quarta-feira, 31 de março de 2010

16ª. MARATONA DE ROMA *Por António Belo*

No passado dia 21 de Março, na sequência do que tenho feito nos últimos anos, juntando a vertente turística à desportiva, participei na Maratona de Roma que, nesta edição, homenageou o primeiro atleta africano negro a ganhar uma medalha de ouro olímpica, na maratona disputada à noite, pelas ruas da cidade, iluminadas por archotes, que o recorda na sua toponímia e que, no já longínquo ano de 1960, correu descalço para a vitória no tempo de 2 horas 15 minutos e 16 segundos!

Cinquenta anos passados, as maratonas sucedem-se por quase todas as cidades e países, só em Itália realizam-se mais de 60, aliando o desporto ao comércio e, em alguns casos, à solidariedade. Aqui, foram, segundo a organização, cerca 85.000 os que participaram com o último, e importantíssimo, objectivo. Ou seja, na manhã daquele domingo o Coliseu voltou a “ver”, agora no exterior, um número de pessoas (mais de 100.000), provavelmente superior ao que assistiram aos grandes jogos que caracterizaram o império romano, com a grande diferença de estes serem participantes!

Embora com nuvens, a temperatura estava óptima para a prática da corrida e, por isso, muitos dos participantes na maratona, tal como eu, nem utilizaram o “metro” para chegar ao local de partida, ali bem próximo do Coliseu e do Arco Constantino. As habituais “retretes móveis”, colocadas em vários locais, eram fáceis de encontrar, tais as filas que cedo se formavam para aliviar a carga a transportar.As roupas, metidas exclusivamente nas mochilas oferecidas pela organização, ficavam também nas proximidades, uma vez que a prova tinha ali o seu fim.A zona da partida estava dividida em quatro áreas, de acordo com os tempos fornecidos pelos atletas e, embora tivesse entrado com bastante antecedência, pareceram-me com espaço adequado.Naturalmente que chegar cedo tem algumas vantagens, dá para falarmos com os companheiros de viagem e, pelo tom com falamos, chegarmos aos ouvidos de outros “nacionais”, assim, tivemos o privilégio de conhecer um atleta do Vitória de Guimarães que, com a esposa (colocada noutra área) se propunha “levar o sonho até à meta”!Claro que também há desvantagens, apesar da passagem pelas retretes os altos e velhos muros laterais não escaparam a mais uma “regadela”, e até o chão mostrava que, ali, as pessoas de sexos diferentes usavam a mesma posição - a de cócoras.Curiosamente, e apesar da minha longa experiência, em partidas de maratonas muito participadas, não tinha dado por tal processo de“desenrascanço”. Talvez andasse distraído!
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Como as “novas tecnologias” também tinham o seu lugar, neste caso a transmissão directa por um dos canais de televisão, a hora da partida, 9 horas, foi atrasada cerca de 20 minutos, tal como, já há alguns dias, rezava o texto da página electrónica. Iniciada a função, certamente a principal para a grande maioria, restava-nos apreciar o desenvolvimento da mesma. Mesmo com partidas separadas, os primeiros quilómetros, muitos por vezes, são percorridos a ritmos mais lentos e com cuidados redobrados, devido ao pouco espaço que nos fica à frente dos pés. Isto não é novidade. Passada esta fase de adaptação, onde “encalhámos” com um companheiro de alguns treinos longos de domingo, e que viria a fazer o melhor tempo (cerca de 3h11m), pelo menos entre os nomes conhecidos, avistámos, eu ia com outro habitual companheiro, os “balões das 3h15m” (havia balões com 3h, 3h15, 3h30… até às 5h) e, embora nos ficassem ainda a uma distância considerável, marcámos como objectivo a “chegada àquele numeroso grupo”. Nestas coisas de ritmos, humildade à parte, sou eu que os defino e, por isso, desenhei a estratégia a seguir – chegar ao grupo (tínhamos percorrido cerca de 10 quilómetros) e “ficar por ali”, pelo menos até aos 30/35 quilómetros, pois a companhia de um grande grupo até nos faz sentir “Atletas”.Como os planos nem sempre são cumpridos, fui “perdendo” aquele grupo, enquanto o outro amigo quase cumpria o objectivo, gastando apenas mais dois minutos.Apesar da longa experiência em provas de quilometragem igual ou superior à maratona, a “nossa máquina” reserva-nos sempre algumas surpresas, desta vez“negou-se” a fornecer o oxigénio necessário para implementar o plano, provavelmente para me alertar que a juventude diminui enquanto a idade aumenta, limitando-se, a partir dos 27 quilómetros, a fornecer carburante apenas para curtas distâncias, que não iam para além dos 300 metros, mesmo assim foi obrigado a chegar até à meta. Talvez daqui a alguns dias escreva outro texto sobre estes acidentes, de uma forma mais detalhada e com bases mais científicas!

