuts, que foi um
dos mais célebres fundistas de sempre. Todavia, com uma enorme presença de
público a assistir, a desilusão foi muito grande, com os atletas portugueses muito
longe do que se podia esperar. Obviamente que assisti a essa primeira grande
competição de atletismo no nosso país.
Original da foto aqui
2- Muitos
anos mais tarde, no início dos anos 80, voltaria lá, para treinar, em geral de
manhã muito cedo, de Verão ou de Inverno, com quaisquer condições de tempo,
antes do trabalho, em companhia do meu sobrinho Jorge Branco, podendo dizer que
foi aí que começámos a ser corredores de fundo, ultrapassando definitivamente o
chamado jogging que havíamos iniciado no Estádio 1º de Maio, do INATEL.
Aí também
conheceríamos o Grupo de Manutenção do EN, dirigido pelo saudoso Professor Reis
Pires, que havia sido um jogador internacional de basquetebol, a quem nos
juntávamos episodicamente, embora aí o objectivo fosse a manutenção simples, ou
a outros grupos de atletas (relembro os Mokas) e com bastante regularidade, aos
fins-de-semana, ao grupo do grande atleta do Belenenses, Joaquim Branco, que
fora recordista nacional de quase todas as distâncias do fundo e meio-fundo, mas
nessa altura já veterano, e que muito nos aconselhou sobre a prática desta
modalidade de que em pouco tempo nos tornámos fãs.
CAP II - O ESTÁDIO UNIVERSITÁRIO
1-
Utilizámo-lo em vários períodos do nosso treino, de madrugada ou ao fim da
tarde, o que no Inverno significava, de noite.
Relembrar
os episódios que nos ligam ao Estádio, desde os velhos tempos da pista de cinza
do estádio principal, que media 500 metros (quem teria sido a cabeça que
decidiu isso, ignorando que as pistas de atletismo são de 400 metros?), é
difícil, tantos eles são, alguns até trágico-cómicos, que um dia talvez conte
(sem mencionar nomes para ninguém se sentir melindrado). Havia também uma pista
de 400 metros, onde às vezes íamos fazer séries, mas fora do Estádio, só para
treino uma vez que não tinha lugar para o público. Julgo que ainda existirá.
Falar dos
atletas que então conhecemos será ainda mais difícil, alguns de quem a memória
já não retém os nomes. Ou do responsável durante muitos anos do balneário
principal, Sr. Oliveira (?), a quem, por iniciativa salvo erro do Eugénio
Ruivo, se fez uma homenagem que consistiu em 24 horas a correr na pista
principal, em que os atletas e participantes iam passando o testemunho para que
a cadeia nunca fosse quebrada. Muitos anos mais tarde, estando ele já
reformado, encontrei-o na Parede, no pequeno parque entre a estação de caminho-de-ferro
e a praia, perto da casa onde ia passar uns dias no Verão, em casa de família
ou amigos, aproveitando a praia e conversámos longamente sobre os tempos
passados.
Quanto ao
Eugénio Ruivo, presença habitual no Estádio, continua por aí bem activo, a
correr também, e nunca esquecendo os anos em que foi o responsável pela Corrida
da Festa do Avante, a que continua a não faltar. Eu é que já me limito só à
caminhada, entre a Atalaia e o Seixal e volta, e (ou) às fotografias.
Mas
desses tempos de treino no Universitário são inesquecíveis os dois Centros de
Treino da Maratona, organizados pelo Professor Mário Machado, fundador e
director da Revista Spiridon, e o nome mais conhecido e mais importante da
Corrida para Todos no nosso País, a que continua ligado, continuando a ser o
director técnico das corridas das pontes, 25 de Abril e Vasco da Gama em
Lisboa, grandes sucessos de desporto de massas, envolvendo muitos milhares de
participantes, cerca dos 40 mil e que continua a ser um corredor de grande
nível como o demonstra a sua recente participação no Camboja numa duríssima
competição em auto-suficiência.
Foto FB da Revista Spiridon
Participámos
nos dois Centros e fizemos as maratonas que se seguiram, a primeira no
Autódromo do Estoril, organizada pela Revista Spiridon. A segunda em Torres
Vedras, uma vez que a da Revista Spiridon seria cancelada à última hora por
impossibilidade de acordo com a direcção do Autódromo.
Até então
as maratonas tinham participação muito limitada, havendo o preconceito, até de
figuras responsáveis, de que exigiam um esforço prejudicial à saúde, e foi a
partir daí que começaram a ser incluídas nos projectos de muitos corredores de
pelotão, como nós.
