sexta-feira, 12 de agosto de 2011

BLOGUES GEMINADOS

Quando nos lançamos na aventura de criar o Último Quilómetro temos que confessar que pouco entendíamos de blogues nem até onde nos levaria esta experiência.
Passado que foi este curto tempo da existência deste modesto blogue muito apreendermos (e estamos a aprender em permanência) sobre a blogosfera corredora.
Da rica experiência que está a ser a feitura deste blogue teremos que realçar as amizades que foram surgindo com amigos de outros blogues de corrida.
Tivemos o prazer de conhecer imensos amigos ligados à blogosfera corredora e sentir que fazemos parte de uma família especial em que se partilham sentimentos, conhecimentos e solidariedade.
De todos estes contactos, relacionamentos e afectividades que se vão estabelecendo por diversas razões uns são mais intensos que outros as vezes, até por questões práticas que levaram a uma maior troca de experiências e contactos com os responsáveis de alguns blogues.
Não quereremos fazer escalas de valor na amizade nem ser indelicados com nenhum dos amigos que tivemos o prazer, e a honra, de conhecer mas com alguns deles temos um entrosamento de ideias que vai muito além da corrida.
Hoje vamos falar aqui de uma amizade que estabelecemos na blogosfera corredora.
Tudo começou com a petição Albertina Dias e o movimento de solidariedade que se estabeleceu em torno dessa grande campeã.
Quis o destino, e a vontade dos homens, que se estabelecesse uma parceria, uma acção conjunta em torno dessa causa solidária, entre o Último Quilómetro e o JoãoLima.net.
Foi um trabalho intenso de coordenação entre elementos da blogosfera corredora e poucos terão a noção do esforço desenvolvido.
Tanto quanto sabemos foi também a primeira vez que dois blogues, na área da corrida, saíram do seu “cantinho” para desenvolveram esforços comuns e coordenados numa causa solidária.
Todo este trabalho em conjunto, toda a troca de opiniões e sugestões via dezenas de e-mails, levaram a solidificar uma grande amizade que veio a ultrapassar, e a perdurar muito para além da causa solidária com a Albertina Dias.
Hoje podemos dizer que partilhamos várias opiniões em comum com o João Lima, tanto no que diz respeito a corrida como até no que toca a vida em geral.
Por toda esta troca de opiniões em permanência, pela maneira de ambos estarmos na corrida e na vida, pela colaboração entre os dois blogues, pela amizade que de virtual passou a real, em Constância, no encontro da Blogosfera Corredora, tivemos a ideia de escrever este texto e declarar o Último Quilómetro e o JoãoLima.net blogues geminados, aplicando a estes dois blogues o conceito de cidade geminada!
Blogues muitos diferentes, com projectos muito próprios e passados desportivos dos seus autores que não podiam ser mais desiguais, são blogues irmãos, pela sua permanente troca de ideias, de colaborações, de ajudas mútuas e com maneiras de ver a corrida e o mundo com bastantes semelhanças.

JoãoLima.net e Último Quilómetro, geminados neste mundo, fraterno, da Blogosfera Corredora.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

NATAL É QUANDO UM HOMEM QUISER


Texto escrito no dia de Natal do ano passado, que foi para a “gaveta”.
Na altura não senti a vontade necessária para trazer aqui este texto mais intimista.
Mas como NATAL É QUANDO UM HOMEM QUISER (ou deveria ser) resolvi-me a publicá-lo hoje aqui e revelar um pouco do nosso Natal de 2010 a todos os amigos que têm a paciência de seguir este blogue.
A MINHA FESTA DE NATAL – 25 DE DEZEMBRO DE 2010
Impossibilitado de ter participado na São Silvestre Pirata e avesso às São Silvestres alcatroadas e à mania dos recordes pessoais e dos andamentos rápidos (estou noutra!) fiz hoje a minha “São Silvestre” particular.
Eram 7 e 50 da manhã estava eu de partida!
Frio, chuva e um vento gelado, gelado!
Atravessei aqui o Tejo, pela Ponte Rainha Dona Amélia (a velhinha ponte ferroviária e adaptada ao trânsito rodoviário) e tomei o Caminho do Tejo usado nas peregrinações a Fátima.
Neste troço o Caminho do Tejo é um estradão que segue em direcção a Santarém, ao longo do dique.
Depois de passar Porto de Muge acaba o alcatrão e entra-se num estradão de areia compactado com pedrinhas, sem lama mas com muitas poças de água.
O projecto era (e foi) correr 2 horas e meia das quais devo ter feito aproximadamente 50 minutos em alcatrão.
Na primeira metade apanhei com cerca 50 minutos de vento gelado, de frente, e chuva.
Não dava para aquecer e o frio passava o casaco de impermeável e a camisola técnica.
Foi duro, duro! Uma hora e quinze de rectas, curvas, poças, charcos, solidão, vento e chuva.
No retorno o vento de costas e o quase acabar da chuva melhoraram as coisas mas não era fácil e as pernas não estavam nos seu dias.
Quando chego a porto de Muge volta a chuva e o frio e a travessia dos 800 metros da Ponte Rainha Dona Amélia com vento gelado de frente e chuva tornam-se bem complicados! Mas fazendo das fraquezas forças atinjo a outra Margem do Tejo e começa a cheirar-me a casa!
Depois foi serrar os dentes e enfrentar os 10’ minutos de alcatrão que me separavam da Ponte Pequena sobre a vala de Muge.
Finalmente entro no Rossio, saindo do alcatrão e enfrentando as últimas poças.
Mais uma curta rua e estou a ver a porta de casa! Mesmo assim ganhei um minuto e picos no retorno.
Pronto duas horas e meia estão feitas!
Grito interiormente Feliz Natal a mim próprio e mais umas tantas coisas que não se podem escrever aqui.
Desacelero calmamente e começo a caminhar. Estou meio desarticulado, ensopado e arrebentado mas feliz! São estes treinos que fazem os fundistas!
Lá fiz mais uma Festa de Natal à maneira do Jorge Branco, sem presépio, nem árvore, nem prendas!