O percurso, quase de ida e volta, era bastante fácil, raros e pequenos declives (viadutos) e uma subida mais acentuada na entrada do “Último Km”, sendo o piso o elemento menos “amigável”, para além das tradicionais calçadas, ou não estivéssemos em Roma, também grande parte do asfalto era agressivo, pelos abatimentos e pelas fendas. Para compensar tivemos, ao longo de quase todo o trajecto, a companhia de um numeroso e entusiástico público. Os tempos de passagem estavam bem visíveis no fim de cada légua, assim como na meia maratona e, para que ninguém se enganasse, embora sem tempos, as milhas terrestres também tinham os seus números.Surpreendente, foi a informação disponibilizada, em arcos insuflados, sobre os locais históricos e turísticos por onde estávamos a passar: Circo Máximo; Praça do Povo; Vaticano; Fonte de Trevi; Praça de Espanha; etc.

Os abastecimentos estavam de acordo com a informação disponibilizada, água, bebidas isotónicas e vitamínicas, bananas, laranjas, açúcar, etc., embora a distância entre as mesas devesse ser maior. As esponjas estavam disponíveis nos intervalos dos abastecimentos (7,5 kms, 12,5 kms, etc.) como é mais usual.Após ultrapassarmos a meta e recebermos o bonito medalhão, tínhamos um amplo espaço onde se distribuíam as equipas de assistência. Curiosamente, talvez pela disposição da saída dos atletas chegados e por ter permanecido algum tempo naquele local, só ali me apercebi do elevado número de participantes que requerem assistência médica, não só local, mas também hospitalar.

Apesar de colocarmos os condutores italianos no grupo dos que menos respeito têm pelas regras de trânsito, não me recordo de ter ouvido as buzinas dos carros a pedirem para “correrem” com os maratonistas das ruas. Naquele dia, Roma foi uma cidade em festa!

É uma maratona que aconselho e, tal como rezava a publicidade à prova - Start Your Dreams.
António Belo

domingo, 28 de março de 2010

AS MINHAS HISTÓRIAS DA CORRIDA (II) *Por João Palma*


Bater no ceguinho

Há mais de 20 anos e menos 10 quilos, entrei numa fase, por que todos ou quase todos os amantes da corrida passam: tinha a mania que era atleta e chegava a treinar-me 6/7 vezes por semana. O meu grande adversário não eram os outros colegas corredores, mas o relógio – em cada corrida queria melhorar o tempo que ali tinha obtido anteriormente.
Uma vez, numa Odivelas-Loures-Odivelas, ia bem lançado para conseguir os meus objectivos, na companhia de outro amigo que tinha o meu andamento, entreajudando-nos para não quebrar o ritmo. A cerca de 100 metros da meta, já se avistava a fila dos atletas que iam chegando e reduzindo o andamento antes de cortar a meta (hoje, felizmente, na maioria das provas já se consegue transpor a meta a correr sem abrandar o ritmo). Baixei um pouco o ritmo e eis que sou empurrado por um par de corredores, quase caindo.
Nunca fui de fazer grandes sprints para a meta, mas então irritei-me e disse para o meu colega: “Anda!” Acelerei e consegui apanhar o par de “empurras” mesmo quando eles se preparavam para terminar. Dei uma de Bruno Alves e empurrei-os com os cotovelos, ultrapassando-os mesmo em cima da linha de chegada, ao mesmo que punha as mãos nas costas do meu amigo, impelindo-o para a meta. Com a violência do empurrão, até saltaram os óculos do meu colega. Logo ali fui invectivado – é que quem me tinha empurrado tinha sido uma dupla formada por um cego e pelo seu guia. “Não tem vergonha, empurrar assim à bruta um invisual! Quase que o mandava ao chão!”
Fiquei sem palavras e ganhei a fama de ser tão competitivo que, para chegar à frente, até era capaz de bater num cego… O que eu tive de ouvir (e ainda hoje o episódio vem à baila de vez em quando, engordado com pormenores que o meu colega decidiu acrescentar).