Desses Centros
retemos as sessões de séries na velha pista de 500 metros, à noite, com a
pouquíssima iluminação que o Estádio tinha, porque não iam acender os
projectores principais para nós.
Das
sessões de V6, abreviatura da variante 6 do método do famoso professor e
treinador Van Aken, em pista, que apreciávamos pelas mudanças constantes de
andamento, sempre em crescendo, com resultados assinaláveis na nossa
resistência e andamento.
Também das
sessões de Fartlek, então novidade para muitos, que nos eram marcadas e que
tentávamos cumprir à risca, em geral no fim-de-semana e de que gostávamos
também muito, embora fossem "puxadas".
E dos
treinos em grupo, que se faziam também durante o fim-de-semana, em Sintra, no
Guincho, em Monsanto, na Aroeira, com acompanhamento dos coordenadores do
Centro (João Pires, José Martins e outros), incluindo obviamente o
responsável, o próprio Professor Mário Machado.
Anos
depois tornar-se-ia habitual para nós ligar os dois Estádio durante um único
treino, o do 1º de Maio com o Universitário, com partida e chegada ao primeiro,
em treinos mais ou menos longos. E também fizemos a ligação de longa distância
entre o EN e o EUL, com partida e chegada ao EN. Embora eu sonhasse com a
ligação entre os 3 Estádios, nunca se chegou a tentar, devido à distância e principalmente
ao desgaste provocado pelas duas duras travessias da Serra de Monsanto, o que
para mim era nessa altura ainda demasiado, e foi apenas do EN ao Universitário
e regresso, o treino que fizemos, tendo durado três horas e meia.
Das
personalidades dessa época não podemos deixar de relembrar o saudoso Rolim, atleta
extremamente resistente e de grande potencial para as grandes distâncias, que
poderia ter sido um maratonista de topo mas a quem a falta de métodos de treino
racionais prejudicou irremediavelmente. Anos mais tarde voltámo-lo a encontrar
no Estádio 1º de Maio, no seu Inatel, instituição de que era funcionário.
Treinava então nos terrenos anexos ao Ministério da Justiça e dali partia, às
vezes em treino, para o 1º de Maio.
Ou os
marchadores, com o campeão António Pinto em grande destaque que invariavelmente
nos ultrapassava, na pista, ele a marchar e nós a corrermos.
Também o
Carlos Lopes, o grande campeão, houve alturas em que era habitual cruzarmo-nos
com ele no relvado da Reitoria da Universidade, a que dávamos umas voltas.
E muitos
mais, alguns também bons Amigos que permanecem até hoje, embora já nos vejamos
pouco.
CAP III -
O ESTÁDIO 1º DE MAIO, DO INATEL
Mas foi
neste estádio que demos verdadeiramente as primeiras passadas. Numa altura em
que saber que entre os habituais daquele estádio estava o Sr. João, lendária
figura durante muitos anos daquele espaço que, embora praticamente sem entrar
em competições (fez apenas, e só às vezes, a Meia-Maratona da Nazaré), fazia
treinos diários de mais de uma hora de duração, era para nós motivo de espanto
e admiração.
A nossa
evolução, por iniciativa do meu sobrinho Jorge Branco, foi no entanto rápida
mas segura, com o início da nossa participação em competições, as primeiras das
quais foram nas primeiras edições das famosas corridas do Círculo de Leitores e
Corrida do Tejo, esta última no seu primitivo trajecto, que pessoalmente
continuo a preferir. É que a chegada em frente do edifício principal da Câmara
Municipal de Oeiras era carismática, com o seu sui-generis funil em serpentina.
Falar do
Estádio 1º de Maio traz um ror de recordações e a lembrança de muitos amigos e
companheiros de estrada e pista que por ali passaram, alguns infelizmente
inacreditavelmente já desaparecidos.