domingo, 31 de julho de 2011

TRILHOS DE MONSANTO - 10ª EDIÇÃO

Venha festejar a 10ª edição dos Trilhos de Monsanto – Lisboa Verde

28 de Agosto de 2011, Parque Florestal de Monsanto / Lisboa.

Sobre esta excelente prova pode ler, aqui, o escrevemos o ano passado.

terça-feira, 26 de julho de 2011

MEIA MARATONA DE SÃO JOÃO DAS LAMPAS - UMA OMELETA SEM OVOS!

É bem conhecido de todos a expressão não se podem fazer omeletas sem ovos. Efectivamente sem a matéria-prima essencial à concepção de um produto torna impossível a sua feitura. Mas será isto inteiramente verdade, não se poderão fazer excelentes “omeletas” quase sem ovos?

Um dos ingredientes essenciais à organização de uma meia maratona é o dinheiro (infelizmente trata-se de um ingrediente usado em inúmeros “pratos”). Em Portugal existem excelentes meias maratonas em que os “ovos” abundam. São provas ricas que dispõem de excelente meios técnicos mas o que faz delas provas de grande qualidade não é só essa abundância de “ovos” mas também a mestria dos “cozinheiros” que tratam da sua confecção / organização.

A Meia Maratona de São João das Lampas é uma prova pobre no que concerne a “ovos”. Muito provavelmente o orçamento dependido nos “WC portáteis” de uma das meias ricas de Portugal daria para não uma mas para várias Meias de São João das Lampas, isto para não falar no isotónico desperdiçado nessas provas e que mataria a sede a todos os participantes das Lampas!

A Meia Maratona de São João da Lampas é uma prova de aldeia, organizada por voluntários e apoiada pela população. Uma prova que vai para 35ª edição e que vem do tempo do Movimento da Corrida para Todos, das provas a “volta do coreto”, da grande força do atletismo popular, que desabrochou com os alvores de Abril.

Em São João das Lampas há um orçamento bem escasso, os “ovos” são poucos e muito bem contados numa matemática sempre bem complicada. Mas pese embora essa grande escassez de “ovos” o resultado é sempre um “prato” muito saboroso e muito bem confeccionado. Como é possível?

Pode haver uma grande escassez de “ovos” para confeccionar uma omeleta mas se tal for compensado pela mestria do cozinheiro nem se vai notar essa falta.

Em São João das Lampas temos o “mestre cozinheiro” Fernando Andrade há 35 anos à frente de uma briosa equipa de voluntários que serve a todos os atletas uma excelente prova com escassos recursos.

Qual é o segredo para este milagre de fazer uma grande prova com poucos “ovos”? Diríamos que tudo se resume a amor! Sim amor! Sem amor não se fazem grandes cozinhados, independentemente dos ingredientes que temos para os mesmos!

Amor ao atletismo, amor à sua terra, à sua prova. Depois a reboque do amor vem o respeito por todos os participantes, o carinho com que cada um é tratado independentemente das suas aptidões atléticas.

Uma pequena grande prova, numa pequena grande aldeia, organizada por gente especial e em que cada participante se sente um atleta VIP. Eis a receita mágica que faz resistir esta prova há 35 anos e pese o calendário, a localização e até o percurso (de certa maneira) não lhe ser muito favorável esta “velha senhora” das corridas populares (na verdadeira acepção do termo) viu o ano passado o número de participantes ter um crescimento superior a 20%!

Por tudo isto amigos vamos todos a São João das Lampas, no dia 10 de Setembro, provar esta excelente “omeleta” quase sem “ovos”. O “mestre cozinheiro” Fernando Andrade e toda a sua grande equipa, bem como a população desta simpática vila, merecem a nossa presença!

quinta-feira, 21 de julho de 2011

RESPEITO PELOS ORGANIZADORES PRECISA-SE!

