quarta-feira, 23 de novembro de 2011
sábado, 19 de novembro de 2011
LISBOA MARATONA DAS 7 COLINAS
É um dado adquirido que muitas das grandes maratonas internacionais atraem milhares de participantes, não só do país onde a prova se realiza mas de todo o mundo.O que está na base desse fenómeno? O que cria esse vertente de turismo de desportivo que faz milhares de pessoas deslocarem-se de longe para correrem os míticos 42,195 km?
Diríamos que são maratonas com “alma”, maratonas que se integram plenamente na região onde decorrem e mostram o melhor que essa região tem, revelando precisamente o que um turista “normal” pretende ver ao visitar essa zona.
No caso de Lisboa temos uma maratona feita com todo o mérito mas num percurso atípico e de costas voltadas para a alma da cidade.
Pensamos que não vale muito a pena tentar fazer uma maratona plana em Lisboa, mesmo que tal seja possível. Quem queira uma maratona para bater recordes pessoais já tem excelentes ofertas no calendário internacional!
O que temos em Lisboa? O que encanta quem visita a cidade que me viu nascer?
Temos os bairros populares como Alfama, a Mouraria, a Graça, o Castelo, a Lapa, o Bairro Alto, Alcântara, a Madragoa, só para dar alguns exemplos.
Temos os miradouros com vistas únicas como são o caso da Senhora do Monte, de Santa Luzia, de São Pedro de Alcântara, de Santa Catarina.
Temos as 7 colinas de Lisboa que conjuntamente com o Tejo e aquela luminosidade tão própria a tornam na cidade branca, como a designou o cineasta suíço, Alan Tanner, no seu belo filme homónimo.
Uma maratona em Lisboa, para ser única, para se firmar no calendário turístico desportivo em que se integram as grandes maratonas internacionais não pode fugir das suas 7 colinas e dos seus bairros típicos, das suas ruas estreitas, das suas vielas!
Vão dizer: mas isso sobe, isso é duro! Sobe, sim senhor, mas não é duro! É o preço a pagar para se poder correr uma maratona com um percurso único no mundo, um percurso de rara beleza.
Não seria uma maratona para tempos, para grandes atletas internacionais mas seria uma maratona para o grande número de corredores que por esse mundo fora procuram provas com percursos únicos, em que ainda se torne mais gratificante ser maratonistas, em que o cansaço seja inferior à beleza que os olhos desfrutam!
Uma maratona para ser feita calmamente, para desfrutar, em que seja dado um tempo máximo para a terminar, que se coadune com a tipologia da prova e permita aos menos rápidos chegar ao fim sem problemas.
Uma maratona em Lisboa tem que “molhar” os pés no Tejo, subir aos mais altos miradouros da cidade, “perder-se” nas vielas, ter o som do fado e o cheiro da sardinha assada (não ficava nada mal um arraial com sardinhas assadas no final)!
Outro aspecto que temos de ter em conta é que ao levar a maratona para o interior de Lisboa, para o seu “coração”, e ao retirar a prova dos grandes e atípicos eixos viários, ela certamente será mais fácil de realizar em termos de trânsito e terá uma moldura humana muito mais envolvente pois muitos desses bairros mais típicos ainda são “aldeias” dentro da cidade grande onde as pessoas são muito mais participativas em relação a tudo o que se passa na sua comunidade.
Claro que tinha de haver todo um trabalho anterior à prova, de divulgação da mesma nos bairros por onde ela passaria, teriam de ser contactadas juntas de freguesia e clubes locais, de modo a estudar e criar uma grande interacção entre a população e a prova.
Nestes tempos de crise (criada por aqueles que nunca tem crises) vir aqui falar de um projecto destes parece ser coisa de loucos! Mas para se criar riqueza (pelo menos honestamente!) tem que se investir e trabalhar muito até se obter o retorno. Sabemos o quanto um grande evento desta natureza poderia ser uma mais-valia para a cidade.
Não se cria uma grande maratona internacional em dois ou três anos, é um trabalho de investimento e paciência e saber ter as pessoas certas no comando projecto.
Aqui fica esta nossa ideia, um tanto ou quanto visionária, mas temos a certeza que é algo que resultaria plenamente embora com muito trabalho e investimento aplicados mas temos gente em Portugal que já demonstrou ser capaz desta hercúlea tarefa, assim haja alguém com visão, e dinheiro, para uma “aventura” desta natureza.
Para finalizar, e não sendo intenção deste texto dar qualquer sugestão sobre do percurso desta eventual maratona mas sim lançar um ideia geral sobre o espírito da mesma, não podemos deixar de afirmar que o nosso sonho é que esta prova tivesse como ponto de partida a Praça do Comércio e a linha de chegada o Castelo de São Jorge! É um sonho que nem sequer sabemos se seria exequível do ponto de vista técnico.