O banho de lama

Nesses tempos, não havia a variedade de sapatilhas de corrida que existe hoje. E para alguém que calça 11,5-12, o problema era acrescido. Por isso, qual não foi o meu contentamento quando, numa viagem a Londres, descobri em saldos um par de sapatos de bicos que me assentavam como os sapatinhos da Gata Borralheira. Ainda por cima eram lindos – em tecido branco brilhante com os reforços em preto e dourado. Tinha que os estrear. Havia um campeonato regional de corta-mato da AA de Lisboa e lá fui eu correr na categoria de veteranos. Era nas Patameiras, em Loures.
Chovia torrencialmente e, uma vez lá chegado, deparou-se-me com um cenário apocalíptico: por entre cordões de água, entrevia-se lama, barro e charcos profundos num traçado aos altos e baixos. Um atleta que tinha corrido antes avisou-me: “Ata muito bem os sapatos e usa pregos de 12mm porque se não os sapatos ficam presos na lama. Já houve vários corredores que perderam os sapatos no percurso!” Olhei para os sapatos branquinhos e para a pista e ainda hesitei. Mas como nunca fui de desistir (vide a minha ida ao hospital, na primeira parte deste texto), lá fui eu. Foi infernal. Só nuns escassos metros, na zona da meta é que o piso estava aceitável (mas antes havia que escalar uma barreira quase na vertical e aí os pregos funcionavam como os dos sapatos dos alpinistas). Grande parte do percurso era em barro pastoso e quem fosse pesado como eu enterrava-se até aos tornozelos – a cada passada tinha de fazer força extra para libertar os pés. O pior, porém, estava para vir. A dada altura, depois de uma descida íngreme, havia um lago pontilhado por árvores semi-submersas. Aí, enterrei-me até aos calções. Ao fim de três voltas nisto, até os cabelos estavam cobertos de lama. Um verdadeiro homem de barro. Se os banhos de lama fazem bem à cútis, depois daquilo, nunca mais irei ter uma pele feia. Escusado será dizer que os sapatos branquinhos adquiriram uma outra tonalidade: castanho fecal. E assim ficaram para sempre, mesmo depois das muitas lavagens a que foram submetidos. Não podiam ter tido uma estreia melhor…

Lá se foi o recorde…

Até à nona edição da Maratona de Lisboa, fui cliente assíduo – não falhei uma. Quando da décima, comecei a treinar-me no final do Verão, para mais uma vez marcar presença. Uma noite escura de Outubro, no auge da preparação, a atravessar uma rua perto da minha casa, na passadeira de peões (por sinal, bem iluminada), dou por mim às voltas pelo ar, aterrando com estrondo no asfalto. Tinha sido colhido por um automóvel. Para cúmulo, o “assassino” era alguém que eu conhecia bem. Era meu vizinho e estava ligado ao atletismo – tinha sido treinador do G. R. “Os Fixes” quando estes tinham uma equipa que se batia com os grandes, na pista e no corta-mato. Vinha distraído e quando tentou travar já era tarde. Eu nem queria ir ao hospital, mas ele insistiu, foi buscar a minha mulher a casa e lá fomos. O diagnóstico foi fractura dupla do braço esquerdo com deslocação. Fui operado e lá se foi a maratona. Ainda hoje lhe digo a brincar que ele foi o grande responsável pela minha decadência atlética. Perdido o incentivo anual, comecei a desleixar-me e hoje arrasto-me como uma lesma pela cauda do pelotão. Ainda agora, na última Meia-Maratona de Lisboa, o melhor que consegui foi participar na mini. Em vez de “Citius, altius, fortius”, o meu actual lema é “Lentus, minimus fracus”. João Palma

sexta-feira, 26 de março de 2010

ALEXANDRINO SILVA RECEBE CADEIRA DE COMPETIÇÃO.