Raras são as provas a ter inscrições gratuitas nos dias que correm. Uma das provas a optar por não cobrar qualquer taxa de inscrição é a Corrida da Festa do Avante.

Esta prova tem vários propósitos, sempre bem destacados no seu regulamento e salientamos aqui apenas um: “Defender os valores do desporto quer como fenómeno de integração, quaisquer que sejam as origens sociais ou convicções políticas ou religiosas dos participantes, quer como contributo para a melhoria das suas condições de vida.”
A Corrida da Festa do Avante é uma verdadeira festa (dentro da grande festa da fraternidade que é a Festa do Avante propriamente dita.). Corrida de início de época para muitos atletas, local de encontros e reencontros.

Mas a filosofia desta prova que se traduz, entre muitos outros aspectos, em não cobrar taxa de inscrição, trás um problema acrescido à já difícil tarefa da organização de uma prova que ainda para mais tem escassos meios e não conta com patrocínios comerciais.

Essa dificuldade acrescida não tem só a ver com esta prova em si mas é uma “mal” que se alastra a todas as provas com inscrições gratuitas e tem muito a ver (desculpem a expressão) com a total falta de respeito para com os organizadores de muitos aletas e clubes.

A situação é a seguinte: quando uma prova é gratuita os atletas e clubes inscrevem-se sem que uma grande percentagem deles tenha a certeza de efectivamente ir participar na prova!

É de “borla”, toca lá a inscrevermo-nos, depois logo se vê se vamos! Infelizmente é este o espírito de muita gente, o que faz que em provas de inscrição gratuita haja em geral uma enorme discrepância entre a percentagem de atletas inscritos e os que realmente alinham à partida.

Com estas atitudes os atletas vão fazer com que o trabalho dos voluntários da organização seja muito maior e estejam a trabalhar, passe a expressão, “para o boneco”! Sim, porque montar uma prova dá trabalho e muito!

Depois esta grande diferença entre atletas inscritos e participantes baralha totalmente as contas da organização, no que toca à quantidade de abastecimentos necessários, camisolas e muitos outros aspectos logísticos.

Com estas atitudes, de se inscreverem de uma forma completamente irresponsável nas provas gratuitas, os atletas e clubes estão a fazer com que as poucas organizações que optam por essa prática começam a cobrar taxa de inscrição pois é a única solução para evitar todos os problemas que atrás referimos.

Por isso vamos ter um pouco mais respeito por quem ainda nos proporciona uma prova a custo zero! Quando nos inscrevemos é mesmo para ir, salvo evidentemente aquelas situações perfeitamente imponderáveis que nos podem impedir de estar numa prova independente de termos pago muito, pouco ou mesmo nada pela inscrição!

segunda-feira, 18 de julho de 2011

FERNANDO ANDRADE UM DOS “NOSSOS” HERÓIS!



Fernando Andrade, Cidadão de Corrida, em plena Ultra Maratona Atlântica (Melides – Tróia 43 quilómetros) na zona dos 28 km.


Imagems captadas pelo amigo Joaquim Adelino.



terça-feira, 12 de julho de 2011

PARAR PARA PENSAR

A velha expressão parar para pensar transmite-nos a ideia que movimento e pensamento são antagónicos. Pensar implica imobilismo, nada de agitação / movimento, uma recatada tranquilidade.

Ao contrário da expressão parar para pensar confessamos que durante a nossa já longa vida de corredores sempre tivemos as melhores ideias, as soluções para problemas, tomamos resoluções importantes para a nossa vida enquanto corríamos, e até muitos dos textos desde blogue foram “escritos” a correr!

Sim, é quanto corremos à “velocidade de cruzeiro”, quando o cérebro se desliga do corpo, quanto nós nos entregamos totalmente a nós próprios, enquanto damos milhares de pequenas passadas, que a ideias melhor afloram à nossa mente, que os pensamentos se tornam mais límpidos e claros, que conseguimos atingir graus e profundidade de pensamentos jamais alcançados durante o imobilismo

É como se o durante à corrida o nosso cérebro se libertasse de pensamentos parasitas, de distracções e se focasse apenas num qualquer assunto e sobre ele medite profundamente.

Claro que isto não ocorre em todos os treinos mas só naqueles em que se consegue atingir um determinado estado de espírito, assim como que uma outra dimensão. Por norma não podem ser treinos muito curtos nem muito sofridos. São aqueles treinos em o corpo corre independente a tudo e nos sentimos quase que a flutuar noutro mundo, noutra realidade.

Por isso para nós parar para pensar não se aplica, não faz nenhum sentido. No nosso caso é, sem sombra de dúvida, CORRER PARA PENSAR!

Será que os outros fundistas também reagem desta maneira ao treino? Também correm para pensar? A questão aqui fica lançada amigos.