É na busca mágica do último quilómetro que todos nós corremos.
Mas amanhã haverá outro último quilómetro para correr.
A vida é assim um correr diário de últimos quilómetros até ao quilómetro definitivamente final.
Que façamos de cada último quilómetro sempre o mais feliz da nossa vida.
Transcrevemos aqui, na íntegra, um mail que recebemos da firma Modiplace referente ao sistema de cronometragem usado na Maratona do Porto.
Erradamente escrevemos que o sistema de cronometragem usado na referida prova era igual ao que vai ser usado na Maratona de Lisboa quando na realidade tal facto não é verdadeiro.
O nosso pedido de desculpa aos intervenientes neste processo e aos nossos leitores. .
Boa tarde, . Venho pelo presente, e após ter lido o que publicou no seu blogue pedir que realize um pequeno esclarecimento aos seus leitores.
O sistema que realizou o apuramento de tempos na 8ª Maratona do Porto foi o sistema de cronometragem Metadigital. Um sistema de cronometragem totalmente desenvolvido em Portugal, que tem por parceiros a Federação Portuguesa de Jet Ski, a Maratona BTT de Portalegre, a Run Porto, entre outros. . Por uma questão de honestidade informativa, peço-lhe que rectifique a notícia que inseriu no seu blog, o Metadigital não será o sistema de cronometragem da Maratona de Lisboa, mas sim a Chip Timing, uma empresa Brasileira.
Convido-o a visitar o nosso site por forma a conhecer o nosso sistema, bem como as potencialidades do mesmo. . Agradeço antecipadamente.
Atentamente, . Selma Fonseca Fernandes . Dir. Marketing . modiplace, Lda . Nota: Foto de Paulo Pires retirada do Facebook ao qual pedimos desculpa pelo abuso.
A cronometragem da 26ª Maratona de Lisboa será assegura pelo sistema Chip Timing. Aqui deixamos uma imagem sobre este sistema que retiramos da pagina da MARATONA SEASIDE DE LISBOA 2011, 26ª EDIÇÃO. Informação mais detalha sobre este sistema de cronometragem pode ser encontrado na referida pagina onde, inclusive, se pode ver um vídeo sobre o assunto.
Há pouco tempo dei voz a um protesto da população da vila onde vivo à qual encerraram a extensão do centro de saúde obrigando-a a deslocar-se a uma vila vizinha que dista 10 quilómetros e para a qual nem sequer há transportes. Num aparte posso acrescentar que se tratar de uma população maioritariamente idosa, com muito e graves problemas de saúde e fracos recursos e essa vila para onde querem obrigar as pessoas a deslocarem-se também tem médicos em número muito deficiente. Ao dar voz ao protesto desses meus conterrâneos usei, entre outros meios, o “mural” de um grupo sobre corrida no Facebook. Ao tomar esta atitude fui criticado por dois elementos do referido grupo que disseram tratar-se de um grupo onde apenas se falava de corrida. Dizia um dos membros, e passo a citar: “Fazer desporto é uma das poucas coisas em que todos somos indivíduos livres de todas as etiquetas sociais.” Outro participante afirmava: “Este não é de todo o lugar indicado uma vez que é um Grupo dedicado à corrida (como o nome indica), elo que todos temos em comum independentemente dos factores exteriores (políticos, sociais, ideológicos, etc.)