E não
posso deixar de citar entre alguns outros, o grande Armando de Sousa, magnífico
atleta e bom amigo; o Cruz da TAP, cujo desaparecimento nos chocou a todos; o
Dr. Jorge Coelho, apaixonado pela sua Académica, antigo membro duma república
coimbrã e também um bom amigo; o Hernâni, dos mais velhos, a quem a certa
altura chamávamos carinhosamente Dr. Niflux, porque se servia desse medicamento
como uma espécie de banha da cobra; o Anacleto Pinto, ex-atleta doutra galáxia,
grande campeão a nível internacional, chegando a ser o melhor júnior mundial,
maratonista nos Jogos Olímpicos de Moscovo por se recusar a participar no
boicote fascizante, e na opinião de muitos, um atleta com condições físicas
potenciais para ser o melhor atleta português de fundo de sempre e também um
bom amigo, sempre pronto a auxiliar-nos a nós modestos corredores de pelotão; e
o inesquecível Fernando Rocha, da ARS, sempre pronto a ajudar os amigos e a
quem nunca vi tomar uma atitude menos correcta com quem quer que fosse, e que
durante anos foi um atleta sempre presente no Estádio 1º de Maio. Infelizmente
deixou-nos muito cedo.
Dos
outros, mulheres e homens, uns que já deixaram de correr e outros que continuam
sempre e nunca desistem, gostaria de citá-los mas são muitos e continuo a
sentir uma grande amizade por quase todos. Como se trata de um Estádio criado
em princípio para usufruto dos trabalhadores, ali chegaram vindos
principalmente das grandes empresas da zona - EDP, CTT, Telefones, Metro,
Carris, IBM, TAP, etc, etc.
Mas
talvez valha a pena citar o velho Tom, um norte-americano que um dia aportou na
nossa cidade em trabalho e por aqui foi ficando com a companheira, e ali aparecia
diariamente para treinar na pista, com quem brincávamos dizendo que adorava
beber uns goles de whisky no final dos treinos. Quando o Jorge Branco cometeu
as suas proezas de longa distância, que foram contadas ao Tom este só comentou.
"Strong man!" Não sei nada dele. Um dia regressou ao seu país e nada
mais se soube. Creio que o último contacto teria sido com alguém que há muitos
anos foi fazer a maratona de Nova Iorque.
Mas para
nós pensar em Estádio 1º de Maio, significa também pensar nas deambulações à
sua volta, tantas e tão diversas que será impossível citar todas embora para
nós as idas ao Universitário através do Campo Grande, as idas à Quinta das
Conchas pela estrada do Lumiar, as idas ao Parque da Bela Vista ou à Rotunda do
Aeroporto, talvez sejam as mais memoráveis.
E não
resisto em citar outro grande amigo que há dias mo relembrava por e-mail:
"Egas,
era nos tempos em que fazíamos um percurso de treino inventado por ti, e que eu
chamei por piada a Pan-americana... Inatel, Estádio Universitário, bosque da
Rotunda hoje Gomes Ferreira, parque da Bela Vista, Av.Eua, Inatel. Duas
horas e picos..." (José Dionísio, 8-Dez-2017)
Mas a que
podia ter sido a nossa coroa de glória, era o meu sonho da ligação entre os 3
estádios, com partida do EN, travessia de Monsanto, passagem pelo EUL
(universitário), passagem pelo 1º de Maio, e regresso ao EN, com o indispensável apoio e participação do Jorge.
Infelizmente
não consegui realizá-lo nessa altura. Projectámos e realizámos apenas a ligação
de ida e volta entre o EN e o EUL. Foram três horas e meia de duração que
acabaram dramaticamente porque eram para ser feitas sempre a correr e no
Dafundo este modesto atleta teve que parar e seguir a pé até quase ao EN, só
voltando a correr no final. O Jorge, obviamente, fê-lo sem problemas de maior.
Eu, dei o grande estoiro como se dizia na gíria... Tenho muita pena que não
tivéssemos feito outra vez, porque era um percurso muito bonito e
particularmente duro devido à travessia da Serra de Monsanto. Mas entretanto
chegaram as competições de Montanha, a que hoje chamam Trail, e o nosso
projecto ficou esquecido...
(para
continuar)
quarta-feira, 4 de outubro de 2017
MEMÓRIA - AS "MINHAS MULHERES" DA CORRIDA "Honi soit qui mal y pense!" (escrito entre 21 e 22 de Setembro de 2017, só com recurso à memória)
Por: Egas Branco
ROSA MOTA
Foi nos anos 80 do século XX que a nossa campeã começou
verdadeiramente a tornar-se uma grande atleta, a caminho de ser a melhor maratonista
de sempre até à sua altura. Lembro-me da tarde em que, inesperadamente, porque
poucos o julgariam possível, Rosa Mota em Atenas, nos Campeonatos Europeus de
Atletismo, cometeu a grande proeza de vencer destacada a maratona. Quando a
televisão, na altura apenas o canal público, nos mostrou Rosa à frente foi uma
emoção, enorme quando a vimos entrar isolada no Estádio Olímpico.