O Último Quilómetro estabeleceu uma parceria com a Associação Nacional de Atletismo em Cadeira de Rodas (ANACR) de forma a divulgarmos as iniciativas daquela associação e darmos o relevo, que é merecido, ao atletismo em cadeira de rodas.
Proximamente iremos publicar uma entrevista com Mário Trindade, presidente da direcção da referida associação.
Abrimos está colaboração com uma excelente notícia que nos foi enviada pela ANACR
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O atleta Alexandrino Silva, de Barcelos recebeu ontem dia 25 de Março de 2010, uma nova cadeira de rodas de competição, este é um dos melhores atletas portugueses da actualidade na sua modalidade e chegou mesmo a representar Portugal nos jogos Para olímpicos de Pequim.
A cadeira que tinha anteriormente já tinha partido, por duas vezes, em treinos, causando duas quedas ao atleta e ficando este lesionado temporariamente. O medo que a cadeira voltasse a partir e de uma nova lesão não o deixavam dar o máximo nos treinos, reflectindo-se nos resultados obtidos.

Esta cadeira já era para ter sido entregue nos finais de 2009, só não o foi porque a fábrica onde ela foi concebida, nos Estados Unidos, tinha um vasto número de pedidos de outras cadeiras para outros atletas.

Mas agora já cá está e assim, Alexandrino terá condições para poder dar o máximo quer nos treinos, quer em provas.

De referir ainda que a compra desta cadeira só foi possível graças a verba que o IDP – Instituto de Desporto de Portugal – Delegação Norte atribuiu a ANACR.

Aqui ficam as referências da cadeira:
Marca: Top And
Modelo: Eleminator OSR
Empresa: http://www.invacare.pt/

quinta-feira, 25 de março de 2010

MEDIÇÃO

Onze horas depois de Tadesse ter batido o recorde do mundo, na Meia Maratona de Lisboa, o Director Técnico da prova, Prof. Mario Machado, Hugh Jones (Delegado da AIMS), João Antunes e Américo Chaves (Medidores Internacionais da IAAF) remediram o percurso, conforme é norma da Federação Internacional quando se bate um recorde do mundo. A operação durou cinco horas e confirmou que o percurso tinha a distância regulamentar, pelo que o recorde pode ser homologado.

domingo, 21 de março de 2010

20ª MEIA MARATONA DE LISBOA EM VÍDEO.

MEIA MARATONA DE LISBOA COM RECORDE MUNDIAL

O eritreu Zersenay Tadese conseguiu bater a melhor marca mundial na Meia-Maratona, depois de concluir, este domingo, a 20.ª edição da Meia-Maratona de Lisboa com o tempo de 58.21 minutos.
O novo campeão da prova lisboeta conseguiu retirar 11 segundos ao anterior máximo mundial, que pertencia ao queniano Samuel Wanjiru, e conquistou um prémio monetário de 50 mil euros pelo seu feito.
A mais de um minuto ficaram o segundo e terceiro classificados, os quenianos Sammy Kitwara e Duncan Mutai, receptivamente.
Na prova feminina, a queniana Peninah Arusei venceu com larga vantagem sobre a etíope Askale Tafa. Em terceiro lugar ficou a veterana atleta portuguesa Fernanda Ribeiro, de 40 anos.
Vídeo. EB/U.K.
video

quinta-feira, 18 de março de 2010

SAUDAÇÃO À 20ª EDIÇÃO DA MEIA MARATONA DE LISBOA


O “Último Quilómetro” saúda a 20ª edição da “Meia Maratona de Lisboa.
Queremos deixar uma saudação em especial a todos aqueles que ao longo destes 20 anos contribuíram para o sucesso da prova.
Nunca é demais lembrar que a Meia Maratona de Lisboa é considerada pela Federação Internacional de Atletismo como a melhor meia maratona do mundo e é das poucas com o título “GOLD LABEL”, a mais alta distinção atribuída pela IAAF às melhores organizações técnicas de corridas de estrada.
Mas tudo teve um princípio e o primeiro passo da Meia Maratona de Lisboa está patente na foto da primeira edição, em 1991, que acompanha este texto.
Não uma foto dos vencedores, ou uma foto tirada de um qualquer jornal, mas sim uma foto dos “bastidores” nomeadamente dos funis de chegada.
Nesse já longínquo ano de 1991 ainda não havia os meios tecnológicos de hoje e os chips eram algo ainda inexistente.
Nesta primeira edição ainda quase tudo era feito “a mão”.
Relembramos que a Meia Maratona de Lisboa foi pioneira num método de classificação que usava leitura óptica de códigos de barras inseridos nos dorsais antes de haver a tecnologia dos chips nas classificações.
Era um método altamente “revolucionário” para a época e que permitia, mediante uma “pistola de scanner” a classificação imediata do atleta não sendo necessário usar o sistema clássico de retirar o dorsal ao atleta e inserir o mesmo num espeto para posterior classificação (brevemente iremos abordar a temática da evolução tecnológica da organização das provas).
Na foto em questão pode ver-se, de costas, o doutor Renato Graça, antigo campeão de nacional de maratona, médico do SNS, e também figura de relevo na Medicina Desportiva e no Controlo Anti-Doping.
Quem procurar com atenção pode encontrar também a grande campeã Rosa Mota num dos funis.
E retirando os dorsais aos atletas está o autor destas linhas que teve a honra de colaborar, voluntária e modestamente, durante uma década, na organização da prova.
A finalizar não queremos deixar de desejar uma excelente prova a todos os que vão participar no evento.