Aqui fica lançada a ideia para dar a Lisboa a maratona que ela merece! Uma maratona com alma verdadeiramente alfacinha!
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*Nota: Este texto é dedicado a um amigo meu, que há uns bons anos comungou comigo o sonho de fazer uma prova de montanha em Lisboa e ao amigo João Lima que me incentivou a publicar no blogue a ideia alinhavada num e-mail trocado entre ambos*
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
PARA A HISTORIA DA CORRIDA EM MONTANHA EM PORTUGAL
Da velhinha Manteigas - Penhas Douradas ao Ultra Trail da Serra de Freita vai todo um mundo de propostas aliciantes para os que amam correr em contacto com a natureza e desafiar-se a si próprios em percursos que não há muitos anos seria um “escândalo” serem apresentados como próprios para correr (ainda nos lembramos do tempo em que as organizações ostentavam, orgulhosamente nos panfletos das provas PERCURSO PLANO, como se as subidas fossem um pecado e o planeta terra uma imensa planície!).
Mas se nos últimos anos se deu um forte impulso no aumento das provas de montanha em Portugal; que muitos designam por TRAIL, mas nós, fieis à língua de Camões, chamamos de montanha e nesse termo englobando todas a múltiplas variáveis que este género de competição tem, a magia da corrida em montanha em Portugal começou há muitos anos atrás.
Aquela que é a considerada, muito justamente, a mãe das corridas de montanha em Portugal, o Manteigas – Penhas Douradas, teria a sua primeira edição em 1983. Desafio inusitado e “brutal” para a época de em apenas 12 quilómetros subir de uma altitude de 700 metros para acabar aos 1500 metros. Isto é, subir 800 metros em apenas 12 quilómetros!
Na origem desta prova esteve o, na altura, jovem fundista António Matias, profundo conhecedor da região da Serra da Estrela que depois de participar no mítico Luchon – Súper Luchon, prova de montanha nos Pirenéus organizada pelo saudoso medico e maratonista francês Jaccques Turblin, autor de livros que foram autênticas bíblias para gerações de corredores, veio de lá tão encantado com o novo desafio em que participou que se lançou na aventura de fazer algo semelhante em Manteigas.
Foi um mero e feliz acaso que levou o jovem fundista António Matias a essa prova em França, juntamente com o seu amigo António Correia, mas foi a partir dai que nasceu o seu amor pela montanha, que tanta influência teve na implementação da modalidade em Portugal.
Pese embora no dia a seguir à prova o jovem António Matias tenha escrito num postal enviado a familiares: “é mais fácil de escrever o que não me dói do que o contrário!”, a paixão pela corrida em montanha tinha nascido!
Se o Manteigas – Penhas Douradas foi o começo de tudo, a grande implementação das provas de montanha em Portugal deu-se em 1995 com o nascimento do Terras de Aventura e a elaboração do primeiro circuito de provas de montanha o DESAFIO 95 1ª TROFÉU DE CORRIDA EM MONTANHA.
As imagens que acompanham este texto pertencem a uma pequena brochura onde são apresentadas todas as provas do DESAFIO 96 – 2º TROFÉU DE CORRIDA EM MONTANHA.
Nele se encontra a descrição de cada prova, com todas as indicações referentes às mesmas, incluindo o gráfico com a altimetria, para além do regulamento geral do circuito de montanha.
São onze as provas desse circuito de montanha em 1996 (tivemos a felicidade de correr 10 dessas provas) e onde se encontra a já clássica na altura 12 km Manteigas Penhas – Douradas, o Contra Relógio da Serra de Sintra já com 3 edições, e a Corrida do Monge na sua quarta edição.
A título de curiosidade podemos referir que na altura já havia participação de caminheiros mas eram designados por TURISTAS, à semelhança do que acontecia em provas de montanha no estrangeiro, nomeadamente na Suíça se a memória não nos atraiçoa.
Os “TURISTAS” percorriam percurso alternativos de menor dificuldade e quilometragem, à semelhança do que acontece nos dias de hoje, com excepção da TRANSESTRELA, que era percorrida em duas etapas, repartidas por dois dias em um fim-de-semana, onde a quilometragem e o percurso eram os mesmos.
Nesse ano de 1996 seriam percorridos na TRANSESTRELA cerca de 52 km no somatório das duas etapas (aproximadamente 30 km num dia e os restantes no dia seguinte) pelo que ser TURISTA nessa prova também não era tarefa fácil!
Curiosamente tivemos o prazer de participar como “turista” na primeira edição da TRANSESTRELA em 1995 e como atleta na segunda edição em 1996 e muito francamente nem sabemos qual o ano em que o “empeno” foi maior, mas o prazer que retirámos daquela grande aventura foi igual nos dois anos ou seja enorme!