Foi uma das maiores emoções porque passámos a ver televisão. Por
tudo: porque os êxitos dos portugueses nas grandes competições desportivas,
fora dos desportos de elite, praticados apenas pelas classes até então
favorecidas (o hipismo, a vela e pouco mais) serem inexistentes, e principalmente,
talvez, pela enorme simplicidade da atleta portuguesa que, a despeito de todos
os triunfos e glórias, que foram até ao ouro olímpico, se manteve sempre inalterada
ao longo de toda a sua carreira e depois dela terminada. Privilégio dos muito
grandes, na sua actividade e na sua humanidade.
Por essa época Rosa continuava a apoiar a Corrida para Todos,
ainda na sua fase inicial de crescimento, que desabrochou verdadeiramente
durante e após a Revolução de Abril. Conservamos o seu autógrafo, obtido no
final de uma prova em que se promovia também a construção da primeira pista de
tartan no Porto, cidade natal de Rosa!
GRETE WAITZ
Tínhamos por ela uma admiração enorme, que se foi consolidando
ao longo da vida, pela grande maratonista norueguesa, que demonstrou que a
maratona poderia ser corrida com grande sucesso pelas mulheres.
Desde sempre fui contra toda a discriminação, no Desporto
também. Por isso admiro os discriminados que não aceitam a discriminação e
contra ela lutam. Grete fê-lo e juntamente com o seu amigo Fred Lebow ajudou a
lançar a maratona de Nova Iorque, que Fred havia criado do nada, e em que
participou e venceu várias vezes.
Foi com ela que Fred correu a sua última maratona, em casa, já
muito doente vindo a falecer pouco depois. Sendo comovente a fotografia que
ambos deixaram para a posterioridade, terminando fraternalmente abraçados
aquela famosa corrida.
Grete, também ela viria a ser atacada pelo cancro anos mais
tarde e não resistiria à terrível enfermidade. Mas a sua imagem e determinação
permanece para todos os que amam a Vida, no que ela tem de melhor e mais digno,
no comportamento social e na mais importante das coisas secundárias, na célebre
frase do Dr. Turblin, médico, estudioso do comportamento corpo humano em
esforços prolongados, amante do Desporto, que segundo ele é justamente a
actividade desportiva.
PAULA RADCLIFFE
Ainda continua a ser a recordista mundial da maratona (ou, se
preferirem, detentora dos melhores tempos de sempre) em prova exclusivamente
feminina ou em prova mista.
No entanto quando a vimos correr pela primeira vez, no Estádio
1º de Maio, em Lisboa, num meeting internacional, ainda era uma ilustre
desconhecida. Mas nessa tarde venceu sem apelo nem agravo as estrelas do
momento nos 10.000 metros, incluindo a que viria a ser uma das nossas campeãs
olímpicas, Fernanda Ribeiro, se não me falha a memória. Desde o início da prova
reparámos na atleta e calculámos que iria ser muito difícil às estrelas vencê-la.
Não esqueceremos o seu estilo muito particular, abanando a
cabeça ao ritmo da competição, que haveria de se manter ao longo de toda a
carreira, dando-lhe grandes triunfos.
Muitos anos mais tarde, quando já admirávamos esta grande campeã
pelos seus extraordinários resultados e principalmente pelo espírito desportivo
que demonstrava, assistimos pela TV ao seu trágico falhanço nos Jogos Olímpicos
de Pequim, quando, por indisposição, teve que parar e não mais conseguiu
recuperar. Outros teriam desistido. No entanto, como extraordinária desportista
que era, embora superfavorita da maratona, não desistiu e concluiu num, para
ela modestíssimo lugar. Depois seria mãe e voltaria aos grandes triunfos, como
na maratona de Nova Iorque, para grande alegria dos seus admiradores, entre os
quais modestamente me incluía.
RITA BORRALHO
Esta magnífica atleta que nos habituámos a admirar pelas suas
frequentes participações ou apoios às provas para todos, foi-nos dando motivos
de satisfação pelos resultados obtidos ao longo da sua carreira, nomeadamente e
mais uma vez, na maratona, onde foi atleta de topo.