domingo, 14 de março de 2010

LEZÍRIAS COM ATUM E BAGAÇO!

“Atiro-me” à Lezíria, com toda, a calma cá bem na cauda do Pelotão.
Cá atrás até há quem atenda telemóvel em plena prova!
O primeiro “aquecimento” é dado pelos paralelos de Vila Franca de Xira seguindo-se a subida da ponte para meter todo o “equipamento” em velocidade de cruzeiro.
Na descida deixo os “colegas” que me deram boleia e entro na “minha prova”.
Faz um vento gelado, que bate de frente, nos caminhos da Lezíria.
Pergunto-me pelas placas dos quilómetros pois ainda não vi nenhuma nem haveria de ver!
Não faz mal, não é nada que me atrapalhe, venho dos tempos em que não havia nada disso e agora com a tecnologia do GPS é um luxo.
No meu andamento de tartaruga, mas sempre correndo de trás para a frente, lá vou passando alguns atletas.
Chego aos 5 quilómetros e marco os mesmos no GPS afim poder estudar como me correu a prova.
Entretanto apanho a boleia de um atleta bem mais novo que eu e de porte mais atlético e lá vamos “caçando” corredores pela Lezíria afora.
Passo o controlo dos chips, subo ao dique e ai vamos nós.
Tenho a vantagem de estar praticamente a jogar (correr) em casa e o Tejo, meu velho amigo, pisca-me o olho.
O meu “colega” de boleia mete outro andamento e “pira-se”. Deixá-lo ir, é de outro campeonato, penso eu.
Lá vou eu voando em solitário e ultrapassando uma ou outra “ave” que não soube fazer um bom plano de voo.
Apanho um atleta estilo peso bem pesado e grande e acabamos por ir no andamento um do outro. Admira-me aquele amigo estar a correr tão bem e com condições morfológicas nada adequadas. Se perder algum peso vai “dar cartas”.
Entretanto apanhamos e ultrapassamos o meu parceiro de “viagem” que tinha metido outra mudança mas deve ter tido algum engano na caixa de velocidades.
Começo a pensar como será o comportamento do meu colega peso pesado na subida da ponte mas eis que ele pára abruptamente (para apertar um atacador?) e fico de novo “sozinho”.
Ultrapasso um colega de aventura, vestido com uma camisola do atum “bom petisco” e não resisto a dizer-lhe: Amigo, isto realmente, é um bom petisco!
Entro na recta do Cabo, cumprimento o alcatrão e atiro-me à ponte com garra.
Pela primeira vez consigo ganhar à subida da ponte e digo-lhe: este ano não me vais desgraçar
Ai está Vila Franca aos meus pés! Vou com todo o gás, mas bem-disposto.
Numa curva de uma taberna há vários clientes que assistem a prova e grito: “VIVA O BAGAÇO!” e sou aplaudido pela assistência e um velhote replica: “MAIS NADA!”
Até à recta da meta ainda sou incentivado por uma jovem com uma canadiana e fazendo alusão à mesma digo-lhe: isso é que me fazia a falta e ela responde-me que as minhas pernas é que lhe faziam falta. Ainda proponho uma troca!
Corto a meta com a sensação do dever cumprido, menos 4 minutos e 7 segundos que o ano passado e bem mais fresco.
Enfim mais uma excelente jornada da GLORIOSA E MUI NOBRE LIGA DOS ÚLTIMOS!
*Foto tirada da página da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira.*