Aqui fica a nossa modesta contribuição para a história da montanha em Portugal, escrita sem nenhumas pretensões e dentro do que a nossa memória o permite.
Se nunca experimentou correr em montanha venha dai! O único “perigo” que lhe pode acontecer é ficar viciado!








segunda-feira, 7 de novembro de 2011
CORRIDA DO MONGE – COMUNICADO
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
8ª MARATONA DO PORTO
terça-feira, 1 de novembro de 2011
A MINHA OPINIÃO SOBRE O SUCEDIDO NA 19ª CORRIDA DO MONGE
Esta é a minha opinião, meramente pessoal, que apenas tem a legitimidade de ser escrita por um pioneiro na participação em provas de montanha em Portugal, quer como atleta quer como modesto colaborador em organizações das mesmas.
Uma constipação “atirou-me” para os caminheiros na edição deste ano, mas conto festejar a vigésima Corrida do Monge a correr na bela Serra de Sintra e conto com vocês todos para me acompanharam nessa festa!
Jorge Branco
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Tanto quanto me foi possível apurar o que aconteceu foi que os 5 quilómetros da prova coincidiram com a travessia de uma prova de BTT, que partia e chegava de Colares.
Alguns atletas seguiram as fitas do percurso da Corrida do Monge, pois dois ou três metros após o cruzamento onde se deu o engano encontrava-se a placa dos 5 quilómetros.
Infelizmente muitos atletas não viram ou não ligaram à referida placa dos 5 quilómetros, o que é perfeitamente normal, e voltaram à esquerda no referido cruzamento pois o mesmo estava marcado no chão para os praticantes de BTT.
Com toda esta situação estragaram-se duas organizações, pois vários concorrentes da BTT também seguiram as fitas da Corrida do Monge e foram parar ao Rio da Mula e só deram pelo erro quando se depararam com o corta-fogo.
Nas críticas que são feitas ao sucedido ninguém fala nas responsabilidades do Parque Natural Sintra-Cascais, ou das entidades responsáveis pela autorização destes eventos, que devem ter uma efectiva acção de controlo e fiscalização das actividades que se realizam nas áreas debaixo da sua jurisdição, o que não foi o caso.
Não quero com isto dizer que estas entidades sejam responsáveis por verificações de marcações de percurso, como é evidente. Mas são responsáveis pelas autorizações que dão, verificando que eventos se realizam numa determinada data, quais os percursos dos mesmos e evitar que eventos paralelos possam vir a criar problemas como os sucedidos.
Para quem não sabe, a organização deste tipo de eventos carece de autorização por parte de várias entidades e o cumprimento de um determinado número de regras, que têm de ser respeitadas. No caso de se tratar de Parque Natural as exigências ainda são maiores e a obtenção de autorizações mais complicadas.
Não se compreende que quem organiza tenha de cumprir uma série de condicionantes e que quem autoriza não verifique o que autorizou!
Já alguém viu serem autorizadas duas provas de estrada em simultâneo com percursos que se cruzam?! Quando isso aconteceu foi o desastre... e porque uma delas meteu-se “à má fila”.
Soluções para está situação há várias e a primeira, mais segura e mais correcta, passa por não dar autorização a provas em simultâneo em que haja cruzamentos de percursos que possam criar estas situações.
Outra das soluções, é a entidade responsável pela autorização das actividades alertar os organizadores das mesmas para o facto de haver dois eventos em simultâneo, de modo a eles poderem estudar os percursos e precaverem-se contra situações como as tristemente ocorridas no Monge.
O que aconteceu no Monge era muito fácil de ser resolvido e é ridículo estar aqui a apontar soluções quando na organização da prova estava gente com uma experiência enorme na matéria.
Agora, por maior experiencia que tenha uma organização não pode adivinhar da realização de outro evento em simultâneo se não for informado do mesmo.
Nenhuma colectividade, de cariz eminente popular, investe todo o seu trabalho de voluntariado num evento desta natureza para depois ver tudo ser destruído por um acontecimento inesperado e que ultrapassou de todo a organização.
Espero que os corredores compreendam o sucedido e não criminalizem uma organização que de todo não o merece e voltem a estar de novo no Monge, para a vigésima edição daquela que é uma das mais antigas e carismáticas provas de montanha em Portugal. Isto digo eu, como simples praticante e amante da modalidade, que sabe distinguir, julgo eu, o trigo do joio!
Na organização da Corrida do Monge encontra-se gente que vive o amor pela corrida em montanha com ninguém, com décadas de saber e experiência, e que também sofrem quando vêm todo trabalho ruir e quando, ainda para mais, são alvo de críticas que de todo não merecem.