Mas há um momento muito saboroso da sua carreira que nunca
esqueceremos. Ia disputar-se em Lisboa, na impecável pista de relva no Estádio
Nacional, hoje do Jamor, expressamente preparada para o evento, o Campeonato
Mundial de Cross, que o campeoníssimo Carlos Lopes haveria de vencer, deixando
para trás os campeões africanos, já então a dominar grande parte das
competições internacionais. Cada uma das equipas estrangeiras era acompanhada
por um atleta português, também em treino. A Rita Borralho coube uma equipa dos
países árabes mais fundamentalistas, talvez a Arábia Saudita, tanto quanto me
recordo. Os atletas dessa equipa começaram por achar descabido serem
acompanhados por uma mulher, ser que para eles era considerado com menos
capacidade. E a Rita haveria de conduzi-los em treino até ao hotel onde se
encontravam alojados. Conta-se que a atleta sabendo das discriminações de que
eram (e ainda são) vítimas as mulheres naquele e noutros países de governo
semelhante, resolveu dar-lhes uma lição, acelerando o andamento e puxando por
eles, modestos atletas de segundo ou terceiro plano internacional. Não querendo
dar parte de fracos seguiram "a deitar os bofes pela boca" atrás da
nossa campeã. Quando se soube cá fora da história a risada foi geral (e também
a satisfação pela lição dada).
Numa nota pessoal: cheguei a treinar naquela belíssimo tapete de
relva, o melhor em que corri em toda a vida, assim que a pista foi aberta
depois do Mundial. Infelizmente, meses depois, sem manutenção, voltou a
transformar-se no nosso velho percurso de cross, de lama e terra batida
irregular, com alguns tufos de erva, às vezes percorrido por um frio gélido,
onde durante tantos anos treinámos, de inverno a inverno.
AURORA CUNHA
Lembradas a Rosa e a Rita mal pareceria se não se citasse a
Aurora. Trio inesquecível, daqueles anos, que muito admirávamos.
Nunca nos deixámos influenciar pelas tricas inventadas e
fomentadas pelo mau jornalismo que também existia naqueles tempos saídos da
Revolução de Abril, e que nesse aspecto não é diferente do actual, agora até
bem pior por nos faltarem jornalistas desportivos da dimensão de um Carlos
Pinhão, de um Homero Serpa, de um Carlos Miranda, e outros, que obviamente não
teriam lugar nos medíocres pasquins actuais à correio da manhã, que se estendem,
no estilo, ao jornalismo desportivo.
Aurora, já retirada,
continua no entanto a ser alguém que aparece muito e colabora nas provas no seu
Porto e Norte. O que nos causa sempre uma grande satisfação, lembrando a grande
atleta que foi.
ALBERTINA DIAS
Pela elegância do seu estilo sobressaía nas provas portuguesas.
Em pouco tempo tornou-se uma das atletas portuguesas mais destacadas pela sua
qualidade, num tempo em que o atletismo, principalmente na disciplina de fundo,
se tornava um dos principais no nosso País. Mas foi no País Basco que se
tornaria Campeã Mundial de Cross, prova que seguimos em directo através da TV.
Não admirou também que nas suas incursões na maratona obtivesse
um dos melhores tempos de sempre, o segundo melhor de sempre entre as atletas
portuguesas.
Algumas vezes nos cruzámos com ela, na Corrida da Festa do
Avante, na Atalaia, quando Albertina Dias, vencedora feminina, terminada a sua
prova, vinha rebocar algum atleta amigo que ainda não havia chegado. Sempre com
um sorriso fraterno e de grande simplicidade da enorme atleta que era.
Algumas infelicidades na sua vida pessoal e familiar
encurtaram-lhe uma carreira que poderia ter sido ainda mais brilhante. Mas,
para nós, é inesquecível. Ainda nos cruzaríamos com ela nas competições de
montanha, mas estávamos já no final das nossas participações, continuando ela a
atrair a atenção pelo seu estilo elegante inconfundível.
CARLA SACRAMENTO
Uma das nossas, e não só, maiores especialistas de meio-fundo de
sempre. Vários títulos mundiais e participações olímpicas brilhantes.
As suas participações em Provas para Todos mostraram a sua
postura humana e desportiva, nunca se arvorando em grande estrela.
Recordamos, por exemplo, a sua participação numa prova de milha,
aberta a todos, disputada entre a Avenida da Liberdade e da República, que
obviamente venceu.
Também na Corrida da Festa do Avante participou algumas vezes e
era com grande admiração e satisfação que a víamos em fraternal convívio no
final daquela famosa corrida, a mais participada das que abrem a época
desportiva, no primeiro domingo de Setembro.
