Na
semana que está prestes a findar já cheira a primavera por estas bandas
ribatejanas. Dias límpidos de sol e céu azul, temperaturas que já sobem a
valores muito agradáveis para quem veio de um inverno particularmente frio e
mesmo o arrefecimento nocturno passou para valores muito mais aceitáveis.
Os
11 graus que tem feito de temperatura mínima, por estes dias fez-me ir buscar
os calções, encostar as luvas, gorro e corta-vento às “boxes”.
Camisola
de manga curta, camisola de manga comprida, calções e siga umas corridinhas
(outros tempos, outra idade e outro andamento daria mesmo para correr equipado
como no verão!).
Hoje
levanto-me para mais uma corridinha. No programa uns miseráveis quarenta
minutos, bem calminhos, que amanhã é dia de passeio maior!
Dia
de sol, pássaros a cantar, tudo normal mas, eh lá!, parece que está mais
fresco.
Oiço
o noticiário das 7 da matina na rádio: 9 graus em Lisboa, ora isso deve dar
aqui uns 7 numa conversão prática mas nem sempre muito certa.
Lá
vou eu para os 40 minutos campestres mas... e com que roupa?
Bolas,
vou manter o mesmo equipamento! A primavera está a bater à porta e não quero
andar para trás em termos de roupa!
Sim,
pronto sinto algum fresco nas pernas mas a coisa faz-se.
Mas...
e as mãos? Pois... e a mãos!
Começam
a gelar-me as mãos. Lá vou abrindo e fechando os dedos para ver se a situação
melhorava. São 40 minutos, não deve haver azar de maior!
Não,
não deve haver azar de maior, que ideia!
Começo
a ter dores enormes nas mãos, a ficar com as mesmas dormentes, a lembrar-me do
Filipe Torres nos Abutres (ora toma para não seres parvo, aqui tens uma pequena
amostra do que ele passou!).
Lembro-me
da “técnica”, de emergência, do Carlos Cardoso e começo a correr com as mãos
nas nádegas (pois, vão se rindo!). Mas o estradão de terra batida está mais um
“buracão” de terra batida, cheio de regos de tractores, altos e baixos, buracos
e até numa zona despejaram entulho das obras, enfim faz-me falta pelo menos um
braço para manter o equilíbrio enquanto corro! Então corro à vez com uma mão
nas nádegas, debaixo dos calções, mas não por muito tempo que aquilo não dá
jeito nenhum!
Entretanto
mudo de direcção e passo a apanhar com um vento bem fresquinho de frente e as
mãos meio roxas, a doerem que se farta, e como que encortiçadas!
Começo
a temer não ter sensibilidade suficiente, nem força nas mãos, para abrir o
portão da minha casa no regresso.
Mudo
novamente de direcção, deixo de ter o vento de frente, tenho até algum calor a
nível do tronco e das pernas, as mãos melhoram ligeiramente mas estão longe,
muito longe mesmo, de estarem bem!
Lá
chego a casa, consigo entrar na mesma (!), visto rapidamente um velho blusão
que deixo sempre pendurado à entrada do portão nos dias frios e meto as mãos nos
bolsos.
Desta
já me safei ou talvez não!
O
começo do duche quentinho é uma tortura! Com a reacção ao calor da água a mãos
ainda doem mais, dá uma comichão enorme, e a sensibilidade é quase inexistente!
Pegar no frasco do champô é uma tarefa complicada e usar o sabonete nem se
fala!
E
como uma “desgraça” nunca vem só o sabonete já só é um pedaço pequenino que
custa imenso a agarrar com os dois cepos que tenho no lugar das mãos! E ir ao
armário buscar um sabonete novo e desembrulhar o mesmo é tarefa impossível de se
fazer naquele estado.
Mas
a poder de água quente lá se recuperam umas mãos “normais” e tudo entra nos
eixos!
Nunca
tive tantas saudades de umas luvas!