...” Por estes comentários fica-se com a ideia que a corrida é um mundo à parte, assim uma espécie de terceira dimensão sem qualquer ligação com a sociedade onde vivemos, estamos inseridos e com a qual interagimos. Para já e à partida se a população da localidade onde vivo tem imensas dificuldades no acesso à saúde (um direito constitucionalmente consagrado) eu também tenho e isso afecta-me como corredor e muito. Claro que em vez de expressar o descontentamento e a luta de uma população inteira poderia ter escrito que não tinha acesso aos cuidados de saúde e que isso me afectava como corredor mas sou um ser solidário e essa atitude egoísta de apenas olhar para o meu umbigo quando há gente com problemas mais graves que o meu nunca fez nem fará o meu género. Mas o mais grave nestes comentários é quererem transformar a corrida num mundo idílico “livres de todas as etiquetas sociais” e “um Grupo dedicado à corrida (como o nome indica), elo que todos temos em comum independentemente dos factores exteriores (políticos, sociais, ideológicos, etc.)”...como escreveu outro participante do grupo que já tinha citado anteriormente. Quer dizer, nós corredores somos todos iguais! Os problemas do mundo exterior não nos afectam! Eu desempregado de longa duração tenho as mesmas condições para praticar a corrida que um quadro superior de uma empresa! Eu que tenho tremendas dificuldades em conseguir uma consulta médica e quanto ao acesso à medicina desportiva não o tenho nem em sonhos (!) teria a mesma segurança para treinar dos que tem acesso a esses serviços. Vamos transformar a corrida numa “coisa” para nos adormecer da realidade em que vivemos? Para “ópio” do povo já temos o futebol e mais umas tantas coisas (infelizmente muitas) não vamos transformar a corrida em mais uma delas! Eu sou corredor há mais de 30 anos, mas um corredor que não se fecha numa redoma de vidro, um corredor que liga a vida com a corrida e a corrida com a vida pois elas são um todo e complementam-se. A corrida faz parte da sociedade em que vivemos, interage com ela e todos os problemas que a sociedade atravessa têm influência no nosso desporto preferido. A corrida não é um mundo fechado em si próprio e muitas vezes serve para apoiar causas solidárias como é exemplo determinadas provas, Já houve provas para apoiar determinado partido ou coligação numas eleições, há provas organizadas por sindicatos e partidos políticos. Não a corrida não é um mundo à parte! Querer discutir o nosso desporto favorito sem o inserir na sociedade que nos rodeia é um absurdo, e pura demagogia. Sou corredor de fundo mas não vivo numa redoma de vidro nem tenho medo de inserir o desporto dentro da sociedade que nos rodeia. Infelizmente nem na corrida somos todos iguais! Fica aqui um vídeo sobre a luta das populações de Muge e Granho pelo direito à saúde! Como corredor e como ser humano tenho direito a algo que está constitucionalmente consagrado. Com ser solidário que julgo ser não luto em termos individuais mas sim em termos colectivos por isso a minha luta é a luta das gentes do Muge e do Granho tão ou mais necessitadas que eu! Corram, sejam felizes, mas não se esqueçam da sociedade “lá fora”, senão quando deram por isso pode ser tarde! Jorge Branco
Quando se corre em montanha o espirito é outro totalmente diferente das vulgares corridas em estrada como pode ser documentado na foto da chegada de Paulo Soares na 3ª edição dos Trilhos de Casainhos. Este atleta não se coibiu de transportar mais umas algumas gramas de peso de modo a poder captar as belas imagens durante aquela desafiante competição. Não temos o grato prazer de conhecer o atleta em questão mas se o mesmo ler este texto, ou algum amigo dele, informamos que teríamos todo o gosto em divulgar aqui as fotografias e/ou o vídeo efectuado por aquele repórter corredor. Todas as fotos da 3ª edição dos Trilhos de Casainhos podem ser vistas aqui.