domingo, 7 de março de 2010

NO DIA EM QUE ENTERREI O PRÉMIO NO QUINTAL

A caminho de fazer trinta anos desde que alinhei pela primeira fez numa prova, muitos prémios (lembranças de participação) tenho recebido.
Venho dos tempos em que não havia nem “T-Shirt”, nem medalhas, nem nada e ninguém se queixava.
Depois apareceram as “T-Shirts” e era um luxo. Quando chegaram as medalhas, eram só até determinada classificação e tinha que se correr já alguma coisa para as “apanhar”.
Hoje os corredores não sabem o que fazer a tanta “T-Shirt” e medalha, para além de haver algumas organizações mais “ricas” que diversificam a oferta com outros produtos.
Nunca corri uma prova em função das lembranças que se ganhavam na mesma mas sim pelo prazer e interesse que essa prova me proporcionava.
Mas tenho que confessar que pela primeira vez corri uma prova com um certo objectivo “mercenário”, com o olho na lembrança que ia ganhar.
A ideia era ganhar um prémio de presença e enterrar o mesmo no quintal!
Bem, se já sou considerado “maluco” por me estafar a correr para ganhar uma “T-Shirt”, imagino agora o que será enterrar o prémio no quintal!
Bem, enfim, não será propriamente enterrar mas sim plantar.
E ao falar de plantar muita gente já estará a ver do que se trata: isso mesmo, a Corrida da Árvore e o pinheiro que é oferecido a todos os atletas.
Pois é. Fiz pela primeira vez a referida prova e pese embora cada vez goste menos de correr no alcatrão (o alcatrão faz mal à saúde!), achei aquela “viagem” por Monsanto muito agradável.
E agora vou poder “enterrar” o premio no quintal e tratando-se de um Pinheiro já foi baptizado e tudo! Trata-se do Joaquim Pinheiro, numa homenagem a esse grande fundista.

JOSÉ GASPAR E LUCINDA MOREIRAS VENCEM 12 KMS MANTEIGAS - PENHAS DOURADAS

JOSÉ GASPAR E LUCINDA MOREIRAS VENCEM 12 KMS MANTEIGAS - PENHAS DOURADAS
José Gaspar (GD 3 Santos Populares) e Lucinda Moreiras (NCL Sport Club) venceram, hoje de manhã, a XXVIII edição dos 12 KMS MANTEIGAS - PENHAS DOURADAS, 2ª jornada do CIRCUITO NACIONAL DE MONTANHA SALOMON 2010. Apesar das más condiçoes atmosféricas que assolaram a Serra da Estrela e o concelho de Manteigas na manhã da competição, com chuva e neve a acompanharem os atletas no seu esforço desde Manteigas até às Penhas Douradas, cedo José Gaspar tomou a iniciativa e conquistou um folgado triunfo, registando na meta 46m24s e uma vantagem de 2m50s (!?) sobre José Carvalho (Núcleo de Atletismo de Matosinhos), detentor do título do CIRCUITO DE MONTANHA 2009 e 2m55s sobre Alberto Almeida (Casa do Povo de Valongo do Vouga). No sector feminino o triunfo voltou a sorrir a Lucinda Moreiras (NCL Sport Club), que completou os 12 kms da dura ascenção de Manteigas às Penhas Douradas em 1h01m16s, com 2m45s de vantagem sobre Rosa Madureira (Núcleo de Atletismo de Matosinhos) e o terceiro lugar do pódio a ser ocupado por Mónica Moreiras (CCDFEP Linhó), a 4m26s da vencedora. Registe-se a elevada participação naquela que é a corrida-mãe das competições pedestres em montanha em Portugal, a qual contou com 1061 participantes divididos pelos escalões competitivos, marcha pedestre e percurso em BTT que animaram uma manhã sem igual de prática desportiva de alta montanha na Serra da Estrela. O CIRCUITO NACIONAL DE MONTANHA SALOMON 2010 prossegue no próximo dia 2 de Maio de 2010 nos contrafortes da Serra da Freita com a realização do 8º CIRCUITO DE AROUCA - SENHORA DA MÓ.


Texto cedido por Terras de Aventura.
Para mais informações sobre o Circuito Nacional de Montanha
é favor consultarem a página da referida entidade.


CORRIDA DA ARVORE 2010 - LISBOA (MONSANTO) VÍDEOS





Vídeos captados por EVB.

CORRIDA DA ARVORE 2010 - LISBOA (MONSANTO)


Os três primeiros classificados e a primeira senhora.
(Fotos EVB)

sexta-feira, 5 de março de 2010

JOÃO GARCIA DE PARTIDA PARA O ANNAPURNA

Exclusivo SIC: João Garcia está de partida para escalar o Annapurna no Nepal.

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