Inúmeras vezes sou questionado
pela minha mulher: para onde vais correr hoje?
Sempre preocupada com a minha
segurança e antevendo o dia em que me dê um “tranco” e tenham de me ir buscar
de padiola algures ao meio do campo quer sempre ter uma ideia em que caminhos
ando “perdido”.
Quando lhe respondo, a escassos
minutos de sair de casa, que não sei, não gosta da resposta e não entende como
eu não possa saber o trajecto que vou efectuar mas a verdade é que não sei
mesmo!
Se na maioria do treinos há um
percurso mentalmente planeado em função do tempo de corrida que se pretende
fazer há os outros casos em que o percurso se vai definindo durante os mesmo e
fruto de vontades e “apetites” da altura.
Mesmo conhecendo a palmo os
terrenos por onde treino é sempre possível descobrir “novos” percursos que no
fundo são percursos subjacentes aos usados e conhecidos mas percorridos de
outra forma, com outra ordenação e acabando
por parecer uma novidade.
Normalmente são os treinos mais
agradáveis esses em que não sabemos para onde vamos, em que vamos desenrolando
o treino como se fosse um novelo de lã e criando o percurso enquanto
corremos.
Também acontece às vezes sairmos
com a ideia de fazer determinado percurso e acabarmos por inventar um completamente
diferente e que nos deixa muito mais felizes no final do mesmo.
Por tudo isto é que muitas vezes
é mesmo impossível dizermos para onde vamos correr por mais que isso apoquente
quem quer velar pela nossa segurança.
Se a isto juntarmos a nossa total
aversão a correr com telemóvel então as coisas ainda se complicam mais para
quem espera por nós às vezes duas horas ou mais.