É um dado adquirido que muitas das grandes maratonas internacionais atraem milhares de participantes, não só do país onde a prova se realiza mas de todo o mundo. O que está na base desse fenómeno? O que cria esse vertente de turismo de desportivo que faz milhares de pessoas deslocarem-se de longe para correrem os míticos 42,195 km? Diríamos que são maratonas com “alma”, maratonas que se integram plenamente na região onde decorrem e mostram o melhor que essa região tem, revelando precisamente o que um turista “normal” pretende ver ao visitar essa zona. No caso de Lisboa temos uma maratona feita com todo o mérito mas num percurso atípico e de costas voltadas para a alma da cidade. Pensamos que não vale muito a pena tentar fazer uma maratona plana em Lisboa, mesmo que tal seja possível. Quem queira uma maratona para bater recordes pessoais já tem excelentes ofertas no calendário internacional! O que temos em Lisboa? O que encanta quem visita a cidade que me viu nascer? Temos os bairros populares como Alfama, a Mouraria, a Graça, o Castelo, a Lapa, o Bairro Alto, Alcântara, a Madragoa, só para dar alguns exemplos. Temos os miradouros com vistas únicas como são o caso da Senhora do Monte, de Santa Luzia, de São Pedro de Alcântara, de Santa Catarina. Temos as 7 colinas de Lisboa que conjuntamente com o Tejo e aquela luminosidade tão própria a tornam na cidade branca, como a designou o cineasta suíço, Alan Tanner, no seu belo filme homónimo. Uma maratona em Lisboa, para ser única, para se firmar no calendário turístico desportivo em que se integram as grandes maratonas internacionais não pode fugir das suas 7 colinas e dos seus bairros típicos, das suas ruas estreitas, das suas vielas! Vão dizer: mas isso sobe, isso é duro! Sobe, sim senhor, mas não é duro! É o preço a pagar para se poder correr uma maratona com um percurso único no mundo, um percurso de rara beleza. Não seria uma maratona para tempos, para grandes atletas internacionais mas seria uma maratona para o grande número de corredores que por esse mundo fora procuram provas com percursos únicos, em que ainda se torne mais gratificante ser maratonistas, em que o cansaço seja inferior à beleza que os olhos desfrutam! Uma maratona para ser feita calmamente, para desfrutar, em que seja dado um tempo máximo para a terminar, que se coadune com a tipologia da prova e permita aos menos rápidos chegar ao fim sem problemas. Uma maratona em Lisboa tem que “molhar” os pés no Tejo, subir aos mais altos miradouros da cidade, “perder-se” nas vielas, ter o som do fado e o cheiro da sardinha assada (não ficava nada mal um arraial com sardinhas assadas no final)! Outro aspecto que temos de ter em conta é que ao levar a maratona para o interior de Lisboa, para o seu “coração”, e ao retirar a prova dos grandes e atípicos eixos viários, ela certamente será mais fácil de realizar em termos de trânsito e terá uma moldura humana muito mais envolvente pois muitos desses bairros mais típicos ainda são “aldeias” dentro da cidade grande onde as pessoas são muito mais participativas em relação a tudo o que se passa na sua comunidade. Claro que tinha de haver todo um trabalho anterior à prova, de divulgação da mesma nos bairros por onde ela passaria, teriam de ser contactadas juntas de freguesia e clubes locais, de modo a estudar e criar uma grande interacção entre a população e a prova. Nestes tempos de crise (criada por aqueles que nunca tem crises) vir aqui falar de um projecto destes parece ser coisa de loucos! Mas para se criar riqueza (pelo menos honestamente!) tem que se investir e trabalhar muito até se obter o retorno. Sabemos o quanto um grande evento desta natureza poderia ser uma mais-valia para a cidade. Não se cria uma grande maratona internacional em dois ou três anos, é um trabalho de investimento e paciência e saber ter as pessoas certas no comando projecto. Aqui fica esta nossa ideia, um tanto ou quanto visionária, mas temos a certeza que é algo que resultaria plenamente embora com muito trabalho e investimento aplicados mas temos gente em Portugal que já demonstrou ser capaz desta hercúlea tarefa, assim haja alguém com visão, e dinheiro, para uma “aventura” desta natureza. Para finalizar, e não sendo intenção deste texto dar qualquer sugestão sobre do percurso desta eventual maratona mas sim lançar um ideia geral sobre o espírito da mesma, não podemos deixar de afirmar que o nosso sonho é que esta prova tivesse como ponto de partida a Praça do Comércio e a linha de chegada o Castelo de São Jorge! É um sonho que nem sequer sabemos se seria exequível do ponto de vista técnico. Aqui fica lançada a ideia para dar a Lisboa a maratona que ela merece! Uma maratona com alma verdadeiramente alfacinha! . *Nota: Este texto é dedicado a um amigo meu, que há uns bons anos comungou comigo o sonho de fazer uma prova de montanha em Lisboa e ao amigo João Lima que me incentivou a publicar no blogue a ideia alinhavada num e-mail trocado entre ambos*