JOAQUINA FLORES
Começou tarde, já veterana, vindo a tornar-se no entanto numa
das atletas mais medalhadas internacionalmente, em europeus e mundiais para
veteranos.
A sua simplicidade e alegria tornavam-se contagiantes nos grandes
pelotões de alguns milhares de atletas. Dizíamos com razão que ela era a atleta
mais popular entre aquelas centenas ou milhares de atletas presentes.
Assisti no entanto a alguns dos seus treinos iniciais, quando
era apenas uma principiante. No Estádio 1º de Maio, em Lisboa, tentando cumprir
à risca o plano e as orientações traçadas pelo seu irmão, Dinis, também atleta
veterano de muito bom nível. Não fosse ele zangar-se com a mana, por ela não
cumprir o plano estabelecido, a que não faltavam a partir de certa altura as
famosas séries.
Escusado será dizer que os dois manos e a respectiva família nunca
faltavam às clássicas, incluindo as míticas Corrida do 1º de Maio e Corrida da
Festa do Avante.
ANALICE SILVA
A primeira vez que participei e assisti a uma prova com esta
inesquecível atleta, brasileira de nascimento mas há muitos anos radicada em
Portugal, foi no Algarve, nas célebres e saudosas 12 Horas de Vila Real de
Santo António, onde fui ainda nos meados dos anos 80 acompanhar e apoiar o meu
sobrinho Jorge Branco. A Analice concluiria no top 10, pouco depois do Jorge, que
seria 5º e também com mais de 100 km percorridos.
A partir daí acompanhámos com muito interesse e simpatia a sua
actividade, cada vez mais virada para as grandes distâncias, da maratona à
ultra-maratona e depois os 100 km e até mais, provocando a admiração de todos
pela sua invulgar resistência física, para mais num pequeno e franzino corpo.
Parecia indestrutível, mesmo quando a certa altura nos provocou
um susto, interrompendo a actividade desportiva sem aviso, correndo até o boato
de que nos teria deixado.
Mas felizmente voltou, melhor do que nunca e rara era a clássica
onde não estivesse presente e aumentando cada vez mais a quilometragem
percorrida mensalmente. Posso afirmar que foi a atleta que mais fotografei
porque a pergunta entre nós era quase sempre: "A Analice já passou?"
Até um dia, em que a terrível enfermidade, sempre ela, lhe bateu
á porta. Pensámos que a Analice, com o seu espírito indomável, iria resistir e
vencer mais uma vez. Não aconteceu assim. Deixou-nos para grande pesar nosso
mas julgo que nenhum dos muitos corredores, anónimos ou não, do grande pelotão,
que tiveram o privilégio de a conhecer a irá esquecer algum dia.
E DUAS MULHERES NA ORGANIZAÇÃO: LUCINDA MATIAS E MARIA MACHADO
(DIDI)
Mas a organização não podia faltar! E, como se costuma dizer,
por trás de grandes homens há quase sempre grandes mulheres, trata-se das
companheiras de dois dos grandes iniciadores e criadores da Corrida para Todos,
no nosso País: em estrada, o professor Mário Machado e no trail (então
designado montanha) o professor António Matias.
Ambos atletas de excelente nível que, sem deixarem de correr,
sendo professores de educação física se dedicaram à organização de corridas,
com dois famosos troféus precursores de tudo o que surgiu depois - Troféu
Spiridon, para a estrada, indo até à meia-maratona e maratona, e Troféu Terras
de Aventura, para a montanha (trail). E Lucinda Matias e a professora Maria
Machado (Didi), estiveram sempre nas organizações, num apoio inexcedível.
As nossas memórias, dada a nossa grande participação durante
alguns anos nessas competições, são muitas. Mas há um momento, em especial, que
nunca poderei esquecer, quando atravessei um dos momentos mais angustiantes da minha
participação na corrida a pé, em montanha, com todas as suas dificuldades e até
perigos, com a falta de oxigenação também a contribuir, e em que tive o apoio,
hoje dir-se-ia psicológico, da Lucinda Matias e também obviamente do António
Matias, como responsável pela organização, Tudo, no entanto, se resolveu rapidamente,
mostrando como funcionava bem a organização daquelas provas nos tempos heróicos
dos início do Trail/Montanha. Por razões pessoais não me vou alongar mais mas
ficando apenas o registo do gesto fraterno e amigo.
Nota: Quase todas as fotos
foram retiradas da Net.
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